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108 SAGRADO – POR QUE O NÚMERO 108 É CONSIDERADO SAGRADO?

O número 108 é considerado sagrado, principalmente na cultura Hindu há milhares de anos. Sagrado e importante por razões metafísicas e matemáticas, já que os antigos indianos foram excelentes no campo da álgebra e geometria. A conclusão do que vem a ser o número sagrado 108 deve-se aos Vedas e a forma como os textos e métrica védica está em escrever os sagrados ensinamentos da Suprema Personalidade de Deus. Vejamos as séries de razões as quais ressaltam o ‘108’:


Upanishads: Há 108 Upanishads, textos sagrados, principais, que estão agrupados em categorias dentro dos Vedas. Estes estão divididos em RigVeda (10), YajurVeda (50), SamaVeda (16), AtharvaVeda (32).

Matemática: Ao multiplicarmos 1 elevado a ele mesmo, por 2 elevado à segunda potência, e por 3 elevado a terceira potência, teremos 1 x 4 x 27 = 108.

Métrica védica: Um círculo possui 360 graus, os quais quando multiplicados por 60 resultam em 21.600 minutos num círculo. O número 60 advém de 60 Ghatis, os quais são sagrados. Um Ghati é igual a 24 minutos, 60 Ghatis são 24 horas, a divisão de um dia. Um Ghati é dividido em 60 partes ou Palas. Então, estes Palas multiplicados por 60 resultam em 3.600. Este valor multiplicador por 60, por um Pala contém 60 Vipalas, resulta, novamente, em 21.600. A metade deste valor é a fase do dia, e a outra metade a fase da noite. Então, 21.600 dividido por 2, resulta em 10.800. Para fins práticos, usa-se 108. Este ritmo ajuda a controlar o ritmo do tempo, bem como do espaço, permanecendo em harmonia com a natureza e a forma como ela se regula.


Alfabeto: a influência mais direta e sagrada do número 108 tem relação com os fonemas do “alfabeto” sânscrito e a divisão do cosmo, de tempo e espaço. Por sua vez, o alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas que são chamados masculinos, e 54 que são chamados femininos, sendo conhecidos como Shiva e Shakti, respectivamente, e que somados resultam em 108.

Sri Yantra: Grande fonte de meditação, este símbolo sagrado é conhecido como o monte Meru. Neste Yantra Marmas ou pontos, onde três linhas se entrecruzam, e há 54 sub-cruzamentos. Cada um destes cruzamentos são masculinos e femininos, qualidades de Shiva e Shakti, bem como o próprio corpo humano.


Chakra do coração: No Anahata chakra possui linhas de interseção. Os Vedas dizem que há 108 linhas de energia no Chakra do coração, onde o Paramatma está residindo. É a partir do Chackra do coração que o Yogue atinge a iluminação do Sahasrara ou Chakra do auto da cabeça, cuja energia é levada pelo canal central ou Sushumna para a coroa da realização em Deus.

Pontos Marmas: No corpo sutil há pontos de captação de energia, que são chamados de Marmas, e são como pontos de interseção por sobre os Nadis ou canais de distribuição de energia. Os textos védicos afirmam que há 108 Marmas por sobre o corpo, e que têm reflexos no corpo físico e nas diversas funções vitais.

Tempo: O tempo é dito que possui 108 sentimentos, os quais estão em número de 36 no passado, 36 no presente, e 36 no futuro. Esta relação da psicologia da percepção do tempo, no mundo finito, é considerada uma dilatação do Akasha.

Astrologia: A astrologia védica ou Jyotish considera os 9 planetas visíveis, bem com as 12 casas das constelações, chamados de Manshas ou Chandrakalas. A relação de 9 x 12 é igual a 108. A palavra Chandrakala é composta de Chandra = lua, e Kalas, divisões do tempo. O diâmetro do sol é 108 vezes maior do que o da Terra.

Gopis do Senhor Krishna: Sri Krishna, o Senhor Supremo, protagonista do Bhagavad Gita, tinha 108 Gopis ou servas fixas, e 108 mil esposas. Isso é transcendental e não pode ser comparado com as coisas da paixão mundana e leviandade.

Estágios da Alma: As Escrituras dizem que a alma possui 108 estágios na sua jornada por sobre a Terra, e se não atinge a liberação, deverá voltar para o seio de Paramatma e retornar mais tarde para uma nova jornada de 108 vidas.

Japamala: 108 são as contas do Mala para o Japa. Produto de 12 x 9, o 12 é o número de Aditya, dos luzeiros que revelam o mundo objetivo, ou seja, os símbolos do aspecto sakara (o mundo de nome e forma, de multiplicidade e variedade), assim representando as distintas manifestações, retornos ou reencarnações, em torno de uma unidade, o Meru, Brahman

Divyadeshes: São considerados 108 os Tirthas sagrados da Índia até o Nepal. São pontos dedicados aos rishis e situam-se junto às piscinas, aos rios, etc., em conexão com um culto. Os hindus crêem que os rios levam poderes sagrados à terra e o mais importante desses rios é o Ganges, que nasce no Himalaia e atravessa de um extremo ao outro do norte da Índia para desembocar na baía de Bengala. Existem muitos lugares santos ao longo dos 257 Km do Ganges, dos quais o mais importante é Varanasi, a cidade de Shiva, onde seus fiéis vão banhar-se no rio.

Águas Sagradas: Instaladas em Muktinath, no Nepal, também em 108 lugares.

108 Pithas: Lugares sagrados. Esta história está completa no quarto Canto do Bhagavat Purana. A história narra que o Senhor Shiva estava sempre em profunda meditação, e seu asceticismo estava gerando um grande calor por sobre o universo. Por conseguinte, toda a existência estava correndo enorme perigo, e o Senhor Brahma (Seu pai), interferiu diante de Maa Shakti Devi, a mãe do universo, para que usasse seu poder, no sentido de seduzir o Senhor Shiva e demovê-lo da sua posição. Então Maa Sakti concordou, e que iria nascer como Sati, filha de Sri Daksha.

O Senhor Shiva havia ficado muito impressionado com o asceticismo de Sati, e com Sua extraordinária beleza. Então Ele retornou a forma humana e casou-se com ela. Anos mais tarde, numa festa, o pai de Sati Devi insultou o Senhor Shiva e Sati ficou tão humilhada que entrou em profunda meditação, tendo em vista imolar-se. O Senhor Shiva ficou com o seu coração despedaçado. Ele chegou até o local do sacrifício de fogo, e tentou interferir agarrando o corpo de Sati, levando-a para o céu. Mas, na medida em que fazia isso, 108 pedaços do corpo de Sati Devi caíram e se espalharam por sobre a Terra. Eram 108 pedaços, que tornaram os locais onde caíram inteiramente sagrados. Desde esta época estes locais são adorados e fonte de constante peregrinação.

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Fonte: Radio Viva Zen





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