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4 coisas que eu aprendi observando o meu gato

4 coisas que eu aprendi observando o meu gato

Você já deve saber que eu adotei um gato, estou certo? O que você, provavelmente, ainda não sabe é que o Temaki (meu felino camarada), além de unhadas e mordidas, deu-me também fantásticas lições a respeito da vida, ensinamentos que eu gostaria muito de repassar a vocês. Posso? Do que está rindo? Hein? Acha que só é possível aprender com os professores, com oDiscovery Channel, com o Google e com os avós? Nada disso. Os gatos também são uma ótima fonte de aprendizado, basta olhá-los com extrema atenção. Com o meu gato eu aprendi…



1.A beleza de amar sem querer ser dono

Muitos homens têm a péssima mania de agir como se possuíssem a mulher com quem se relacionam; como se “namorado” – ou “marido” – fosse um sinônimo de “dono”, coisa que certamente não é. Já reparou? Mas sabe o que eles de fato conseguem quando tentam colocar uma coleira apertada ao redor do pescoço da namorada? Conseguem afastá-la, cada vez mais. Quanto mais eles tentam possuir a amada, menos a têm. Porque as mulheres – e os homens também! – estão em busca parceiros, não de proprietários; de gente que sem precisar dizer “fique” em tom imperativo conseguirá expor mil motivos para que elas não saiam. Elas estão à procura de homens que, graças à liberdade que sabem dar, fazem com que elas queiram voltar todas as noites. A verdade é que olhar para o lado e ter a certeza de que a sua parceira está lá porque não vê lugar mais confortável para estar – não por obrigação ou coisa do tipo – é a melhor sensação que existe, é fantástico. É ótimo pensar que, apesar de toda a liberdade que eu dou para a minha namorada nunca mais voltar, se assim ela quiser, ela sempre retorna, sorrindo e sedenta por meus abraços, beijos e caretas. O mesmo acontece quando o Temaki – sem que eu precise obriga-lo – entra em meu quarto ronronando e em meu peito encontra uma cama, um lar. Sabe de uma coisa? Amar, de verdade, é dar mil razões para o outro ficar, mas NUNCA impedi-lo de ir, se assim ele um dia quiser.



2.A importância de saber me divertir sozinho

Tenho um amigo que é totalmente incapaz de se divertir sozinho, sem exageros. Ele passa os dias buscando companhias e sempre que não encontra alguém disponível para acompanha-lo a algum lugar age como se estivesse condenado a momentos de tortura e agonia. Sabe o que parece? Parece que ele morre de medo da própria companhia, de não se suportar! Que coisa horrível, né? Eu acho. Por mais valiosos que sejam os momentos em que estamos rodeados por amigos e de gente que nos quer muito bem, precisamos aprender a sorrir quando não tem ninguém por perto. Precisamos aprender a encontrar valor e sabedoria em nossa própria solidão, ou, como parece acontecer com o meu amigo, nos tornaremos nossos próprios monstros, ao invés de nossos melhores amigos, como penso que devemos ser. Basta uma voltinha no shopping para perceber que as pessoas estão a cada dia menos capazes de suportar a própria companhia. Ao invés de mergulharem nos próprios pensamentos, sempre que estão sozinhas elas mergulham em um smartphone em busca de alguma alma online e disponível. Você também é assim? Cuidado. Falo sério. Pois se você se tornar dependente dos outros para ser feliz, em muitos momentos, sofrerá ao perceber que nem sempre estará acompanhada. Agora, se você aprender a se bastar, qualquer companhia será lucro, mas a inevitável falta delas nunca será dolorosa ou incômoda. O Temaki adora ficar ao meu lado, mas, quando eu fecho a porta do quarto ou entro no banho, ele logo arruma algo para fazer, ao invés de miar as pitangas ou de, na língua dos felinos, dizer: “Como eu odeio a solidão!”. Ah, só mais uma coisa: não existe momento melhor do que a solidão para descobrir quem de fato você é.


3.Cair e levantar, cair e levantar, cair e levantar…


Além de comer, dormir e ronronar, uma das coisas que o Temaki mais faz é cair. Ele cai de cima da prateleira. Cai quando tenta pular do sofá para a TV. Cai quando pensa que uma folha de jornal é uma ponte confiável. Você nem imagina os rolas homéricos que ele leva. Mas se engana quem acha que ele, depois de um tombão, fica chorando e desiste de tentar alcançar os lugares mais inalcançáveis da casa. Nada disso. Ele logo levanta e, mais uma vez, salta em busca do objetivo. E sabe como ele age quando o segundo salto falha? Ele procura um novo caminho capaz de leva-lo até o lugar no qual ele deseja estar. E ele consegue, na maioria das vezes. Não é uma postura admirável e que merece ser copiada por nós, que ao invés de levantarmos e tentarmos mais uma vez, logo começamos a reclamar da vida e colocar a culpa no azar, no cosmos ou na puta que nos pariu? Os gatos não têm essa mania besta que o ser humano tem de fazer tempestade em copo de água ou inventar desculpinhas. O gato, diferente dos covardes que morrem de medo de um “não”, não se faz de vítima. Ele simplesmente persiste e, geralmente, consegue.


4. Às vezes o melhor que podemos fazer é não fazer nada

Os humanos, principalmente os moradores de grandes metrópoles como São Paulo, tendem a não perceber a importância de passar alguns minutos sem fazer nada; de simplesmente deitar em algum canto macio e olhar para o teto até adormecer em meio aos sonhos mais mirabolantes. Nos sentimos culpados quando não estamos produzindo algo ou transformando nosso tempo em alguma fonte de dinheiro. Mas o ócio ocasional é fundamental para a nossa saúde mental e física. Parar é essencial para que sejamos capazes de continuar a seguir. Estou falando sério! A quantidade de pessoas que está pifando por não conseguir parar um segundo sequer é imensa. Você deve ter alguma amiga assim, certo? Ou está acontecendo com você? Não vem ao caso. Faça como o Temaki e se dê o direito de, todos os dias, passar alguns minutos apenas deitada, pensando na vida, ouvindo os batimentos do seu coração, o ritmo da sua respiração e dando corda aos seus pensamentos mais malucos. Falando nisso, acho que agora vou me deitar ao lado do Temaki. Quem sabe a banda não passa por lá cantando coisas de amor, né?


 

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Escrito por Ricardo Coiro – Via Superela


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