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4 tipos de meditação para iniciar ou aprimorar sua prática

Vamos abordar, em termos simples, os 4 tipos gerais de meditação que podem ser praticados. Com isso, você poderá entender como funciona cada tipo para aprimorar ou mesmo para iniciar sua prática de meditação, tão essencial para o seu bem-estar.


1. Meditação pura/foco único

O primeiro tipo é a meditação perfeita, descrita nos textos sagrados do yoga. A mente cria um foco laser, um ponto único, e se mantém nela de forma indesviável. Na linguagem das redes neurais, seria ter a Rede Executiva Central completamente ativada, sem que a Rede Saliente tire o foco, sem que a Rede Modo-Padrão entre em ação. A mente se torna como um filme, em que cada fotograma é idêntico ao anterior. A imagem que entra na mente é idêntica à imagem que sai dela. Nesse tipo de meditação, quanto mais sutil e minúsculo o foco, mais avançada será a prática.

A prática era tão poderosa que é dito que os grandes yogis desenvolviam poderes de manipular a energia material, que inspirou a história em quadrinhos e o filme Dr. Strange. Esse tipo de meditação é extremamente difícil de fazer por mais de alguns segundos ou poucos minutos. Na prática, para nós, mortais, significa manter o foco, perder o foco, trazer o foco novamente e assim por diante.

Infelizmente, muitas pessoas acham que meditação é só manter esse foco perfeito e indesviável e, compreensivelmente, logo desistem, frustradas.



2. Meditação mindfulness/flow

Outra meditação bem mais acessível é a meditação na ação, num evento que está ocorrendo. Podemos usar a expressão “totalidade na ação”. Esse tipo de meditação também é descrito como uma prática de mindfulness. Você coloca todo o seu foco numa atividade que está fazendo. O exemplo clássico é na respiração, em que você mantém sua mente totalmente absorta na respiração. Você traz a mente para a sensação de ter o ar entrando pelas narinas, o pulmão se enchendo, o oxigênio permeando o corpo, e assim por diante. Por se tratar de uma sequência ativa de coisas lhe acontecendo, fica bem mais fácil, até mesmo para um neófito, experimentar alguns minutos de total absorção, sem distrações.

A mesma técnica podemos usar para outros atos, como sentir a água do chuveiro caindo sobre seu corpo, uma caminhada ou comer. A mente fica totalmente absorta nas sensações da prática em questão, explorando os detalhes.


Quando levamos essa prática para outras atividades da vida, chama-se flow. A vida flui sem pensamentos que fogem da ação sendo feita. Pode ser o ato de escrever um artigo, negociar um contrato, fazer uma apresentação no palco ou uma atividade esportiva, por exemplo.

E, claro, um dos exemplos mais comuns para o público que gosta de meditação é a prática dos asanas, o yoga do tapetinho. Quando você está lá, prestando atenção em tantos detalhes de sua postura, sua mente está absorta no aqui e agora, na atividade. Por isso, tantas pessoas experimentam grandes transformações e bem-estar com o yoga moderno.

Eu sempre recomendo buscar esse estado de mente ao agir, ao cumprir nosso dharma. Sugiro também, regularmente, ao longo do dia, buscar esses momentos, de preferência, de hora em hora, por alguns minutos. Isso traz enormes benefícios para a saúde mental, como desempenho, eficiência e foco.

Na linguagem das redes neurais, isso significa ficar com sua Rede Executiva Central ativada, focada na ação. É mais fácil porque o foco é uma ação que a cada instante traz algo novo para se concentrar, diferentemente da meditação pura, que a mente tem de se manter num único ponto, sem alteração.


3. Observação da mente/foco na divagação

A terceira prática é o que a maioria chama de meditação. Nessa, ancoramos a mente em alguma prática de meditação, por exemplo, o foco na respiração ou o entoar de um mantra. Mas, aí, deixamos a mente divagar ao mesmo tempo, observando os pensamentos.

Gosto da imagem de uma pessoa sentada à beira de um rio, vendo o rio fluindo. Os pensamentos estão lá, fluindo, mas cultivamos o estado de observador, tentando não nos identificar com as emoções fluindo. Surge o pensamento, a imagem, e deixamo-la fluir. Sabemos que não somos a mente, não somos o pensamento e não somos a emoção.

O foco – como falei, pode ser a respiração ou o entoar de um mantra – cria uma âncora, cria um estado mental interessante, diferente de ter sua mente simplesmente vagando.

Na linguagem da neurociência, é o estado de ter sua Rede Executiva Central ativada e ao mesmo tempo a Rede Modo-Padrão. As duas redes que normalmente funcionam alternativamente ficam ligadas ao mesmo tempo – conectadas. As pesquisas mostram que, nesse estado, conseguimos desenvolver muita criatividade. Temos insights e soluções vêm à mente de forma surpreendente.

Esse estado é muito proveitoso para curarmos emoções, processando detalhadamente o evento que nos causou a ferida emocional, desmanchando seu efeito sob a luz de nossa consciência.

Nesse estado, podemos clarear e corrigir nossa visão da vida e desvendar nosso caminho a tomar. Podemos rever nosso mapa mental, entendendo melhor quem somos e onde estamos, para assim priorizar aquilo que é mais verdadeiro para o nosso eu.

Muito do que ensino, muitos elementos de meus vídeos e livros, vieram nesse estado de meditação, ancorados pelo maha-mantra Hare Krishna.


4. Meditação guiada

Por último, temos a prática de meditação guiada. Nessa prática, entregamos nossa atenção às palavras sendo passadas, guiando as imagens e o foco de nossa mente. Por estarmos atentos e relaxados, experimentamos várias vantagens das outras formas de meditação. Porém, é um pouco “artificial”, sendo necessário estar diante de alguém ou ouvindo uma gravação. Nesse estilo de meditação, também ficamos “presos” ao caminho sendo dado, que pode ser materialista e contraproducente para seu despertar. Eu diria que essa seria a prática menos aconselhável descrita aqui, ainda que eu reconheça que pode ser saudável e benéfica, e certamente a mais fácil de todas.

Concluindo, eu recomendo o uso da técnica de meditação mântrica, que é chamada de japa, em sânscrito, com o maha-mantra Hare Krishna. Recomendo a prática de japa tanto no modo “meditação pura” como no modo “foco na divagação”.

Diariamente, faço uso desta técnica de japa por mais de uma hora, desde meados da década de 1990. Aqui neste vídeo, ensino como é feita de forma pura.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.





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