5 coisas que eu gostaria de dizer a um ex-amor:

Foi ótimo enquanto durou, mas acabou. A fila andou, o show da vida continuou, e o sol, mesmo sem a nossa presença ansiosa, continuou a nascer.



Você foi para um lado e eu fui para outro. Os nossos corações, como chegamos a pensar que aconteceria, não pararam.

Sobrevivemos ao fim. Sobrevivemos à despedida monossilábica e ao “assim será melhor para nós dois”. Sobrevivemos aos cheiros que deixamos impregnados um no outro. Sobrevivemos às lembranças que continuam espalhadas por toda a cidade e pelos lugares nos quais passávamos de mãos dadas.

Sobrevivemos às fotos que, vez ou outra, ainda aparecem no fundo de alguma gaveta. Sobrevivemos. Palavras não ditas também sobreviveram em mim e, até hoje, estão cravadas em minha garganta.



Por isso, antes tarde do que nunca, eu resolvi dizê-las:

1. DESCULPE-ME PELO CIÚME INCONTROLÁVEL

Sei que parecia loucura e que, de repente, logo após ter feito um discurso cheio de autocontrole e racionalidade, eu me tornava um total submisso ao ciúme. Um alérgico a saias curtas, camisas transparentes e, principalmente, àqueles seus amigos que, com certeza, queriam mais do que a sua amizade. A verdade é que, por mais doentio que possa parecer, eu não conseguia me controlar. Quando você não estava sob a mira de olhares que a devoravam da cabeça aos pés, eu me sentia completamente capaz de domesticar o ciúme, porém, quando eu notava homens, feito raposas famintas, almejando o que você escondia sob o pouco tecido da sua saia, eu sofria uma mutação incontrolável. Juro que era mais forte do que eu. Sabe o que eu sentia? Um puta medo de perder você. Medo de ser trocado por outro. Pavor de você retribuir olhares que não eram meus. Eu sabia que, se continuasse assim, mais chance de perder você eu teria. Porém, foi mais forte do que eu. E agora que eu já perdi, ex-amor, só me resta pedir desculpas, em nome da parte de mim que até hoje parece impossível de ser domada.


2. NA MAIORIA DAS VEZES, EU DISCUTI POR VAIDADE (VOCÊ TAMBÉM)

Em nossas discussões – em 90% delas -, defendíamos nossos pontos de vista como se as crianças famintas da África dependessem da vitória de nossos argumentos para conseguir comida. Começava com uma pequena discordância, qualquer uma, e, em um piscar de olhos, nossos berros ecoavam a ponto de assustar os vizinhos que provavelmente achavam que estávamos à beira de um crime passional. E sabe por que brigávamos tanto? Pois nenhum de nós cedia. Nunca. Nossos braços eram, infelizmente, intorcíveis. E sabe por quê? Pois éramos vaidosos demais para aceitar que estávamos errados e demasiadamente burros por não perceber que o melhor a ser feito, sempre, é mudar de assunto ou fazer uma careta. No fundo, lutávamos, com unhas e dentes, pela integridade de nossos egos. E assim, incapazes de nos desvencilhar das ordens estúpidas da vaidade, permitimos que minúsculas faíscas, do tipo que poderiam ser contidas com um simples “você tem razão”, transformassem-se no incêndio inapagável que converteu a nossa relação em cinzas.



3. EU ADMIRAVA VOCÊ – E MUITO – COMO PROFISSIONAL

Não falávamos muito de trabalho. Eu, raramente, falava das minhas planilhas. E você, quase nunca, perdia tempo reclamando do seu chefe. E foi bom assim. Ocupávamos o nosso tempo falando de coisas melhores, como futuras viagens e finais de filmes que não entendíamos por completo. Porém, agora, eu gostaria muito que você soubesse o quanto eu admirava o seu lado profissional e a força que tinha para, todos os dias, sempre pontualmente, saltar da cama, enfrentar o trânsito caótico e, sem reclamar, ir direto ao trabalho. De verdade, saiba que eu tinha um grande orgulho de você e que, nas olheiras que com maquiagem escondia de mim, eu sabia identificar a guerreira que você era – e que espero que ainda seja. Talvez você não saiba, mas, além de carros, futebol e bundas, nas minhas conversas de bar com meus amigos, eu, sempre que podia, elogiava o quanto você suava, sorrindo, para conseguir pagar seu aluguel, sapatos e xampus que vinham em barris de 5 litros.


4. EU, APESAR DE NUNCA TER CONFESSADO, AMAVA VOCÊ

Sim, eu sei que você sentia inveja dos longos bilhetes e das declarações verbais que a sua melhor amiga recebia do namorado poeta. Sei também que, de mim, você vivia esperando um “eu amo você” – coisa que eu nunca disse. Aliás, eu disse uma vez: em inglês e em tom de brincadeira. Sei que, muitas vezes, o meu silêncio e a objetividade dos meus cartões de aniversário, deixaram você frustrada. Porém, gostaria muito que soubesse que a minha forma de dizer que amava você era outra e, de verdade, espero que tenha percebido o amor que depositei em cada vez que segurei a sua mão e, em seus dedos, suavemente, fiz carinho. Espero que tenha notado que, todos dias, mesmo em silêncio, eu demonstrava amor cobrindo você com o edredom e, para você, fazendo ovos mexidos como se estivesse cozinhando para a família real britânica. Sei que, além de atos, esperava palavras. E sei, também, que já é tarde para uma confissão. Mas desembucharei e espero que não ligue para o tempo verbal: eu amei você!


5. ATÉ HOJE, NINGUÉM COMBINOU TANTO COMIGO QUANTO VOCÊ COMBINOU

Apesar do ciúme, das brigas e dos “eu amo você” que eu nunca disse, combinávamos mais do que risoto e dia frio. Combinávamos bem mais do que cerveja e amendoim. Nenhuma – e olha que não foram poucas – das que vieram antes ou depois de você, gostava tanto – como você gostou – de ir ao cinema comigo e de, em minha companhia, sujar todos os dedos com a manteiga da pipoca. Nenhuma outra compartilhava do nosso amor atípico por dias frios e cinzentos. As que vieram depois e aquelas que vieram antes, diferentes de você e de mim – que preferimos McDonald´s -, preferiam Burguer King – “Tem gosto de churrasco!”, elas diziam. “Foda-se o gosto do churrasco!”, nós dizemos quando queremos elogiar o “Mc Hambúrguer de Minhoca”. Diferente de nós que, assumidamente, não gostamos de praia, sol e areia entre os dedos, elas, as suas sucessoras e também as antecessoras, adoravam enfrentar engarrafamentos para passar o feriado estendidas sobre uma canga. As outras, todas elas, só gostavam de filmes com finais felizes; já nós, sabendo que a arte imita a vida e que a vida nem sempre tem final feliz, gostamos de filmes realistas – com finais felizes ou não. Enfim, combinávamos mais do que nuggets e molho barbecue.

Aos futuros amores, espero dizer mais. Por enquanto, com vocês, compartilho aquilo que eu não disse – para sejam capazes de dizer mais e para que, no silêncio dos seus parceiros, consigam enxergar palavras, muitas vezes, bonitas.

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Por: Ricardo Coiro – Via: Superela –  (Superela é uma plataforma capaz de fazer as mulheres mais felizes, tudo de especial sobre Amor, Sexo, Vida, Beleza e Estilo! Mais textos incríveis em: Superela.com)

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