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A arte de adaptar-se para agradar ao outro sem deixar de agradar a si mesmo

“O homem não é uma ilha.” Aprendi isso no ensino médio, durante as aulas de Filosofia. Isso quer dizer que os seres humanos não conseguem viver isolados, precisamos da sociedade para viver melhor.


Mas o que eu não aprendi foi que, mesmo não sendo ilhas e, sim, pequenos pedaços de terra que integram os continentes, não podemos deixar que “desbravadores” nos invadam e nos moldem como querem.

Quando penso nisso, a primeira coisa a que associo são invasões diretas e fáceis de perceber, por meio de olhares de julgamento, palavras cruéis ou atitudes ruins. Porém, nem tudo está tão claro assim.

Há pessoas que nos invadem e nos transformam, sem que a gente perceba e, quando nos damos conta, nem nos reconhecemos mais.

A transformação é necessária, estamos em constante evolução, mas o fundamental é que ninguém mude a sua essência por outra pessoa ou alguma imposição da sociedade.


Relacionamentos são feitos de concessões e aí é que entram as transformações do bem. Alguém sempre vai precisar ceder em nome de uma boa convivência, e isso não vale apenas para relacionamentos amorosos, viver em sociedade exige jogo de cintura. Ouça, faça-se ser ouvido e se adapte. Procure ser uma pessoa melhor com todo esse processo mas, primeiramente, melhor para você mesmo e não para os outros.

Assim como um remédio, que precisamos ajustar a dosagem, vamos nos ajustando ao continente de que fazemos parte. Mas remédio na dose certa cura e na dose errada vira veneno.

Não nos custa ter mais paciência, relevar, dar uma segunda chance e ouvir os dois lados. O que nos custa é se anular, aceitar imposições que nos trazem transformações do mal. Sabe aquela roupa mais comprida de que você nem gosta de usar, aquela gargalhada alta que você agora tem vergonha de dar, a foto que você não posta temendo “o que as pessoas vão pensar?”. É isso que não tem nada a ver com adaptação.


Muitas vezes é difícil, é difícil perceber que estamos nos comportando assim e quando percebemos, também pode ser difícil nos afastar. Às vezes, são pessoas próximas que nos fazem mal. Forçamo-nos a mudar porque não queremos nos afastar, e os sentimentos bons que nutrimos mascaram o sofrimento. Só que não vale a pena. Nada que o faz chorar lhe faz bem.

Se você ama alguém, transformou-se por ela e mesmo assim não está feliz, chegou a hora de voltar a ser dono da própria vida. O basta é difícil dizer, mas adaptar-se para agradar ao outro sem deixar de agradar a si mesmo é uma arte.

É possível pensar que, nesses momentos, o que queremos é ser ilha, mas não dá. O que podemos é bloquear, seja nas redes sociais, nos pensamentos ou na convivência. Podemos colocar para fora, seja escrevendo um texto que talvez ninguém mais leia, desabafando com um amigo ou fazendo uma oração. Podemos abraçar uma nova oportunidade, uma pessoa que nos conforma a si ou abraçar o seu verdadeiro eu, aquele que alguém tentou modificar, mas que nunca saiu de dentro de você. Não podemos voltar a ser o que éramos, mas ser ainda melhores.

A vida nos dá experiências e cabe a nós tirarmos o melhor ou o pior de cada uma para seguir.

Não deixe que o façam se sentir insuficiente, não mendigue, não se anule. Quer se jogar? Jogue-se! Beije, poste, fale, vá, enfrente, conquiste e evolua sempre.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.





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