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A arte de calar a boca

Falar de menos não é bom, porém falar demais pode ser pior.

Com certeza você já conheceu alguém que não para de falar, que é uma metralhadora ambulante. Confesso que por longos anos da minha vida agi desta forma, falando sem parar, como uma boneca estragada.


Algumas noites chegava em casa cansada, enjoada de ouvir minha própria voz, até porque em vários empregos a voz era meu principal instrumento de trabalho.

Nesta época de “tagarelice” ganhei sérios problemas, falava da vida dos outros, da minha vida, da vida dos meus familiares, amigos e etc…

Como resultado arrumei muita confusão para minha vida e para vida dos outros.


“Quem fala muito sempre acaba falando o que não deve.”

E quando as pessoas me falavam: Nossa você fala demais!!


E eu sempre respondia: Claro meu trabalho é falar, sou comunicativa!

Eu ficava brava, achava a pessoa “chata”, que ela não sabia manter uma boa conversa. Mas, na verdade, não havia conversa, porque somente eu falava.

Achava legal falar bastante, isso me fazia popular entre determinados grupos.

Finalmente, com o passar dos anos, fui tomando consciência de que aquela vontade quase incontrolável de falar era ansiedade e, por incrível que pareça, um pouco de timidez também.

Claro! Enquanto você fala, não existe espaço para aquele silêncio frio e inquietante que muitas vezes paira no ar. Era exatamente este “silêncio frio e inquietante” que me assustava.

Quando comecei a realmente me dedicar ao autoconhecimento o “Eu da Tagarelice” foi um dos primeiros agregados que identifiquei dentro de mim.

Comecei a me perceber enquanto falava, a reação das pessoas, quem realmente estava interessado em ouvir o que eu tinha para dizer e, principalmente, tudo que perdia ao meu redor por estar falando pelos cotovelos.

“Eu não tinha consciência que o verbo é sagrado, que pode construir e também destruir, eu simplesmente jogava palavras ao vento.”

Com isso separei alguns conselhos, para que você não cometa os mesmos erros que cometi inúmeras vezes.

Quando você deve calar a boca?

Quando você estiver nervoso, cale a boca.

É perigoso, você pode acabar falando por impulso o que não queria falar e acabar magoando pessoas queridas.

Quando estiver nervoso, vire as costas, respire, volte ao normal para depois falar.


Quando você estiver magoado/deprimido, cale a boca.

Você repetirá tanto sua angústia, que quando perceber, o problema tomará uma proporção gigantesca.

Além disso, quando você conta seu problema para outras pessoas, elas acabam entendendo que podem “palpitar/opinar” sobre o assunto, e, muitas vezes, a pessoa que você confiou seus segredos não é tão confiável assim.

Na tristeza seu melhor amigo é a oração.


Quando você acaba de chegar em determinado lugar e não sabe sobre qual assunto estão falando, cale a boca.

É muito feio (admito que já fiz isso um trilhão de vezes) chegar numa roda de conversa e querer dar “pitaco”, sem ter noção do que as pessoas estão falando, esta atitude gera antipatia.

Chegue, ouça, perceba se cabe você na conversa, se você sabe sobre aquele assunto, se a resposta for sim, ok, participe. Se a resposta for não, entre mudo e saia calado.


Quando uma amiga estiver contando sobre uma briga no casamento dela, cale a boca.

Uma frase que nunca sai de moda: Em briga de marido e mulher não se mete a colher.

Escute as dores da sua amiga e seja imparcial, ofereça um abraço e o silêncio.

Porque amanhã ou depois eles reatam o relacionamento e quem pode sair por mal é você.


Se estiver em dúvida, cale a boca.

Se não pode resolver uma situação não atrapalhe, e cá para nós a dúvida não ajuda a resolver nada, certo?

Fale quando você tenha certeza da situação ou do assunto.


Se você não tem nada de bom para falar, cale a boca!

De coisas ruins o mundo já está cheio, então se você não tem nada de bom a agregar a outra pessoa, principalmente num momento difícil, cale a boca.

Geralmente as pessoas abrem a boca para criticar, apontar defeitos, raramente é para fazer um elogio.

Pergunto-lhe: para que abrir a boca para fazer isso?

Use as palavras para propagar o bem, para fazer um elogio sincero, para alegrar a vida de alguém.

Inclusive, penso que o ideal antes de falar é perguntar antes se a pessoa quer saber a sua opinião.

Em tempos de intolerância todo cuidado é pouco.

Mas, por favor, não se transforme numa árvore, você pode e deve dar sua opinião quando ela realmente for importante e, principalmente, quando for para um bem geral.

Existe o tempo de falar e o tempo de calar. Deixe que as pessoas falem, comentem sobre elas.

Um bom ouvinte ganha empatia e confiança dos demais. Escute verdadeiramente seus amigos, sua família, os idosos, as crianças. Às vezes, uma boa história ensina mais que dez livros.

Observe o espaço, a linguagem corporal das pessoas enquanto elas falam, isso só será possível, se sua boca estiver fechada.

O que eu realmente quero com este texto é que você evite confusões por falar demais, não cometa o mesmo erro que cometi tantas e tantas vezes.

Confesso que não estou totalmente curada da “tagarelice”, mas ouso dizer que melhorei uns 70%.


Direitos autorais da imagem de capa: wall.alphacoders / 454744





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