A arte de “deixar ir”

“Deixar ir” é um ato de entrega. É confiança na vida e nos contornos que ela dá. É um ato de coragem. É um ato de fé. Fé em uma força invisível, em uma sabedoria aquém da nossa.

Uma fé que nos mantém de pé, confiando e crendo, de olhos vendados, que a existência cuida. Mas, por que é tão difícil confiar?

Fomos ensinados, desde que nascemos, a manter “o controle da situação”. Fomos ensinados a controlar tudo à nossa volta. Controlamos o tempo, o dinheiro e, muitas vezes, até mesmo as pessoas que nos cercam. Para o tempo, usamos calendários e relógios, para as pessoas, usamos da manipulação e da permuta. Estipulamos metas de realizações, que devem ser cumpridas como um protocolo e, através desses protocolos bem definidos, esperamos ser bem-sucedidos e aceitos pelo meio social.

Se perdemos o controle de algo, nosso ego se desespera e se frustra, sente-se inferior. Se conquistamos algo por intermédio do controle ou da competição, sentimo-nos “o máximo”. E o ego precisa sempre se sentir assim, superior.

Entretanto, a arte do “deixar ir”, do “soltar”, trata-se exatamente da falta de controle. Trata-se de deixar o ego de lado, de abandonar estereótipos de inferioridade e superioridades, de conquistas e derrotas, de sucesso e de fracasso.

Trata-se de confiar na sabedoria divina da vida, de que tudo acontece por uma razão, e que nada, exatamente nada, deve ser classificado ou enquadrado como “bom ou ruim”, pois um acontecimento que se mostra positivo, a princípio, posteriormente pode se mostrar negativo, e vice-versa.

Não se trata de passividade. Não se trata de esperar acontecer. Não se trata de falta de persistência. Deve-se diferenciar persistência, de teimosia. A persistência nos ensina com os erros, e através deles, nos mostra novos caminhos para tentarmos. A teimosia nos cega e nos faz insistir em uma causa perdida, ilusória, muitas vezes nos fazendo insistir em uma projeção mental.

“Deixar ir” trata-se de crer que a existência cuida de nós, crer que o universo possui mil e uma possibilidades e formas extremamente inteligentes, além do nosso entendimento, de nos guiar até o melhor.

Trata-se da confiança em acreditar que a sabedoria da existência nos guia até o que é, verdadeiramente, para estar em nossas vidas.

Nós nos esquecemos que a existência está nos guiando o tempo todo. Porém, seus sinais são leves e extremamente sutis. Precisamos estar perceptivos e intuitivos para entendermos os sinais e sabermos o momento de agir e, desta forma, agirmos através da percepção, intuição e coração.

O que a nós é destinado, sempre encontra um meio de nos encontrar. O universo é infinito em possibilidades. Parafraseando Osho, só perdemos aquilo que não é verdadeiramente nosso, e é melhor que o percamos logo, pois quanto mais tempo fica, mais forte se torna.

Quando, finalmente, entendemos o “deixar ir”, nós nos entregamos aos planos da existência, pois temos absoluta certeza de que tudo o que precisa chegar até nós, chegará.

E tudo o que precisar ir, irá. Essa é a confiança nos planos do universo. Isso é deixar ir. Isso é soltar. Isso é entrega.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / millaf



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