ColunistasEspiritualidade

A busca…

a busca

Cresci por parte de mãe frequentando a Congregação Cristã no Brasil, fui à Escola Adventista do 7* Dia do pré até a oitava série, a família do meu pai é Católica não praticante ( pelo menos a parte que conheci), a avó de minha melhor amiga na escola Adventista tinha um Centro de Umbanda e a família de um dos nossos amigos mais queridos da turma é kardecista.



Adorava a cacofonia louca das muitas vozes, o ritual e o culto das organizações, mas me recordo desde muito cedo saber que isso tudo, cada um na sua verdade, eram peças de um enorme quebra cabeças, mas não a obra montada, e sentia uma atração enorme por saber, ler, como seria a grande obra vista de cima.

Minha avó dizia: “araaa fiaaa” – que só Deus sabia o que eu queria saber.
Questionava tudo, enlouquecia meus professores de religião, era Mandala para o Diretor de castigo, sabatinava minha avó com perguntas sobre a Bíblia e aquele Deus dela de tantas provações…..


Porque tínhamos que passar por tantas provações?

Para purificar nossos pecados.
Mas que pecados?
Eu era ainda uma criança?


Sou curiosa e preferia já de pequena passar horas com meu nariz nos livros do que na frente da Tv, ia às vezes arrastada para a igreja com minha mãe, pois me aborrecia com a mesmice de tudo e o “ter que ir com os adultos” sem poder escolher. Eu queria mais, eu queria ver o mundo, comer o mundo.

Minha vó era uma mulher amada e querida, eu a amo muito, mas como todos nós….um ser humano, com seus contornos.
Ela reprovava minha mãe pela sua criação comigo……que minha mãe era muito liberal.

Quando cortei o cabelão, passei meu batom vermelho e fui ver minha vó, notei que ela não gostou, mas para mim não disse nunca nada. Será que ela sabia que minha mãe, apesar de contar com meu amor e respeito nunca conseguiu se impor com relação à religião para mim? Sinto compaixão pela minha mãe, que tarefa árdua ser minha mãe e ainda me amar!


Não adiantava o que acontecesse, minhas sensações de realidade eram completamente diferentes, e eu sabia que queria ganhar mundo.
Ver com olhos que a terra há de comer a Índia e o rio Ganges, o Butão..o batuque da baixada em Salvador.

Decorei os Salmos para os domingos na Congregação e curioseava a Bíblia pois na escola éramos incentivados a ler um versículo da bíblia por dia, cantava no coral da igreja Adventista e atuava nas peças de teatro, ia a uma ou outra missa por curiosidade das liturgias e pelo cheiro delicioso de incenso e vela, atendia as festas do terreiro com minha amiga as sextas ou sábados quando dormia na casa dela e assistia fascinada a dança dos orixás ou os trabalhos de umbanda e candomblé, tomava passes kardecistas e as águas dinamizadas.

Sentia o fio que nos une a todos em uma só respiração por tudo : a vida.


E o impulso que nos dirige a buscar a conexão com nossas origens, não importa o nome da igreja ou como compreendemos a divindade.
É uma matriz benéfica dentro dos que a carregam ativada no DNA, essa busca, você não tem como escapar, a vida é a busca, o aprender, passar para frente o que sabemos e continuar a viagem.

Vi pessoas sendo arrastadas por alguma força invisível a olhos nus dos bancos da congregação, vi homens e mulheres recebendo o Espírito Santo e falando em línguas, hebraico, aramaico, línguas do mundo antigo, vi homens e mulheres sentarem separados, mulheres à esquerda cobrindo suas cabeças com um véu branco, homens à direita, sempre elegantes de terno e gravata , havia sempre música ao vivo e seguíamos minha avó materna.

Mulheres só vestiam saia e nunca cortavam o cabelo ou usavam maquiagem.


É vaidade a maquiagem- e vaidade é pecado.
Haviam testemunhos das graças recebidas e tudo que não fosse graça de Deus era provação.

Na igreja Adventista todos sentavam aonde queriam, havia música e pregação e sexta feira à escola acabava as quatro da tarde pois se iniciavam os guardamentos do sábado.
Havia recolta e os desbravadores, música ao vivo e canto.


Fazíamos rodas enormes no pátio da escola e cantávamos e dançávamos, adoro cantar. Os homens também vinham aos cultos de terno, e as mulheres de vestido, mas cortavam os cabelos e usavam maquiagem. Não era pecado para eles.

No Centro Espírita havia primeiro o silêncio, depois as vozes, as psicogafrias, depois os passes, a água dinamizada.
Gente de toda parte e toda religião , ali a tolerância para com qualquer origem e fé.
Mulheres de calça comprida, cabelo curto ou longo, homens de bermuda.


No Centro de Umbanda sempre reinava um clima de festa, todo mundo de branco, e com as roupas do seu santo a tiracolo, muita risada, muita comida, dança e música.

Me sentia como Teseu no labirinto, seguindo o fio da fé, da entrega, da conexão tão nítido conectando todas essas dimensões na minha terra – Brasil amado, e minhas sombras – meu Minotauro,
mas sabia que ainda seguiria pelos cantos desse mesmo labirinto até saciar minha curiosidade enorme de como é a grande obra vista de cima, o que prevalece desde a neutralidade….se é que isso existia? Algo sem escuro ou claro, chato ou divertido?

Pode ser que Deus não tenha nome ou nomes só sejam dados pelos homens?


Quando adentrei um curso de teatro amador com 14 anos estava no ápice de uma adolescência turbulenta e cheia de mística na escola técnica.

A diretora do grupo de Teatro era integrante do movimento Rosa-cruz e me iniciou nos mistérios da noite negra, dos egípcios e povos extraterrestres.
O meu Minotauro, minha sombra vivente, me devorando na minha confusão hormonal. Me sentia feliz em uma parte do meu ser que desconhecia, mas sabia querer muito mais dessa parte da meu eu. Como?

Ninguém nos ensina a relacionar, a SER.

Cresci visitando o Natal alheio pois na minha família não se comemorava isso, nem Páscoa, nem Quaresma, tudo pagão, tudo pecado.

Hoje sou mãe e sei que fazemos todos nosso melhor pelo nossos filhos, e hoje também entendo melhor a minha mãe, uma mãe jovem demais para conseguir apoiar- me até aonde eu precisava na época – ela mal parava em casa, trabalhando dois turnos como professora primária para sustentar-nos.

Do meu pai recebi o presente da vida, e a lição vivida do que acontece com alguém que se torna prisioneiro das suas próprias escolhas, álcool, drogas, mau caráter, assédio e loucura.
Sentia como nunca o fio do labirinto de Teseu que conectava tudo como UM, e foi durante as aulas de expressão corporal no curso de Teatro que passei pouco a pouco a encontrar algum espaço dentro de mim para sentir- me bem.

Estava confusa demais com tudo, com minha vida, com minhas opções sexuais, achava que odiava os homens, pois e se todos fossem uns cretinos como meu pai? Sentia ódio por ele.
E toda aquela orquestra de gente que estavam sempre tão preocupados em recordar-me do que é certo ou errado. Porque tudo, tem que ter um certo ou um errado? Sabia no meu interior que existiam mais que certos e errados.

Lembrava dentro de mim, lá no meu espírito que haviam outras nuances que não só brancos preto, mas da onde vinham tantas lembranças? Não eram daquele “agora”.
Mas não me identificava com nada nem ninguém.

Estava dançando à beira do precipício da insanidade, quando as aulas de expressão corporal no curso de Teatro se intensificaram e comecei a sentir algo de paz.
Eram Técnicas de Yoga para relaxação e meditação guiada, alguns alongamentos em conjunto com a respiração. Me sentia bem na minha pele, sem dor nas costas, e otimista.

Foi e é a relação mais duradoura da minha vida.
Primeiro comigo, pois me tenho para a vida toda, depois a

Yoga.
União.

A primeira visão, sensação da grande obra sem dogma.
Resolvi ver o que era aquilo…

E ainda não parei.

Só sei que nada sei.
Somos UM.

Lótus EU SOU
Noeli Naima.

Você acredita em destino?

Artigo Anterior

Receita de prosperidade: a melhor receita do universo!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.