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A ciência confirma: as crianças pequenas querem ajudar em casa, e devemos deixar

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Muitas vezes as crianças são vistas como incapazes, como se não dessem conta de auxiliar nas atividades domésticas ou na manutenção das áreas em comum.

A infância é um dos momentos em que os indivíduos estão formando suas personalidades, criando suas bases e se descobrindo como membros da sociedade. Todos nós já passamos por esses anos iniciais, descobrindo nossas áreas de interesse e como nos socializar.

Quantas vezes não nos sentimos apequenados durante a infância, como se fôssemos pessoas ínfimas e inúteis apenas por não ter a idade esperada? Podemos não repetir esse comportamento com nossos filhos, mostrando que eles são indivíduos também e que merecem tanto respeito quanto nós, sendo reconhecidos como membros importantes da comunidade.

Viver em harmonia dentro de casa não é complexo quando existe respeito mútuo, quando todos os membros são ouvidos e considerados como peças fundamentais no tecido social. Os afazeres domésticos, embora não sejam considerados trabalho em nossa estrutura mercadológica, são realizados majoritariamente por mulheres que, em grande parte das vezes, precisam se dividir entre o trabalho remunerado e a organização e administração da casa.

De acordo com o estudo Os afazeres domésticos contam, o trabalho do cuidado, que envolve a maternidade e o cuidado de pessoas idosas e com deficiência, também fica nas mãos das mulheres, e é um esforço que equivale a 11% do PIB brasileiro, caso fosse remunerado.

O levantamento Mulheres em Tempos de Pandemia, realizado pelo Laboratório Think Olga, mostra que o trabalho de cuidados não pago das mulheres no mundo equivaleria a 10,8 trilhões de dólares, representando uma economia 24 vezes maior que a do Vale do Silício (EUA).

A necessidade de um futuro que se comprometa de maneira equânime com o funcionamento e a manutenção da casa e da família é urgente, dessa maneira os impactos do trabalho não remunerado não recairiam apenas sobre as mulheres. É justamente daí que brota a necessidade de inserir as crianças no funcionamento da rotina de cada família.

A psicóloga Harriet Lange Rheingold analisou como crianças de 18, 24 e 30 meses se comportavam com seus pais ou responsáveis enquanto realizavam as atividades domésticas básicas, como limpar os móveis, varrer o chão, recolher a mesa e dobrar as roupas. Ela pediu que desenvolvessem os processos de maneira mais lenta, permitindo que os bebês os ajudassem se quisessem.

A instrução era de que eles não deveriam solicitar ajuda nem oferecer instruções, e isso fez com que a psicóloga descobrisse que todas as crianças ajudaram de maneira voluntária nas atividades domésticas, independentemente do sexo. A maioria dos pequenos ajudou em mais da metade dos trabalhos, enquanto outros chegaram a tomar a iniciativa de realizar outros sem que os pais os acompanhassem.

Considerado um estudo pioneiro, muitos outros pesquisadores partiram daí para continuar desvendando as cabeças pequeninas e até onde suas compreensões chegam. Uma pesquisa na Universidade de Harvard (EUA) mostra que a maioria das crianças da mesma faixa etária auxilia outros indivíduos quando percebem que eles estão com problemas ou precisando de algum tipo de ajuda.

A única coisa que os especialistas pedem é que os pais deixem seus filhos ajudarem em casa, e a recomendação é: quanto antes melhor! Mas não caia na tentação de premiar seus filhos, pois outros estudos comprovam que as recompensas causam um efeito contrário no cérebro das crianças, fazendo com que ajudem menos do que se fizessem de maneira genuína, sem esperar nada em troca.

Outro ponto importante a ser lembrado é de que, muitas vezes, as crianças vão nos ajudar da maneira como conseguem, que nem sempre é como queremos. Ficar dando instruções ou dizendo que estão erradas faz apenas com que se sintam desestimuladas, por isso, incentive-as sempre, enaltecendo cada pequena conquista.

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