ComportamentoMensagem de Reflexão

A difícil arte de ir fundo…

artedeamar

Sim, caro leitor. Não há nada mais difícil do que ir fundo. Tocamos a vida com a pontinha dos dedos, meio enojados e extasiados, olhando para os lados, para verificar se alguém está nos olhando. E se estiver,  imaginamos um pouco aflitos  o que  este alguém vai pensar e/ou dizer.



Sim, caro leitor. Não há nada mais difícil do que ir fundo na complexa arte de sermos a gente mesmo.  A maioria de nós passa a vida interpretando personagens. Alguns conscientemente. Outros sem se dar conta.

Sim, caro leitor. Não há nada mais difícil do que ir fundo. Agarrar uma carreira com um amor apaixonado, despudorado, capaz de fazer o coração dar cambalhotas dentro do peito. Agarrar um amor visceral que nos faça mergulhar nas estranhas entranhas de nossos próprios desejos. Que nos faça enxergar a nós mesmos como uma tela sem retoques debaixo de uma lâmpada fluorescente.

Quase sempre optamos por viver como alunos média 5. Nem bom nem ruim. Nem aprovado com louvor nem reprovado. Apenas aprovado de forma opaca e medíocre.  Por medo de cairmos no fracasso, optamos livremente pelo mediano que a meu ver é pior do que o fracasso.


O fracasso tem algum glamour.  Pode ser o efeito colateral de quem apostou alto demais e perdeu. Fracassos podem se relacionar com gestos mal calculados de coragem. O fracasso tem  ares grandiosos, típicos de uma tragédia ou ópera. Existe algum heroísmo, alguma vitalidade no fracasso. A mediocridade é o que é. Está condenada ao ostracismo. É o famoso e insípido café com leite. Não é excluído do grupo pois não ameaça ninguém. Só pode se obter o melhor quem se arrisca ao pior.

Talvez não exista tanta diferença entre vencer e perder já que não existem vitórias nem perdas absolutas.  Talvez não exista tanta diferença porque tanto quem vence como quem fracassa tentaram. Talvez a grande diferença resida mesmo entre lutar e desistir, agir e ceder, viver e se deixar levar,  fazer a hora e ver o bonde passar, amar ou simplesmente gostar para fugir da beira do abismo que é o amor.

Sim, caro leitor. Não há nada mais difícil do que ir fundo. Não há nada mais assustador e encantador. Não há nada mais intimidador e revelador.  Mais doloroso e redentor.

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Por Sílvia Marques

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