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A dor causada pela rejeição é igual à dor aguda no corpo, diz a neurociência

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Todas as pessoas que enfrentaram algum tipo de rejeição ou abandono na infância podem carregar traumas que atrapalham o desenvolvimento de certas áreas na vida adulta.

A forma como somos tratados na infância influencia diretamente em como nos comportamos na vida adulta. Se recebemos amor, compaixão e compreensão, criamos fortes traços de personalidade, adquirindo confiança, independência e autonomia. Mas, se ao invés disso, somos abandonados ou recebemos violência, isso pode marcar negativamente a forma como encaramos a vida. As marcas costumam ser profundas.

Se há algumas décadas não existiam estudos capazes de mensurar os impactos da violência na infância, hoje já temos um arsenal de pesquisas que revelam como isso pode transformar os indivíduos permanentemente. O neurocientista Matthew Lieberman, Ph.D. em Psicologia pela Universidade de Harvard (EUA), passou mais de duas décadas pesquisando as problemáticas do abandono no cérebro.

Em seu estudo, Lieberman buscou comprovar que o cérebro não consegue diferenciar dores físicas de dores psíquicas, pois ambas ocorrem na mesma intensidade, de maneira muito semelhante. A necessidade de nos relacionar com outras pessoas é real, e de acordo com o neurocientista, a ausência de afeto pode fazer com que nosso cérebro interprete a dor psíquica da rejeição como uma dor física.

O neurocientista explica que somos seres que precisamos de ligações socioafetivas, e que é justamente isso que nos dá a sensação de que a vida vale a pena ser vivida. Muitos estudos, de acordo com Lieberman, sugerem que a conexão social é essencial para a sobrevivência, e ser deixado de lado ou sofrer algum tipo de ruptura no grupo é processado pelo cérebro de maneira similar a algo que causa dor física, isso na maioria das espécies.

A dor física emite alertas ao cérebro de que existe algo errado com nossos corpos, e a dor social emite sinais similarmente potentes que nos alerta, sinalizando que existe alguma coisa errada com nossas conexões sociais com os demais, sendo tratado de maneira igualmente importante para a sobrevivência das nossas espécies.

O principal objetivo do neurocientista era conseguir compreender o porquê de a perda de alguém que amamos ser tão dolorosa, e se tornar próximo de outras pessoas deixa nossa alma mais tranquila. E é importante perceber que, mesmo em diferentes estágios da vida, o abandono é capaz de causar dores e até impactos físicos.

Um estudo analisando os efeitos do abandono para o desenvolvimento psicológico de bebês e a maternagem como fator de proteção, publicado em 2004, demonstrou que longas rupturas com pessoas significativas e a institucionalização prolongada agem como fatores de risco para o desenvolvimento saudável da criança. A necessidade de apego físico e emocional são fatores imprescindíveis para o bem-estar da criança, e a ausência de uma figura de referência pode impactar negativamente essas crianças.

Especialistas relacionam a rejeição na primeira infância com os inúmeros problemas de autoestima, vitimização e dependência emocional de que muitos indivíduos sofrem. Acreditando que não são dignos de receber amor, acabam rompendo relações na fase adulta simplesmente por não conseguir dar continuidade de maneira saudável às conexões.

De maneira mais profunda, o abandono pode causar depressão, ansiedade e outras questões mentais, que precisam do acompanhamento de especialistas. Psicólogos e psiquiatras conseguem lidar de maneira contundente com essas questões, auxiliando o paciente a encontrar novas formas de lidar com a sociedade e a socialização.

A forma como um indivíduo é tratado na infância marca de maneira definitiva sua personalidade, e acreditar que não merece receber amor ou até mesmo não saber como amar alguém está entre um dos principais problemas. Mas é importante lembrar que, em alguns casos, essa solidão pode vir acompanhada de agressividade, por isso é extremamente importante conseguir ajuda o quanto antes.

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