5min. de leitura

A dor do outro não é drama. Mais respeito, por favor!

É preciso muita maturidade e empatia para entender que a queixa do outro, pode não fazer sentido para você, mas, para ele é real.

Você já viveu a experiência de compartilhar um problema e sentir que o ouvinte menosprezou o seu incômodo? Já percebi e já senti na pele, nos mais variados contextos. Já me ocorreu de me queixar de um parceiro abusivo e ouvir da colega “você está chorando de barriga cheia, porque ele, pelo menos, não tem vícios”. Ali eu me deparei com realidade dela que sofria, entre outros abusos, inclusive, violência física. Então, na percepção dela, a minha queixa era pequena, café pequeno perto da situação dela.


Situações semelhantes acontecem, quando você esboça alguma insatisfação envolvendo o lugar onde mora, o seu trabalho, o seu salário, etc. Dependendo da realidade de seu interlocutor, ou da falta de empatia dele, você será visto como um ingrato, um fútil, dramático ou algo do gênero. Isso, porque, ele vai avaliar a sua queixa tendo como parâmetro a visão de mundo e a realidade dele. Logo, para uma mulher que apanha do companheiro, aquela que sofre agressões verbais será percebida como dramática, visto que, na escala dos abusos, ela considera que os xingamentos são irrelevantes se comparados às agressões físicas.

Não raro, as pessoas que possuem um padrão de vida confortável, são taxadas de frescas e manipuladoras quando diagnosticadas com depressão. É como se fosse inadmissível essas pessoas adoecerem emocionalmente.

Seguramente, muitos julgam da seguinte forma: “Se eu tivesse aquele padrão de vida, eu nunca seria triste ou deprimido”. Acontece que a coisa não funciona assim, a subjetividade de cada pessoa é única, portanto, a forma com que ela é afetada pelas situações, também.


O que para um é luxo, para o outro é lixo e vice-versa. É preciso muita maturidade e empatia para entender que a queixa do outro, pode não fazer sentido para você, mas, para ele é real. Outra coisa: cada um tem o seu ponto fraco, o seu sagrado. Existem pessoas, por exemplo que toleram tudo num relacionamento, menos uma traição. Isso, para ela, é inegociável. A fidelidade é sagrado para ela e não se discute. Enquanto isso, para outras pessoas, a traição é algo relativo, dá para relevar, perdoar e tocar o barco junto com o parceiro.

Ocorre que quem tolera uma infidelidade não pode esperar que todas as demais pessoas tenham essa tolerância também. O que para você é uma bobagem, para o outro é um espinho na carne. Há um ditado popular que diz “o costume do cachimbo é que entorta a boca”, então, conheço um homem que era acostumado a tratar mal as suas parceiras amorosas, a estupidez era a sua marca registrada, daí, um dia, encontrou uma parceira que, no primeiro episódio de grosseria, deu-lhe as contas. Ele se queixou comigo, sentindo-se injustiçado, pois ele não via motivos que justificassem aquela reação da moça. Eu lhe respondi: Fulano, o problema é que você estava mal acostumado, você acreditava que todas as mulheres tolerariam os seus abusos, acontece que essa última tem algo chamado amor-próprio e já cortou logo o mal pela raiz, essa mulher não é pra você.

Então, a regra é entender que cada um sente e percebe as experiências norteado pela própria visão de mundo, cabe a cada um de nós entender que não somos baliza para as escolhas do outro. O fato de algo não doer em nós não significa que não doa no outro.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo:  123rf / sasamihajlovic





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.