ColunistasO SegredoReflexão

A espera: um dia, sempre acaba…

esperaacaba

E Maria sempre achava que o que tinha que acontecer, sempre acontecia só com ela. Tinha esse dom e essa queda por ser sempre a vítima que a vida escolheu.



Esquecia de lembrar que todos tem problemas, que a vida é muito mais complexa do que se podia imaginar.

Então um dia, ele chegou colocando um fim em tudo. Não dava mais, ele queria viver sua própria vida e Maria o sufocava com seu jeito amiga, irmã, mãe e filha. Ele já não aguentava mais seus lamentos, precisou partir pra não acabar o que ainda restava de bonito dessa história.

Foi embora. Maria se desfez. Chorou. Brigou. Esperneou. Quis morrer. Não comia, não dormia, não pensava, aliás, só pensava em onde ela podia ter errado, seu nariz um pouquinho torto, seus inglês que estava péssimo, sua faculdade trancada, o emprego que a deixava triste e insatisfeita, onde estavam os erros que fizeram ele não querer mais?


Então Maria decidiu que precisava melhorar. Precisava crescer, ficar bonita, alegre, bem sucedida.

Voltou pra faculdade e pro inglês. Esperou ele ligar. Foi fazer ballet e especialização em artes, esperando ele ligar. Mudou de país e conheceu pessoas de todos os tipos e jeitos e trejeitos, esperando ele ligar ou um e-mail que fosse, e nada!

Comprou seu apartamento, é fluente no inglês, italiano e espanhol, dança ballet e é uma artista, fez tudo que sempre quis, esperando ele ligar. Mas ele nunca mais apareceu.

Pensando que fazia por ele, Maria se tornou exatamente o que ela queria ser, e percebeu que a razão da sua felicidade estava bem longe de ter alguém vivendo ao seu lado. Ela entendeu o que muita gente não consegue entender: a melhor companhia que se tem é você mesmo, e quando responsabilizamos o outro pela felicidade própria, perde-se grandes oportunidades na vida, por que, desculpe o clichê, a felicidade não está em nenhum outro lugar que não seja nesse cantinho escondido entre a alma e o coração.


E no fim das contas ele não ligou, não apareceu e não fez diferença, ela só entendeu que, quando você se torna melhor pra você mesma, o outro passar a ser um detalhe e não o ar que você respira e que aquela história de cuidar do seu jardim funciona sim!

Hoje ela tem certeza absoluta que essa espera valeu a pena, como cada pedacinho da sua história, afinal: quem seria Maria se não fossem suas esperas, suas vitórias, histórias e amores forasteiros? Quem seria Maria se Maria não fosse?

Charles bukowski; sinta mais, pense menos”.

Artigo Anterior

Quando desistir não está no roteiro…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.