A falta de amor faz estragos irreversíveis!



Há uma tragédia estrondosa nas ruas, mas também há uma tragédia silenciosa em nossas casas.

A juventude de hoje se encontra, emocionalmente, doente (não numa totalidade, mas em uma grande parcela crescente e não notada). É triste e inquietante essa realidade que a cada dia, apresenta mais jovens deprimidos, ansiosos e propensos a pensamentos de autodepreciação. É difícil falar abertamente, mas a juventude está perdendo a sanidade mental, muitas vezes pela pressão que sofrem dentro do próprio círculo familiar e social.

A pressão social para que o jovem atinja níveis altíssimos de perfeição aumentou significativamente nos últimos anos, dentro e fora de casa e a vontade de se destacar, para poder superar essa cobrança, por muitas vezes se torna maior do que a vontade de ser, simplesmente, ele mesmo.

A sociedade padroniza e cria idealizações de pessoas perfeitas a serem seguidas, que na maioria das vezes é algo inatingível para a maioria das pessoas. As adolescentes, cada vez mais precoces, creem que a estética é fundamental para o alcance da felicidade. Meninos, cada vez mais cedo, são instigados a comprovar força, coragem e masculinidade.

Se a juventude de hoje está doente, a sociedade atual é a mais insana de todos os tempos. O constante uso dos meios virtuais leva pessoas ao vício de buscar ser aquilo que veem lá.

E não são apenas os jovens que estão viciados nestas exigências absurdas do mundo virtual. Os pais, igualmente, estão. E nessa concorrência de tempo, nesse bilhão de coisas a fazer, nunca estão presentes, nem para ajudar, nem para cobrar, muito menos para amar.

Pais que acham que resolvem tudo ao dar presentes e pagar escolas caras. Pais que acham que um telefone bom e internet em casa já são suficientes. O excesso de liberdade que os damos, mais os prende que os soltam. E nossos jovens seguem sem rumo, engaiolados e quase órfãos de famílias vivas. Por não terem quem abraçar em casa, o jovem se sente dependente dos elogios e afetos de outros através das redes e círculos sociais externos, pois não têm em casa o fundamental elogio e carinho vindo do seu pai ou de sua mãe.

É difícil saber se o adolescente que sorri, realmente está feliz. É difícil saber se quem chora realmente sente é dor. Muitas vezes é algo bem maior, bem mais pesado: solidão, tristeza, abandono, bullyng, depressão.

E buscam remédios para a dor e para alma em coisas e lugares que lhe são apresentados por esse mundo sem regras. Os milhares de prints de vida irreal que eles seguem lhes empurram garganta abaixo e neles se anestesiam e se mutilam para se encaixarem em algo ou grupo que os aceite. Jovens precisam ser olhados, bajulados, queridos, aceitos, amados.

A palavra “ACEITAÇÃO” grita nos ouvidos da juventude. Buscam ser perfeitos para agradar dentro e fora de casa. Buscam um “perfeccionismo” impossível de existir.

Esse perfeccionismo é um desejo imaginário de perfeição combinado com um elevadíssimo nível de autocrítica e baixa autoestima. Ao não se encaixarem nesse perfil ficam dominados por um tipo de submissão social e exclusão. Tornam-se frágeis e quebradiços. Uma imagem refletida, amarga e feia num espelho sangrento e quebrado.

Uma saúde mental debilitada somada à submissão social e autoestima fragilizada formam o gatilho principal que dispara terríveis eventos, como os massacres de Realengo e Suzano.

Uma mente fragilizada por falta de amor social e fraternal, bombardeada com estímulos de violência externa e falta de aceitação entra em “parafuso” e embarca em um mundo surreal, paralelo e perigoso, em que o maior atingido acaba sempre sendo o próprio doente.



Antes de se tornar um assassino, ele era um doente. Não adianta se cobrar por segurança nesses casos totalmente imprevisíveis. A questão é bem anterior ao problema de segurança pública. Não precisamos saber a origem da arma depois do fato consumado. Precisamos saber a origem da violência na alma dos jovens. Tratar da enfermidade psicológica e prevenir o suicídio é prevenir esse tipo de tragédia. Esses massacres sempre são seguidos da morte do agressor. Apesar de serem mais chocantes e extremos, são poucos os casos de suicidas que decidem assassinar outras pessoas antes de sua morte, pois na grande maioria das vezes, somente o autoextermínio é o ponto final e, infelizmente, sem alarde.

Há uma tragédia estrondosa nas ruas, mas também há uma tragédia silenciosa em nossas casas.

A vida é o bem mais precioso. Deixar que algo dessa natureza aconteça é uma falha conjunta de pais e sociedade.

Não existem “regras” de como criar filhos. Não existe um preço a se pagar por um filho. Não existe felicidade a se comprar para um filho. Não existe amor que possa ser comprado ou vendido.

Não existe “terceirização” da educação de um filho. Escola é para ensinar, família para educar, sociedade para formar cidadão.

Esse conjunto de coisas essenciais é extremamente necessário para termos um jovem saudável mentalmente e com uma autoestima que o possibilite ser aceito e ser feliz do jeito que ele é.

Mas o fundamental continua sendo dentro da família: a dedicação, a atenção, o exemplo, o afeto, o sorriso, juntos, o abraço fraternal, o olho no olho, a cumplicidade, a amizade e o maior de todos, o amor entre pais e filhos.

Previna a saúde mental do jovem que você tem em casa: ame-o e demonstre isso sempre que possível.

Mesmo que ele não goste ou não retribua, esforce-se para isso. A falta de amor, ou a falta de demonstrá-lo, faz estragos e traz danos irreversíveis.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / Prometeus.

 






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