Reflexão

A flecha envenenada: a história que nos mostra o maior erro que cometemos na vida

a flecha vermelha

A parábola da flecha envenenada é um kōan, um tipo de poema aparentemente ilógico ou banal, que só pode ser resolvido quando nos separamos das palavras e do pensamento racional. Esse tipo de poema é muito usado pelos mestres zen, como uma maneira de desenvolver a compreensão intuitiva, que exige um aumento no nível de consciência.



Essa parábola faz parte do do Majjhima Nikaya, uma coleção de textos atribuídos ao Buda encontrados no Cânone.

A parábola da flecha envenenada

A história conta que Buda contou essa parábola a um de seus discípulos que estava impaciente:


“Certa vez, um homem foi ferido por uma flecha envenenada.

Sua família e amigos queriam chamar um médico, mas ele recusou, alegando que antes queria saber o nome do homem que o feriu, a casta a qual ele pertencia e seu lugar de origem. Também perguntava se aquele homem era alto e forte, e se sua pele era clara ou escura.

Além disso, queria saber que tipo de arco ele atirou e se a corda do arco era feita de cânhamo, bambu ou seda. Ele disse que não deixaria o médico vê-lo até que saber se a pluma da flecha tinha vindo de um falcão, um abutre ou um pavão.

Com todas essas perguntas que não puderam ser respondidas a tempo, o homem morreu sem saber as respostas “.


Quando lemos esta parábola, fica claro para nós que o comportamento do homem foi irresponsável e tolo, porque ao invés de se preocupar em salvar a sua própria vida, ele estava mais interessado em saber que pessoa o feriu. Reprovamos o comportamento do homem, mas Buda nos ensina que todos nós por vezes nos comportamos dessa mesma maneira, mesmo sem estarmos cientes.

Muitas vezes, preferimos nos concentrar em coisas fúteis do que priorizar aquilo que realmente importa. Dessa forma, ficamos presos no mesmo padrão negativo de vida e manifestando os mesmos problemas repetidas vezes.

De fato, passamos a maioria de nosso tempo pensando em coisas que nos aconteceram ou podem acontecer, e nos esquecemos do presente, que é o que realmente importa. Essa falta de foco em nossas mentes cria dramas desnecessários e infelicidades.

Para evitarmos o desperdício de nosso tempo de vida, precisamos aprender a viver no presente, deixando para trás todos os apegos ao passado. Nesse sentido, a gratidão pode ser uma grande aliada, ajudando-nos a nos manter mais ancorados em nosso momento atual.


Quando for atingido por uma flecha envenenada, tenha sabedoria suficiente para focar naquilo que realmente importa, em sua cura, e deixa para lá as pessoas que o feriram, o tempo lhes dará os frutos de seus plantios.

Estou seguindo firme. O que tiver que vir, que venha. Eu tenho um propósito

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