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A formação da personalidade através do brincar

A trajetória de um indivíduo adulto dar-se-á por suas escolhas. Porém, seu caráter terá primordial formação em seus primeiros anos de vida em que ele simplesmente brinca.

Sim. Eu falei em brincar.  Pouca é a importância que se dá para as brincadeiras e isso já ocorre há muitos anos, e também está presente atualmente tal comportamento.


Devido o advento tecnológico (e não sou contra ele), pode-se dizer que tivemos, sim, um avanço nos campos de comunicação, mas perdemos um pouco do equilíbrio de uso desse mecanismo o que torna óbvia a constatação que nos distanciamos uns dos outros, sendo dominados por aplicativos, etc.

Com isso, as crianças também perdem o tato, o interesse em brincadeiras tão simples e divertidas e lúdicas de caráter importante para aprendizagem que lhe auxiliarão a entender e se relacionar com o meio em que vivem.  Tais brincadeiras são esquecidas e substituídas pela TV a cabo ou aparelhos que cada vez mais se superam em novos lançamentos.

Já paramos para pensar que a cada lançamento de qualquer coisa que seja envolvendo tecnologia, e que o mesmo simboliza avanço para que o ser humano obtenha mais praticidade em seu dia a dia, contudo essa praticidade nos afeta de maneira a nos descuidar das coisas simples?


E dessa simplicidade, as brincadeiras que podem influenciar e potencializar uma educação inclusiva, ensinando regras e valores como respeito e convívio, é diluída em smartphones que substituem momentos que poderiam ser saudavelmente cruciais para os nossos pequenos.

Segundo o psicólogo e psicopedagogo russo Alexis Leontiev, o brincar despertará na criança a compreensão sobre si mesma e sobre o meio em que vive porque o lúdico promove tal percepção.

É possível refletir a partir dessa teoria que o brincar com o teor lúdico ajuda a preparar a criança para transições inevitáveis durante seu desenvolvimento.


Fala-se muito em nova geração, mas essa nova geração é preparada para assumir um papel que requer maturidade? Pais e educadores devem pensar em educação e brincadeiras com o intuito de se alcançar positivos resultados para criança. E as brincadeiras podem e devem ajudar nesse processo.

Crianças cada vez mais enxergam e entendem o mundo dentro das salas de casa e desconhecendo e nem ouvindo falar em brincadeiras de bola, de skate, de bolinha de gude, de pipa, de amarelinha, galinha-choca, de pique-esconde, vivo ou morto, etc.  Muitos poderão falar: “Mas está tudo violento.

Não mais segurança em lugar nenhum e não vou deixar meu filho ou minha filha brincar na rua.   Quem disse que as brincadeiras podem somente ser na rua? Brincar é envolvimento e movimento e, cabe apenas que se queira mostrar à criança o intuito da brincadeira para que a mesma possa aprender de maneira divertida e prazerosa.

Brincar é direito da criança e ser toda a diferença na vida dela dependerá de seus responsáveis.   Eu quero frisar mais uma vez como nos parênteses anteriores que não sou contra a tecnologia nem o uso dela, já que também sou sua usuária, não é verdade?  Entretanto, a minha crítica se dá em torno do nítido desequilíbrio que transcorre de maneira nociva em nossas vidas, principalmente na vida da criança que com o saudável brincar poderá nutrir, em seus primeiros anos de vida, o entendimento de como se relacionar e qual é seu papel a partir de então.

Infelizmente, a brincadeira é vista cada vez mais como banal e essa ideia equivocada só afasta a criança do processo de desenvolvimento educacional que contempla o autoconhecimento, a disciplina e a organização e conceituam sobre o respeito às regras e diferenças.

Não abdique das brincadeiras na vida de seu filho. Estimule-o a correr e descobrir, a pensar, a conhecer e a observar o mundo com olhos naturais, ou seja, com olhos que priorizam relacionamentos verdadeiros entre ele, as pessoas e a natureza. A personalidade é construída a partir do que nos é ensinado e apresentado.

Quais são os valores que você passa para seu filho para que o mesmo se torne um adulto sadio, seguro com suas escolhas e responsabilidades?

As crianças de outrora tinham “machucados de rua” como joelho ralado, o dedão do pé machucado, arranhões na coxa… hoje, as crianças apresentam tensão, impulsividade, impaciência e depressão. Já se perguntou quanto tempo seu filho ou filha ficou navegando pela internet?

Reflita sobre isso. Ou se não for suficiente, simplesmente tente se ver no seu filho e veja se ele o remete à sua infância.

Deixem as crianças brincarem. Ensinem as crianças a serem crianças e não prisioneiras dos artifícios de seu tempo.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: halfpoint / 123RF Imagens





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