publicidade

A gata e o sábio, um conto árabe que nos ensina a não julgar deliberadamente

Muitas vezes, nós nos apressamos em julgar as pessoas por suas atitudes sem nem mesmo entender o que está por trás delas. Esse é um hábito tóxico que nos afasta da empatia e do altruísmo, qualidades essenciais para a construção de vidas e relacionamentos saudáveis.



São muitos os motivos que levam as pessoas a se comportar de determinadas maneiras e não cabe a nós julgar, apenas respeitar e tentar entender. Quando tomamos atitudes precipitadas baseadas apenas em nossa opinião, e não na realidade, podemos ser surpreendidos com a realidade, o que nos leva a sentir culpa e arrependimento.

Este sábio conto árabe nos ensina que julgar sem saber o que está por trás é uma atitude precipitada.

Havia um sábio muito rico na aldeia Bechmezzinn, situada no norte do Líbano. Esse homem dedicava muito do seu tempo ao estudo e ao tratamento dos doentes que o procuravam. Como tinha boas condições financeiras, cuidava com muita qualidade detodos aqueles que pediam por sua ajuda.

Ela era muito justo e honesto, portanto todos os atos de injustiça o incomodavam profundamente, causando-lhe revolta. O sábio era muito consultado por pessoas que tinham brigas como parentes, amigos ou vizinhos, e dava conselhos práticos, muitas vezes servindo como mediador entre ambas as partes.


O sábio tinha uma gata que gostava muito e a qual se dedicava particularmente. Todos os dias, depois do jantar, ela miava para chamar o dono. Ele então a acariciava e levava para o jardim, onde ficavam juntos até ao pôr do sol. Ela era a sua única confidente, diziam os criados.

Por algumas vezes, a gata dirigia-se à cozinha, e era bem recebida por todos que lá trabalhavam. O cozinheiro não escondia nem a carne nem o peixe, porque ela nada roubava, fosse cru ou cozido, contentando-se com o que lhe davam.

No entanto, uma tarde, depois do passeio diário, ela acabou por roubar um pedaço de carne de uma panela. O cozinheiro então a castigou, puxando suas orelhas com força. Ela, sentindo-se ameaçada, fugiu durante toda a noite.


Na manhã seguinte, o sábio não a encontrou e perguntou por ela para seus funcionários. O cozinheiro, então, contou-lhe o que aconteceu. O sábio saiu para o jardim e durante muito tempo chamou a gata, que acabou por aparecer.

— Por que roubou a carne? — perguntou o sábio. — O cozinheiro não te dá comida?

A gata, que deu cria sem que ninguém soubesse, afastou-se sem responder e voltou seguida de três lindos gatinhos. Depois, fugiu, pulando na figueira do jardim. O sábio pegou os três gatinhos e entregou-os ao cozinheiro que, ao vê-los, mostrou uma grande admiração.

— A gata não roubou comida para si mesma — disse o sábio. — O seu gesto foi ditado pela necessidade. Portanto, não deve ser condenada. Para alimentar os filhos, qualquer ser, mesmo um mais frágil do que o mosquito, roubaria um pedaço de carne nas barbas de um leão. A gata limitou-se a seguir o que lhe ditava o seu amor maternal. A conduta dela nada tem de repreensível. O pobre animal está a sofrer por tê-la castigado injustamente. Fugiu para a figueira porque está zangada contigo. Deves ir lá pedir-lhe desculpa, para que se acalme e tudo volte ao normal.

O cozinheiro concordou em se desculpar. Tirou o turbante, dirigiu-se à figueira e pediu perdão ao animal. Mas a gata virou a cabeça. O sábio teve de intervir. Conversou longamente com ela e lá conseguiu convencê-la a descer da árvore.

A gata desceu lentamente da figueira, miou ao roçar-se nas pernas do sábio e foi para junto dos seus três filhotes.

Moral da história:  Assim como o cozinheiro, muitas vezes julgamos as atitudes das pessoas em nossas vidas sem compreender o contexto por trás, e isso pode nos levar a grandes erros. Precisamos trabalhar em nós mesmos para aprender a ter empatia pelas pessoas e ouvi-las antes de assumirmos qualquer ideia sobre seus comportamentos.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: shootdiem / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.