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A grande beleza de envelhecer é aprender a simplificar a vida

A grande beleza de envelhecer é deixar para trás pesos que não são nossos. 


Envelhecer assusta. Talvez seja a pior dificuldade que a maioria das pessoas enfrenta. Como tudo na vida, podemos envelhecer bem ou mal. Com doçura e sabedoria, ou esperneando e sofrendo. Com alegria ou dor, o envelhecimento vai acontecer, e quem começa a trabalhar esta ideia mais cedo mais chances terá de viver uma velhice saudável nos sentidos físico e emocional.

A grande beleza de envelhecer é aprender a simplificar a vida. Deixar para trás pesos que não são nossos. Falar com menos medo do julgamento. Ouvir com mais interesse. Ter menos pressa, pois o tempo tem o seu tempo.

Ninguém se torna idoso num dia qualquer. Ninguém dorme com carinha de 30 anos e desperta com carinha de 70. O envelhecer é um processo lento e, se formos comparar alguém de 25 com uma criança de dez anos, a pessoa de 25 não é tão jovem.


Quem tem a oportunidade de conviver com pessoas que passaram dos 90 anos passa a enxergar alguém de 80 como relativamente jovem.

Sem falar que o envelhecer não é apenas definido por nossa idade objetiva, mas por todas as condições físicas e emocionais que englobam o nosso ser. Pessoas com 60 podem estar mais envelhecidas do que outras com 75, dependendo da maneira de viver.

E quando uso o termo “maneira de viver”, não me refiro apenas à alimentação e a exercícios físicos. Eu me refiro a tudo que envolve o cotidiano da pessoa, como exemplo, círculo de amizades, tempo reservado para o lazer, vida amorosa e sexual, finanças equilibradas, investimento nos próprios sonhos. Muitas pessoas, depois de uma vida inteira de trabalho duro, quando envelhecem, passam a cuidar dos netos em tempo praticamente integral, sem ter a oportunidade de viajar, passear, fazer cursos.

Se a pessoa se realiza e se sente feliz cuidando dos netos de domingo a domingo, sem problemas. É uma escolha. Porém, se não for uma escolha e sim uma imposição das circunstâncias, o envelhecer perde a sua qualidade.


Não existe receita fechada para uma velhice feliz. Porém, parece-me que a autonomia para administrar o tempo e o dinheiro é fator fundamental para uma boa velhice.

Outro fator bem importante é a liberdade para fazer escolhas que não foram possíveis na juventude.

Quantas pessoas não descobrem o amor após anos e anos num casamento conveniente e chato? Quantas pessoas não passam a se expressar mais e a se dedicar à atividades de que gostam, pois já não dependem tanto do dinheiro ou conquistam mais tempo para curtir os amigos? E aprendem a viver com menos tabus?





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