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A minha limitação precisa da sua habilidade. Essa troca é linda!

Somos mestres em comparar as nossas limitações com as habilidades do outro. Essa crueldade é um massacre para a nossa autoestima. Somos os nossos piores carrascos. 

Sempre temos um discurso motivador para quem nos procura expondo as suas fragilidades, mas não temos esse mesmo zelo com as nossas.


Comparamos aquilo que temos de mais vulnerável com a maior habilidade do outro, mas menosprezamos, por completo, as habilidades que temos e que nos destacam dos demais. É como se nos resumíssemos àquilo que não conseguimos realizar com maestria. Olhamos com lentes de aumento os nossos pontos fracos e com olhar míope para as nossas habilidades.

Talvez nos falte humildade suficiente para aceitarmos que nunca seremos bons em tudo. Quem sabe, tenhamos que admitir a importância das nossas vulnerabilidades, pois são elas que nos tornam dependentes do outro, funcionando, como um lembrete acerca da nossa frágil condição humana.

A nossa vaidade e o nosso ego têm muita dificuldade em aceitar que nem sempre seremos o espetáculo. Quem é muito apegado aos holofotes sente-se profundamente desconfortável na condição de espectador  do espetáculo alheio.


É frustração garantida alimentar a expectativa do reconhecimento constante. Haverá momento em que seremos aplaudidos, como haverá momentos em que estaremos invisíveis, é a vida.

Precisamos de maturidade para enxergar no outro aquela habilidade que não temos, sem que isso nos cause frustração ou até mesmo a maldita inveja.

Precisamos de vigilância para não usarmos as nossas habilidades para constranger quem não as possui.


Já pensou se fôssemos perfeitos em tudo? Seria como dar asas às cobras.

O bacana é essa possibilidade de troca: eu tenho um dom, você tem outro, isso nos aproxima; é uma mão se estendendo à outra buscando o que não tem e ofertando o que possui.


Direitos autorais da imagem de capa: Andrik Langfield – Unsplash





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