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A pele não sofre de alzheimer, ela sempre se lembra de uma carícia ou uma cicatriz

a pele não sofre

Alzheimer é uma condição de saúde muito difícil de lidar, porque aos poucos vai nos tomando partes muito preciosas de nós mesmos, que nos fazem ser quem nós somos: memórias de momentos vividos, pessoas que amamos e até mesmo nosso senso de identidade.



No entanto, existe uma crença falsa sobre essa doença que é muito disseminada. Muitas pessoas acreditam que aqueles sofrem de Alzheimer ou algum outro tipo de demência têm o seu próprio mundo interno, que é irreal e difícil de ser alcançado, e que eles tendem a se desconectar do nosso mundo real para estarem presentes em suas próprias criações. Isso não é verdade e ao acreditarmos e propagarmos essa informação, contribuímos para que todas as pessoas que convivem com essas doenças percam seu valor perante a sociedade.

Precisamos desenvolver uma postura mais humana e respeitosa em relação a essas pessoas, colocando-nos em seu lugar e compreendendo o quão difícil deve ser ter que recomeçar nossas vidas todos os dias, reaprendendo coisas essenciais sobre nós mesmos e sobre o mundo, além de depender daqueles que estão ao nosso redor para praticamente tudo. Se, ainda que por um pequeno momento, enxergássemos a vida por seus olhos, nós nos tornaríamos mais sensíveis à sua condição.

O método de validação: uma terapia centrada na pessoa


De uns tempos para cá, principalmente na última década, surgiram modelos terapêuticos voltados para a conscientização das pessoas que convivem com pacientes da doença de Alzheimer, mostrando o quanto é importante que cumpram o seu papel na vida de seus amados, mostrando sempre uma atitude motivada, positiva e receptiva.

Sabemos que aqueles que sofrem de algum tipo de demência terão mudanças em seu comportamento, muitas não tão simples de lidar, mas devemos procurar enxergar a situação amplamente, tendo empatia e respeito pela outra pessoa, mesmo em meio ao nosso cansaço.

Para os profissionais que defendem esses modelos, o principal é preservar a dignidade de todas as pessoas que sofrem dessas condições de saúde. Nesse sentido, é fundamental manter uma atitude empática para adentrar melhor no mundo do paciente e oferecer segurança e força, para que a pessoa se sinta “validada” e tenha a confiança para se expressar novamente, pois quando nos sentimos confortáveis em sermos quem realmente somos, podemos recuperar nossa dignidade.

Quando fazemos nossa parte para que a outra pessoa se sinta validada, estamos reconhecendo que ela possui sentimentos, pensamentos, sonhos e objetivos, e que tem o direito de mostrá-los. Entretanto, quando negamos a ela esse direito, também negamos a existência e valor de sua identidade, o que causa sérias consequências em todas as áreas de sua vida.



Princípios básicos do método de validação

Esses são os princípios básicos do método de validação são:


  • Aceite a pessoa sem julgar (Carl Rogers)
    • Trate a pessoa como um indivíduo único (Abraham Maslow)
    • Os sentimentos expressos pela primeira vez e depois reconhecidos e validados por um interlocutor confiável perderão intensidade. Quando ignorados ou negados, os sentimentos se tornam mais fortes. “Um gato ignorado se transforma em tigre” ( Carl Jung )
    • Todos os seres humanos são preciosos, independentemente do estado de desorientação em que se encontram (Naomi Feil)

    • Quando a memória recente falha, recupere o equilíbrio restaurando memórias antigas. Quando a visão falhar, vamos usar o olho do espírito para poder ver. Quando a audição vai embora, vamos ouvir os sons do passado (Wiler Penfield)

As pessoas com Alzheimer ou outra demência precisam se reconectar com o mundo


Essas pessoas podem se tornar cada vez mais distantes da realidade do mundo por conta de sua doença, mas as coisas não precisa ser assim. Nós, que estamos em volta, podemos fazer a nossa parte para que elas continuem sendo uma parte viva do mundo, participando dele e criando momentos especiais em suas vidas.

Uma animação da Disney, chamada “Viva – A vida é uma festa”, é um grande exemplo de como podemos manter viva a conexão com as pessoas que sofrem de Alzheimer, como podemos nos manter presentes através do contato físico e emocional.

Essas pessoas, com o tempo, perdem sua capacidade de se expressar verbalmente, mas isso não significa que seu mundo interior perece, elas precisam continuar se expressando, se mostrando ao mundo de alguma maneira.

Tomaino disse sabiamente: “É sempre surpreendente ver uma pessoa que está completamente fora de contato com o presente por causa de uma doença como a de Alzheimer, voltar à vida quando ouve uma música familiar. A resposta da pessoa pode variar de uma mudança de posição a um movimento saltitante: do som à resposta verbal.


Normalmente, há uma resposta, uma interação.

Muitas vezes, essas respostas aparentemente delirantes podem dizer muito sobre a preservação de uma pessoa e como as histórias pessoais ainda podem estar perfeitamente presentes na memória.”

As pessoas que sofrem de Alzheimer não se tornam inexistentes em nosso mundo. Elas estão, sim, presentes, e merecem todas as oportunidades de viver com plenitude e criar memórias e lembranças para si mesmas.

Nunca se esqueça: nem a pele e nem o coração sofrem de Alzheimer, e cabe também a nós cultivar a vida nessas pessoas que amamos.



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