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A pessoa certa…

A pessoa certa....

A perfeição humana não existe. Talvez, se existisse, fosse algo tão estranho que, por tanta estranheza, não seria a perfeição.



Quando o assunto é relacionamento, usa-se muito o clichê de que devemos procurar a pessoa certa. E, sinceramente, apesar de ser um dito antigo e surrado que pode até estar fora de moda, trata-se da mais pura verdade.

Mas, o que seria mesmo essa tal pessoa certa? Ela existiria ou teria que ser forjada ao nosso formato?

Parece um conceito muito complexo, mas se analisarmos, racionalmente, perceberemos que nem tanto, pois a pessoa certa é aquela com quem identificamos o maior número de afinidades, aquela que se mostrar mais compatível, cujo encaixe pode até não ser exato e perfeito, mas é o mais próximo disso.


Ocorre, que na ânsia de achar a “alma gêmea”, enchemo-nos de expectativas e carências, turvando nossa percepção da realidade, distorcendo as verdadeiras formas sob a luz de nossos anseios afoitos pela concretização de tal encontro.

É natural que no decorrer da vida, possamos nos apaixonar mais que uma vez, e quando por uma ou outra razão, aquela história chega ao fim, dizemos simplesmente que não deu certo.

Mas se pensarmos bem, veremos que são muitos os relacionamentos que perduram, ainda que não estejam dando certo. Os envolvidos não se sentem felizes, na maior parte do tempo, mas ainda assim insistem porque há algo que os une, mesmo que estejam cientes de que aquele companheiro nunca passará de ser a pessoa errada.

O companheiro perfeito jamais existirá, visto que ser humano nenhum o é, porém, a pessoa certa é uma descoberta possível, contudo, de difícil identificação, em razão da ansiedade que nos prejudica.


Em um primeiro momento, raramente conseguimos identificar afinidades ou a falta delas, falhamos quando concluímos prematuramente sobre esta identificação que com o passar do tempo vai, naturalmente, se revelando.

Se percebermos poucas afinidades, de modo algum esta será a pessoa certa.

Contudo, nós, os seres humanos tão cheios de nós, por considerarmos que somos a maior e mais perfeita de todas as criaturas, na grande maioria das vezes, não temos habilidades suficientes   quando se trata de lidar com as emoções.  E somos péssimos no uso da razão, falando mais alto em nós, nossas necessidades, momento em que sucumbimos às carências.

Este é o ponto em que as coisas se complicam, pois, ao sermos levados pelas emoções, paixão, encantamento, atração física, enfraquecemos a razão, ignoramos as compatibilidades, deixando-as relegadas a segundo plano a falta delas, mesmo após as ter reconhecido.


As compatibilidades mais importantes nunca aparecem de cara, nos primeiros tempos, assim como a ausência delas. E é quando a coisa começa a não dar certo, é quando, finalmente, percebemos que as afinidades para as quais damos tanta importância no início não conseguem sustentar o relacionamento.

Isso talvez ocorra porque confundimos a empolgação de todo início do relacionamento com presença de afinidade.

Mas a atração inicial, normalmente é fantasiosa, vemos o que desejamos que fosse e não o que na verdade é.

Afinidade é indispensável em uma relação, seja esta a mais irrelevante, como a predileção por um estilo musical, chegando até às questões morais, visão de mundo, filosofia de vida e valores humanos.


A identificação entre as personalidades é de extrema importância, preferências, modo de pensar, isso é o que torna possível a necessária admiração pelo outro, que gera a tão fundamental cumplicidade.

Quando não se admira o parceiro naqueles valores que nos são mais caros, essa é com certeza a pessoa errada para nós.

Quando se reprova a maior parte dos comportamentos do outro, quando não compartilhamos repetidas vezes da mesma opinião, discordando sempre, certamente, estamos com a pessoa errada.

A pessoa certa traz calma e segurança, contribui para nossa paz, mesmo em tempos difíceis, pois são facilitadores e não complicadores.


Em uma relação entre pessoas certas, há muito respeito, compartilhamento, cumplicidade, parceria e não há espaço para egocentrismo.

A pessoa certa é aquela com quem se tem afinidade espiritual, as almas se conversam e se entendem, respeitam-se e se amam, verdadeiramente, de dentro para fora.

A pessoa certa existe para cada um de nós, porém por nossa imaturidade, impaciência carências, deficiência afetiva, valores distorcidos, não somos capazes de encontrá-la. Nossas histórias raramente nos preparam para isso.

E é assim que embarcamos no trem errado por engano, ilusão ou irresponsabilidade rumo à estação onde nos espera a pessoa errada.


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Direitos autorais da imagem de capa: kostman / 123RF Imagens

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