Família

A síndrome da criança invisível: o traço das deficiências afetivas

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Os impactos que a falta de atenção, principalmente emocional, nas crianças podem se estender até sua vida adulta, gerando profundas cicatrizes.

Sabemos quão desafiadora pode ser a criação infantil, é preciso não apenas superar as expectativas médicas, mas também de toda uma sociedade. Enquanto estamos em busca de melhores condições de vida para nossas crianças, podemos esbarrar em um grande problema: a ausência de tempo.

Em uma rotina frenética, em que o tempo é um dos nossos bens mais preciosos, ao lado de nossa força de trabalho, como conseguir conciliar as jornadas exaustivas com a necessidade da presença física para nossas crianças? É preciso encontrar um meio-termo, principalmente porque a nossa ausência será sentida e pode até mesmo causar traumas que vão precisar de anos de terapia para serem assimilados.

Chamada por muitos como “síndrome da criança invisível”, existe uma série de comportamentos que as crianças apresentam quando se sentem “abandonadas” por seus pais e/ou responsáveis. Muitas vezes, essa falta dos pais vem mais de uma conexão emocional do que física propriamente dita, mas faz com tenham suas personalidades impactadas negativamente.

Estudos de diversas áreas mostram que elas podem apresentar irritabilidade, começar a se retrair e até mesmo se isolar automaticamente dos círculos sociais. Como são negligenciadas emocionalmente pelos pais e responsáveis, preferem montar uma realidade paralela, totalmente fantasiosa, na qual recebem o carinho e a atenção de que precisam.

Não devemos confundir a fantasia que criam com o abandono com a fantasia que naturalmente emerge em suas brincadeiras infantis. Esse processo é natural, já que é justamente pelas brincadeiras e o lúdico que compreendem certos signos sociais, passando a aprender a viver em comunidade.

Somos seres sociais, naturalmente precisamos de interações e cuidados, principalmente na infância, quando, além de se sentir frágeis, as crianças sentem necessidade de atenção. A rejeição, assim como nos adultos, gera ansiedade e até mesmo depressão, como mostram estudos na área, e isso faz com que todo o processo evolutivo, natural para a ocasião, seja prejudicado.

O abandono emocional e os maus-tratos também podem ser diretamente ligados aos atrasos motores e na fala, o que faz com que as crianças encontrem sérias dificuldades para atividades que, para sua faixa etária, são consideradas simples. Isso pode ser analisado, inclusive, na maneira como se expressam nas brincadeiras, desenhos e até na fala.

Com baixa autoestima, as crianças que se sentem abandonadas pelos pais encontram dificuldades em se expressar e até mesmo fazer amigos na escola, ficando frequentemente de lado nas brincadeiras, mostrando-se introspectivas e mais solitárias que as demais. Vale lembrar que esse processo pode ser mais facilmente analisado por um terapeuta especializado, que lide com crianças e conheça a realidade comportamental própria de cada idade.

Quando manifestam a “síndrome da criança invisível”, mostram insegurança diante de certos desafios, podem ser mais facilmente manipuladas pelos adultos e até buscar qualquer tipo de carinho e conforto em relações agressivas, simplesmente porque acreditam que seja isso que mereçam.

O reforço positivo, o carinho, o afeto, a atenção e o cuidado precisam fazer parte naturalmente da vida de todos os indivíduos, e para as crianças isso não é diferente, e talvez seja ainda mais importante, já que estão em desenvolvimento físico, emocional e neurológico. Ficar atento aos sinais de introspecção, de aparente tristeza e até de insegurança emocional é sempre um bom caminho.

A infância precisa ser protegida pelos adultos, e as crianças precisam ser vistas como indivíduos, assim como quem já passou por esse processo anteriormente. Cultivar boas relações com os pequenos mostra apenas nosso compromisso com a sociedade, enquanto exercemos nossa cidadania.

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