A síndrome do cigarro aceso: quando eu sou tóxico para mim mesmo

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Outro dia, logo pela manhã, estava eu no ponto de ônibus esperando o coletivo chegar. Ao meu lado, uma jovem mulher fumava seu cigarro, relaxada e despretensiosamente, pensando em sei-lá-o-quê. Tudo ia bem até que, acidentalmente, eu inalei a fumaça espalhada pelo vento frio.



É um cheiro invasivo e desagradável. Eu me desviei da fumaça, mas de algum modo ela parecia me perseguir. Estava ali e, mesmo em um ambiente ao ar livre, o mal-estar se instalou em mim rapidamente, e o odor desagradável parecia não sair da minha mente tão cedo.

Usei essa metáfora do cigarro para explicar o quão tóxicas são as nossas atitudes, para nós e para os outros.

Duvida? Deixe-me ir além: um fumante não consegue distinguir os cheiros, porque suas células relacionadas ao olfato estão seriamente comprometidas por conta do tabagismo. Não sente o mau hálito provocado pelo vício e como o seu corpo toma uma aparência doente ao longo do tempo. Fora o fato de que pensa que fumar não incomoda ou faz mal a ninguém ao seu redor, por ser uma escolha pessoal.

Nós nos tornamos fumantes passivos, no mínimo. E ainda temos que aturar isto? Negativo! Não só o fumante fica contaminado pelo fumo, mas todo o ambiente próximo que o cerca.


Assim são as pessoas tóxicas: contaminam o ambiente em que estão com o seu narcisismo ferido em forma de arrogância, vitimismo, inveja, mentira, ganância, fofoca…e por aí vai!

Repelentes sociais em virtude das consequências das próprias escolhas de vida, permanecem imersas no próprio veneno que produzem e injetam em si próprias, como modo de defender a sua verdade (ou da falta de coragem de abandoná-la). São incapazes de perceber o mal que desencadeiam ao seu derredor.

Não há freios para aquele que é viciado no próprio ego. A alimentação deste tipo de comportamento vem de capturar possíveis vítimas que comprem o discurso do egocêntrico. Sem empatia, são capazes de diminuir ou manipular o outro com o intuito de se sentirem melhores ou em busca de plateia.

Ser tóxico confere a quem se mostra assim um quantum de prazer proporcionado pela prática frequente de agir tendo o próprio umbigo como centro do universo.


Conviver com pessoas deste perfil nos leva a situações que nos subtraem, despertando o nosso pior e sugando as nossas energias e potencialidades.

Uma distração e podemos entrar no jogo delas e fazer igual ou pior. Agora, vou falar uma coisa para vocês que talvez nem acreditem, mas que é pura verdade: como no caso do cigarro, algumas pessoas simplesmente não se dão conta do mal que fazem a si mesmas e a outras pessoas. Podem colecionar dores emocionais e assuntos mal resolvidos ao longo da vida. Nesta chance incluo a mim e a você.

Entramos no turbilhão da vida que não nos dá nem a chance de consertar as situações, e além disso, evitamos o que é doloroso (pois esta é a tendência humana de lidar com as próprias questões). O volume de sujeira só cresce debaixo do tapete, a ponto de o calombo tomar vida e dominar o cenário todo.

Fala-se muito da responsabilidade que reside apenas no outro, quanto a nutrir sentimentos tóxicos, mas será que nós também não destilamos o nosso veneno, sem nos darmos conta?

Isso é possível, e vale a pena, de vez em quando, fazer uma viagem honesta para dentro de nós, entrar em contato com o nosso eu, com os nossos sentimentos, isto faz um bem danado! Às vezes, fazer isto pode requerer ajuda profissional, e sugiro que não tarde a fazê-lo. A sua vida agradece e a dos que estão ao seu redor também.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF mrkornflakes.

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