A TRISTEZA COMO UM TAPA



Sabe-se que todos nós, de alguma forma, somos um pouco masoquistas. Insistimos em escutar aquela música-dor-de-cotovelo para nos afundarmos cada vez mais em nosso infinito buraco sem fundo, e quanto mais nadamos, mais morremos aos poucos na praia. Vivemos inundados pelas nossas lágrimas, cegos, egoístas, pensando que não há mais saída para os nossos problemas e que o resto do mundo é apenas o resto, como se ele fosse menor do que a nossa própria unha. Não nos damos conta de que perante todo esse universo, nós somos realmente quase nada, somos grão de areia, e que as nossas dores são relativamente insignificantes, vistas juntas com todas as coisas que existem.

Às vezes a gente insiste em sonhar acordado com medo da realidade. Parece sempre muito mais cômodo deixar as coisas como estão e continuar iludido com o que poderia ser e não é.

Nós vivemos com medo de tentar tudo que seja novo, temos medo de perder o que temos e acabarmos sem nada. O problema é que ninguém nasceu pra viver de migalhas, nem a gente e nem ninguém.

Na verdade eu acho que nós nos acostumamos a viver nossa vida mais ou menos, com altos e baixos, tristes, eventualmente felizes. Nos ensinaram que a felicidade é feita apenas por momentos felizes, e nos fizeram desistir de correr atrás dela. E então, a felicidade acabou triste, jogada num canto do quarto enquanto nós, que estamos tristes, espalhamos as nossas tristezas pelos quatro cantos do mundo. Afinal, de que adianta ter voz se não pra desabafar, não é mesmo?

Então chega uma tarde qualquer de terça-feira, ensolarada, e você está triste. O céu está lindo lá fora, e você não quer sair pra ver. O cheiro das flores e o vento de primavera estão batendo na sua janela, mas você está triste demais pra isso. A sua tristeza é muito mais importante do que qualquer outra coisa que possa te deixar calmo e feliz, não é mesmo? Somos maduros o suficiente para culpar todas as pessoas pelos nossos problemas, não aprendemos que a culpa do que acontece com a gente é exclusivamente nossa, ninguém pode tomar decisões por nós, a menos que a gente deixe.



Sabe, de vez em quando a gente joga a toalha. Esquece de regar as plantas, de arrumar os cabelos, de olhar pra dentro como se fossemos humanos que sofrem, e sim, nós sofremos, faz parte da vida. A gente se joga no chão e grita em silêncio esperando que alguém nos escute e que lute por nós. Fechamos nossos olhos na esperança de sermos crianças outra vez, queremos colo, queremos carinho. Mas somos adultos e estamos sozinhos, aprendemos a limpar o rosto e levantar.

Pois é, ninguém disse que crescer seria uma tarefa fácil.

 

Sabrina Nascimento via OBVIOUS 






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