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A vida é curta demais para perdermos tempo com aquilo que não nos acrescenta e faz melhores

Você já se perguntou se vale a pena?

Gosto muito de uma frase do Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, que diz mais ou menos assim: “Um dia, quando olhar para trás, os anos de luta lhe parecerão os mais bonitos”.


Na contramão dos nossos desejos de sermos felizes o tempo todo e de termos o controle remoto da vida para acionarmos sempre que quisermos, alguns dos melhores e mais valorosos acontecimentos da nossa existência não serão nada bonitinhos, controláveis, grandiosos, prazerosos e arrumadinhos, não.

Em alguns momentos, vai dar vontade de jogar tudo para o alto mesmo, chutar o balde, mandar a vaca de volta pro brejo, dar de cara com um buraco bem fundo e afundar os seus dois pés na lama. Em outros, acionar o botão do dane-se será justamente a sua melhor resposta, principalmente quando você perceber que existem coisas que simplesmente não valem a pena, sabe?

A vida, às vezes, pode ser uma droga mesmo, eu sei. E talvez as mais incríveis e profundas mudanças pelas quais passamos ao longo da jornada aconteçam justamente após as nossas piores e mais dolorosas experiências.


A dor é inevitável. E, em muitos casos, em vez de opcional, o sofrimento pode ser muito necessário, sim.

Sobretudo quando não conseguimos apreender seja lá o que a gente precise mesmo aprender por meio do amor ou do exemplo. Ou quando, ainda novatos na arte de literalmente se partir inteiro e dar de cara com a decepção e a frustração, inerentes ao estar vivo, precisamos fortalecer os nossos músculos da resiliência e da resistência emocional para não nos deixarmos sucumbir ao primeiro grande obstáculo com o qual nos depararmos na vida, levantarmos e seguirmos em frente, mesmo cambaleantes, mesmo com medo, mesmo cheios de cicatrizes.

O NÃO pode ser uma bênção, assim como a falha. SIM, a gente precisa falhar.

No entanto, ainda assim, há o que simplesmente não vale a dor de cabeça ou a ruga de preocupação. O que não se alinha ao que verdadeiramente valorizamos e buscamos na jornada. O que não faz o menor sentido pAra gente, mas que, por alguma razão que nos escapa completamente do lado de dentro, porque só conseguimos perceber do lado de fora – nas justificativas dos outros, nos desejos dos outros, nos julgamentos dos outros, na visão de mundo dos outros – continuamos a tomar como nosso. E a insistir para isso. E a batalhar por isso. E a se descabelar por causa disso. E a sofrer sem necessidade alguma, consegue perceber?


Há alguns anos faço o exercício de me perguntar pelo que vale realmente sofrer e investir o meu tempo e a minha energia. Pelo que vale a pena lutar? E qual é o propósito real dessa batalha toda?

Porque existem coisas que nos escapam mesmo. Coisas que não estão sob o nosso controle, que independem da nossa vontade, que são como são e que, mesmo que a gente se estresse, grite e descabele, simplesmente não vão mudar. Problemas que não são nossos, cruzes que a gente não tem obrigação alguma de colocar nas costas e carregar. Coisas pequenas, às vezes, mas que a gente dimensiona de forma exagerada. E outras tantas que simplesmente não nos representam mais (ou que nunca nos representaram de fato).

Se é verdade que a positividade constante pode ser uma forma de fuga, não de enfrentamento (não é sempre que está tudo bem!), também é fato que assumir a responsabilidade sobre tudo o que nos acontece é uma questão de escolha.

Você pode não ter culpa por algo que aconteceu ou que esteja acontecendo na sua vida, eu sei, mas escolher como vai reagir a essas situações é uma responsabilidade sua, sim. Se você vai se estressar e arrancar os cabelos, se vai respirar fundo e seguir em frente, se vai comprar a briga, se vai deixar para lá… Escolhas!

E são justamente as suas escolhas na vida que fazem de você quem você é.

A vida é curta demais para perdermos o nosso tempo com aquilo que não nos alimenta, que não nos acrescenta, que não nos representa, que não nos faz melhores de alguma forma ou que simplesmente independem da nossa vontade para ser ou deixar de ser.

Faça-a valer a pena. Todos os dias. A cada dia, um pouquinho mais.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: dennisvdwater / 123RF Imagens





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