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A vida está sorrindo para você, mesmo quando você acha que não

a vida

O sofrimento, por mais que doa, tem a sua beleza e a sua razão de ser. Sofrer é o anseio da alma em voltar a viver em paz. É um chamado de volta para casa.



Nascemos radiantes como as estrelas. Iluminados, pequeninos, delicados, porém dependentes. Saímos de um mundo intrauterino totalmente seguro, onde tudo o que é necessário é providenciado, para um mundo completamente desconhecido. Para sobrevivermos precisamos de alimento para o corpo e amor para a alma. Precisamos de cuidado.

Somos sensíveis aos sons, à luz, à presença de outros e a tudo que acontece ao nosso redor, e com o tempo e a convivência familiar, vamos nos desconectando lentamente da nossa completude, do nosso estado natural, da nossa harmonia plena. Vamos nos distanciando daquela inocência do início da vida.

Alegria e tristeza, amor e raiva, medo e confiança. Passamos a perceber o mundo a partir dos nossos sentimentos conflituosos, como um espelho quebrado que não consegue mais refletir o todo como ele é.


Passamos a acreditar que somos esses fragmentos distorcidos refletidos pelos estilhaços, nos ferimos com as nossas emoções e com os desentendimentos, frutos das nossas interações com os outros e com o mundo. Isso nos causa angústia e tristeza.

É difícil de entender, mas o sofrimento, por mais que doa, tem a sua beleza e a sua razão de ser. Sofrer é estar com o alarme acionado. É o espelho reclamando e relembrando que um dia refletiu tudo com clareza, nitidez e imensa beleza.

É um chamado de volta para casa. É o anseio da alma em voltar a viver em paz.

É o navegador repetindo incansavelmente alternativas de caminhos para que voltemos à nossa rota original, à nossa totalidade, à nossa inteireza. Não importa quão distante estamos dela e nem por quanto tempo ignoramos as sugestões de retorno, elas sempre estarão disponíveis e sempre haverá um caminho de volta.


O Universo tem a sua ordem natural, o seu ritmo perfeito e nós fazemos parte disso.

Todas as nossas feridas, por mais dolorosas que sejam, nos levam de volta à nossa essência. Sem elas, não buscaríamos a cura e não daríamos valor ao nosso estado búdico. Nascemos nele, porém inconscientes da sua existência, por isso a vida nos chacoalha e nos tira do paraíso para nos lembrarmos da delícia que é estar nele.

A nossa desconexão, no fundo, é a porta dourada para que nos tornemos conscientes do que sempre tivemos e do que sempre fomos. Precisamos primeiro esquecer para, então, relembrar-nos. Precisamos primeiro perder porque reganhar a inocência e sentir-se novamente um com o todo é o nosso grande desafio aqui.

Se considerarmos que somos feitos de incontáveis micro-estrelas e que brilhamos como o sol, quando todas elas estão juntas, o processo de cura é uma linda reunião das nossas partes que se perderam ao longo do caminho. É o espelho intacto e limpo.


A cura é retornar ao nosso estado original: inteiro, saudável, amoroso e completo. É relembrar a nossa totalidade e viver em harmonia. É permitir que a magia do Universo flua espontaneamente, através de nós: seja em uma canção, pintura ou poesia. É celebrar a vida com imensa alegria.

Escute o seu coração, ame-se também nos momentos de dor e saiba que aquela inocência do início da vida pode também ser vivida na vida adulta, com muita gratidão.

A partir de hoje, quando o coração apertar, dê-se um abraço bem apertado e diga: isso também vai passar. Lembre-se de que você nasceu radiante e que estamos aqui para brilhar como as estrelas.



Direitos autorais da imagem de capa:  Ethan Hoover on Unsplash


A volta por cima é a melhor volta da vida!

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