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Achar-se superior não o torna alguém melhor, demonstra apenas a sua falta de humildade

Corrigir em público não te torna melhor do que o outro, você pode ser apenas um mal-educado disfarçado de inteligente


“Ao tentar conformar o mundo em torno do eu, acabamos nos encarcerando.” Esta citação de C. S. Lewis nos traz uma profunda reflexão. Há um monstro à espreita. O “achismo” devora a passos largos a sanidade mental nas redes sociais. A mania de controle, o querer estar certo e impor sua opinião de forma cega, abrupta, sem se preocupar se vai atingir o outro.

Indivíduos que sofrem da mania de controle geralmente são pessoas que se acham com um QI acima da média. Ao argumentarem, lançam mão de seu status: “Eu sou formado nisso, PhD naquilo, desenvolvi aquele projeto, etc.” Estas artimanhas infelizes nada mais são do que uma tentativa desesperada de, ao se colocar num pedestal, calar o outro, reduzindo-o a sua “insignificância”.

Veja, um canudo na mão não é sinônimo de inteligência. Às vezes, você é só um mal-educado mesmo, extremamente petulante. A necessidade de diminuir o outro, impondo sua opinião forçadamente, só denota profunda insegurança. Caso o indivíduo precise apontar a “falha” do outro publicamente, isso significa que ele não quer corrigir, auxiliar, mas apenas mostrar aos demais a sua “superioridade”.


Elogie em público e corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.

Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor.

Nada mais verdadeiro e lúcido. Perceba, geralmente as pessoas com mania de controle só comentam em postagens em que você expresse sua opinião. Você não vai ver um comentário positivo sobre algo que conquistou. Você não vai receber um elogio sobre uma selfie que postou.


Em determinados momentos, você pode até passar a achar que as pessoas não o seguem mais e não veem suas publicações no feed de notícias. Mas experimente postar algo que acredita e que você até saiba que pode gerar opiniões controversas, o que é profundamente normal, e veja algo mágico acontecer. A criatura se manifesta na sua timeline milagrosamente, do nada! Pode apostar! Todos conhecemos alguém assim.

E será que o comentário será construtivo? Absolutly not, my dear!

Satanás possui artimanhas que a mente humana desconhece, não se esqueça disto. Mas vamos combinar que os chatos achistas, pseudointelectuais de plantão, não precisam do rubro para serem chatos. Até porque ser chato é uma escolha dada por meio do livre arbítrio. Ou seja, ele ESCOLHE ser chato e extremamente inconveniente. Achismo não é matéria pedagógica, ok?

Há diferentes formas de expressar sua opinião publicamente, sem ferir a imagem do outro.

Não tem nada de bacana para comentar? Dê só um like. Simples. Ou posta uma figurinha. Mas, caso queira esclarecer algo de que o outro não saiba, ou postou sem ter o conhecimento devido, chega na camaradagem, na gentileza, e dá uma luz “no privado”. Chama para uma conversa. Faça um convite ao acerto.

Ser uma pessoa portadora de achismo só te faz parecer um atrevido ignorante. Sua imagem se tornará não admirável, mas, sim, arrogante. Seja alguém que empodera, que incentiva.

Seja alguém que exalta, não que humilhe. Não faça bullying nas redes sociais, aliás, em lugar nenhum.

Faça uma análise interna. Talvez essa necessidade de atenção esteja escondida atrás de traumas. Talvez o ataque seja sua arma de defesa. Mas atente para os sinais de impaciência, inquietude. A necessidade exacerbada de impor sua vontade sempre não é normal, tampouco saudável.

Você passa a acarretar para si doenças físicas e problemas emocionais que farão com que os que estejam ao seu redor fiquem desconfortáveis em sua presença. Não é possível controlar o Universo. Cada segundo é uma surpresa. Não se pode prever absolutamente nada. Então, por que a necessidade de controlar o outro?

Viver é algo infinito, é algo para o qual não existe roteiro e seus participantes não são atores. Aliás, uma definição simples para pessoas de sofrem do distúrbio da mania de controle ou control freak é que acreditam estar na direção de uma peça teatral, cujas personagens devem se comportar e fazer aquilo que foi definido no roteiro e, se não sair como planejado, se enfurecem-se, chateiam-se, entram em crises emocionais que variam em intensidade.

Osho dizia sabiamente: “Esqueça essa história de entender tudo. Em vez disso, viva. Não analise, celebre!”

Cansa ser o “dono da razão”, não? O melhor caminho é a reflexão profunda. Se alguém reclama da sua postura várias vezes, é um sinal de que você não está enxergando que há algo de muito errado contigo. Veja, ninguém é melhor do que ninguém. As únicas coisas das quais devemos nos orgulhar é de termos bom coração, boa índole e bom caráter.

Quem se aproximar de você deve estar lá pelo que você é, não pelo que você possui. Se você é uma pessoa petulante, arrogante, esnobe e rica, dificilmente terá pessoas que o amem verdadeiramente ao seu lado, salvo raras exceções. Porque ninguém gosta de ser maltratado, a menos que tenha baixa autoestima.

Agora, se você é uma pessoa petulante, arrogante, esnobe e é pobre, meu anjo, cuide de quem está ao seu lado como a joia rara do rio Nilo. Ele está ali por ESCOLHA, não porque você merece. Esse, sim, verdadeiramente, ama você, preza e zela pela sua vida.

Achar-se superior demonstra não só sua inferioridade, como também sua falta de humildade. Haverá quem o ature. Claro, sempre existe uma boa alma, mas nada é para sempre. Até o ser mais paciente, quando ferido, uma hora se despede. Voe e vá se aninhar em outro ninho. Não abuse do sentimento que as pessoas nutrem por você.

Nada mais exaustivo do que oferecer flores e, em troca, receber espinhos. Não seja essa pessoa.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.





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