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“Achei que abuso sexual era normal”, diz jovem que foi estuprada pelo pai pela primeira vez aos 5 anos

Achei que abuso sexual era normal diz jovem que foi estuprada pelo pai pela primeira vez aos 5 anos

“O que estava passando pela sua cabeça quando você fez essas coisas comigo?”. Essa foi a pergunta que Jessica fez ao seu pai, Peter, em uma conversa por telefone, anos depois de ele tê-la abusado sexualmente. Incrivelmente, ele admitiu que havia pensado muito sobre o que o fazia querer agredir sua própria filha. “Você era inocente nisso”, respondeu Peter, segundo o programa de TV australiano. “Você deveria ser meu pai”, Jessica lamentou.

Peter começou a agredir sexualmente a filha quando ela tinha apenas 5 anos. Segundo Jessica, os abusos aconteciam durante as aulas semanais de caratê do irmão e, também, quando o resto da família estava dormindo. No início, ela disse que não percebeu que aquilo que seu pai estava fazendo era errado, explicando que acreditava que era uma coisa “normal” que acontecia “entre pais e filhos”. Foi só quando Jessica teve aula de educação sexual na escola, aos 11 anos, que finalmente “juntou as peças”. “Foi como um momento de epifania. Eu só tive que sentar lá, em puro choque, juntando as peças do que aconteceu nos últimos anos”, recordou.

Depois disso, Jessica começou a enfrentar o pai e apenas dizia “não”. Ela também contou para sua mãe sobre o abuso, mas ela não acreditou. A mãe ficou ao lado do marido, que negou ter tocado na filha. Demorou dez anos para que a verdade finalmente fosse revelada, após Peter solicitar um visto para se mudar para a Tailândia. “Eu fiquei tipo: ‘Você pode comprar crianças ali, essas crianças não têm nenhum direito’, e eu pensei que, de jeito nenhum, eu ficaria aqui sentada, deixando ele fazer isso com outra criança”, explicou Jessica.

Foi, então, que ela ligou para Peter para confrontá-lo sobre o abuso. Ela gravou a conversa e o fez admitir o que fazia com a filha. “Eu não sei, eu… eu nem pensei nas consequências. Eu sei que tudo aconteceu, e eu não vou negar. Eu não posso. Eu não posso fazer isso”, disse Peter durante a ligação. “Não posso me desculpar o suficiente por isso; sinto muito… não sei por que fiz isso”, completou o pai na ligação.

Após o telefonema, Peter foi preso em casa, em março de 2021. Ele respondeu a oito acusações de abuso infantil, incluindo relações sexuais com uma pessoa menor de 10 anos e manter um relacionamento ilegal com uma criança. Ele se declarou culpado e foi condenado a seis anos e três meses de prisão. “Ele abusou de mim por mais anos do que foi sentenciado. Isso não é justo”, disse Jessica, acrescentando que nenhuma criança deveria querer morrer por causa das ações de seus pais.

A detetive superintendente Jayne Doherty, do Esquadrão de Abuso Infantil e Crimes Sexuais de NSW, disse que a polícia adoraria ver criminosos sexuais infantis receberem sentenças mais longas. “A inocência daquela criança nunca pode ser trazida de volta, mas, infelizmente, acontece. E acontece regularmente”, lamentou. “Não podemos simplesmente ficar consumidos pelo resultado. No fim das contas, o importante para as vítimas sobreviventes é que eles acreditaram, foi reforçado pelo tribunal que sua versão estava correta e que o ofensor foi responsabilizado. Quer esse infrator pegue seis anos, quer pegue 60 anos, agora teremos esse infrator identificado [no Registro de Proteção à Criança] para a polícia, para que possamos limitar seu contato com crianças no futuro”, completou.

Como proteger a criança de um abuso?

Falar com as crianças sobre abuso sexual não só é necessário como pode evitar que o pior aconteça. Não sabe por onde começar? Siga as dicas do livro My Body Safety Rules (Minhas Regras de Segurança Corporal, em tradução livre), escrito pela educadora britânica Jayneen Sanders:

1. Mostre que o corpo é só dele

Ensine seu filho que ele pode dizer não se alguém forçá-lo a tocar, abraçar ou beijar outra pessoa. Ao cumprimentar um desconhecido, o aperto de mão pode ser uma alternativa a beijos e abraços.

2. Crie uma rede de segurança

Ajude seu filho a formar esse grupo, que deve reunir três ou quatro adultos em que ele confia para contar o que quiser caso se sinta preocupado ou inseguro.

3. Fique atento aos sinais

Explique à criança que seu corpo é inteligente e, por isso, mostra quando está desconfortável. Dor no estômago, coração acelerado ou suor sem motivo podem indicar que algo não vai bem, e isso deve ser contado a um adulto de confiança.

4. Respeite a intimidade

Chame as partes íntimas de seu filho pelo nome correto e explique que ninguém, criança ou adulto, pode tocá-las, a não ser os responsáveis. Diga ainda que não é legal que ela toque no corpo de outra pessoa.

5. Não estimule segredos

Explique que sua família tem “surpresas felizes”, em vez de segredos. Pois as surpresas podem ser contadas. Assim, se alguém pedir a seu filho que mantenha um segredo, ele saberá a maneira certa de agir.

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