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Acreano, filho de mãe solteira e faxineira, é aprovado em Medicina após 7 anos tentando!

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.
1 capa Acreano filho de mae solteira e faxineira e aprovado em medicina apos 7 anos tentando

Com uma rotina de oito horas de estudo por dia, André recebeu ajuda do vizinho, que era professor, mas também lidou com muitas dificuldades provocadas pela falta de acesso e desigualdade social.

Nossa vida é construída em etapas. Quando somos crianças, nós nos ocupamos mais de brincar, e grande parte dos nossos problemas (que parecem bichos de sete cabeças) são facilmente solucionados. Nessa época, sonhamos em crescer, e conforme vamos envelhecendo, passamos a traçar outros objetivos, como estudar, trabalhar, viajar, comprar um imóvel, entre outros.

Cada pessoa persegue o próprio sonho, e fazemos isso desde muito jovens, como se precisássemos de uma força motriz, um motivo para seguir a vida de maneira agradável. Para André Ramon, de 26 anos, não era diferente, pois alimentava o sonho de cursar medicina em uma faculdade pública. Foram longos anos de tentativas e de percalços, mas conseguiu ser aprovado na Universidade Federal do Acre (Ufac).

Segundo reportagem do G1, o jovem nunca teve condições financeiras para frequentar escolas privadas, é filho de empregada doméstica, tem seis irmãos, foi abandonado pelo pai e a família sempre passou por dificuldades.

Assim que recebeu a tão esperada confirmação, André ficou muito emocionado e fez questão de ir até o trabalho da mãe Vilenilde Arruda Maciel, de 48 anos, que é faxineira em uma academia de Rio Branco. Um dos seus amigos fez questão de registrar o momento em vídeo, e mãe e filho fizeram questão de comemorar muito juntos.

Toda essa gratidão pela mãe revela não apenas uma ligação familiar, mas o sacrifício que Vilenilde precisou fazer ao longo dos anos para garantir que André conseguisse uma realidade melhor que a dela. Nas imagens é possível ver o rapaz agradecendo-lhe e explicando que não era apenas um sonho, ele realmente conseguiu sua aprovação.

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Para ela, aquele é o melhor presente que poderia receber, principalmente por não ter conseguido estudar durante sua vida. Como precisou começar a trabalhar ainda muito jovem, Vilenilde não conseguiu terminar os estudos, e sustentou  sozinha os sete filhos com seu trabalho de doméstica. Ela acredita que o filho abriu uma porta que é capaz de oferecer uma nova realidade para todos, fazendo com que começassem uma nova etapa em suas vidas.

Caso André não conseguisse ser aprovado este ano, a mãe já havia pedido que ele começasse a trabalhar, já que a pandemia fez com que tivessem um dos piores anos que já viveram. Com 26 anos, o jovem passou cerca de sete anos tentando atingir seu objetivo, e explica que foi justamente Vilenilde quem lhe proporcionou isso, já que permitiu que ele não trabalhasse para focar no estudo.

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O jovem conta que foi alfabetizado pelo Projeto Poronga, já extinto, que ensinava em menos tempo as crianças e adolescentes, criado para que os estudantes das comunidades rurais não abandonassem a escola. Depois, André estudou em escolas públicas, mas sempre sentiu dificuldades em várias áreas.

Chegou a ser aprovado em engenharia florestal, aos 19 anos, mas ficou insatisfeito com o curso e decidiu sair. Conversando com um vizinho professor, que lhe prestou muito auxílio ao longo dos anos, passou a considerar medicina como uma opção válida, e começou a se dedicar para conseguir a aprovação.

Ao longo do tempo, ele precisou lidar com inúmeras questões que atrapalhavam seus estudos, como a falta de acesso à internet, o atraso em algumas áreas da educação e os problemas financeiros da família.

André explica que cursar medicina nunca foi uma coisa que fizesse parte da sua humilde realidade, mas se sentia motivado todas as vezes que pensava que queria ser um exemplo para os seis irmãos, já que “a educação é o caminho mais garantido para mudar de vida”.

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