Comportamento

Acusada de furto no supermercado onde fazia compras, ela o processa e fica milionária

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A mulher deve ser indenizada em mais de R$ 11 milhões pelo Walmart por acusá-la indevidamente de furto e tentativa de extorsão.

Ser acusado de um crime que não cometeu está entre os maiores medos da população negra e periférica. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, mas 31,9% estão apenas aguardando julgamento, sem direito ao processo legal ou ao reconhecimento de seus direitos. Além disso, de todos os presos provisórios do país, cerca de 40% são absolvidos no fim do processo ou recebem como pena a restrição de direitos ou regime aberto.

Os dados foram apresentados pelo Coletivo Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos, e mostram uma realidade que não é apenas brasileira, pois é registrada em vários países, principalmente aqueles que abrigam grande população carcerária. Aqui, 70% das pessoas presas são negras e pobres, o que também demonstra o caráter racista de encarceramento.

Para as pessoas que passam por uma acusação indevida, um dos únicos sentimentos que se alimenta é: justiça. Para Lesleigh Nurse, que é branca e de classe média, nunca tinha passado pela sua cabeça que um dia seria acusada de furto enquanto fazia compras no Walmart, em 2016. De acordo com reportagem do WKRG, na época, a cliente utilizou um caixa de autoverificação, mas que nenhum funcionário a ajudou quando um dispositivo de digitalização travou.

Lesleigh foi presa por furto em uma das lojas da rede Walmart, em Mobile (Alabama/EUA), e precisou desembolsar dinheiro para se defender. Ela decidiu mover um processo contra a empresa, e este ano um juiz concedeu a ela o pagamento de mais de R$ 11 milhões por ter sido presa injustamente.

Ao passar pelo caixa de autoatendimento, ela pagou pelos mantimentos, encontrou alguns problemas quando um dispositivo de digitalização travou, mesmo assim conseguiu finalizar a compra. Saindo do estabelecimento, os funcionários a acusaram e não aceitaram sua explicação sobre o problema técnico do caixa, mesmo que seu filho e marido estivessem ao seu lado, dando a mesma informação.

Presa por furto, seu processo acabou encerrado quando não encontraram nenhuma prova consistente no caso. Alguns meses depois, Lesleigh começou a receber cartas de um escritório de advocacia da Flórida, que ameaçava abrir um processo civil contra ela se não efetuasse o pagamento de R$ 1.128, um valor muito superior às compras que fez no dia em que foi acusada.

Na entrevista, a vítima explicou que foi o próprio Walmart que instruiu a empresa a enviar as cartas, e que já era uma prática da rede acusar falsamente cidadãos inocentes do Alabama, tentando extorquir os acusados posteriormente. O processo de Lesleigh foi a júri popular, que decidiu por unanimidade condenar o Walmart em alegações de prisão falsa, calúnia e processo indevido.

O WKRG apurou que a empresa e outros grandes varejistas usam a prática de acordos em estados onde a lei permite, não respondendo pelos crimes efetivamente. A defesa da rede argumentou que a prática é legal, de acordo com a jurisdição do Alabama, e que o veredicto não se apoiou em evidências.

Um porta-voz do Walmart disse que a empresa apenas deseja que os clientes tenham uma experiência de compra segura e agradável em suas lojas, e que medidas que auxiliam na prevenção e identificação de casos de roubo são tomadas, já que esse é um dos maiores problemas dos varejistas. Reforçando o posicionamento acerca da decisão, ele ainda informou que acredita que os associados agiram de maneira adequada ao indiciar a mulher por furto.

Lesleigh ainda precisa aguardar a empresa recorrer da decisão do júri, já que o pagamento de mais de R$ 11 milhões só será efetuado se o Walmart perder até a última instância.

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Consegui a verdadeira paz quando entendi que nem tudo é um ataque pessoal!

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