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Acusado de furto na Zara, homem negro é retirado de banheiro para ‘devolver’ mochila que comprou

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O assunto tem causado polêmica nas redes sociais. Entenda o caso!

O racismo em nossa sociedade se apresenta de inúmeras maneiras no dia a dia, e praticamente todos nós já presenciamos algum momento discriminatório, ainda que nem sempre sejamos capazes de perceber. Conforme a luta contra esse tipo de preconceito se torna mais intensa, as denúncias se tornam mais comuns, e as manchetes também abordam cada vez mais esse tipo de comportamento.

No último dia 28, um homem negro passou por um episódio bastante discriminatório no banheiro de um shopping, e a história tem causado alvoroço nas redes sociais.

Conforme contado em uma matéria do G1, Luís Fernandes Júnior, um africano de Guiné-Bissau, que vive no Bahia há 7 anos, foi retirado de um banheiro do Shopping da Bahia, que fica em Salvador, após ser acusado de furtar uma mochila que comprou na loja Zara.

Ao portal de notícias, o homem contou que foi até a loja em busca de uma nova mochila para substituir a sua velha. O atendente, segundo ele, foi educado, e eles conseguiram encontrar a mochila por meio do código do produto, no aplicativo.

Depois disso, Luís deixou a mochila no caixa da loja e saiu para sacar o dinheiro. Em seguida, pagou pela produto e saiu da Zara, com o comprovante.

O homem contou que passou duas vezes na frente do segurança, e que ele inclusive lhe indicou onde fica o caixa eletrônico que ele usou para sacar o dinheiro da compra. No entanto, isso não o impediu de ser abordado de uma maneira bastante negativa.

Luís deixou o troco no caixa porque estava com pressa e foi ao banheiro. Quando estava usando as dependências, o segurança entrou no local e começou a gritar.

O africano contou que à princípio não imaginou que aquilo seria com ele, e que apenas se tocou quando o segurança lhe disse que queria que ele devolvesse a mochila que havia roubado na Zara, ao que Luís respondeu que não havia roubado, e que tinha o comprovante da compra.

Segundo ele, suas palavras não foram o suficiente, e o segurança insistiu para que ele devolvesse, e acabou por tomar a mochila de sua mão e sair pelo corredor. Luís conta que ficou muito nervoso, e que saiu discutindo com o homem.

Chegando à loja, ele ainda perguntou ao atendente de quem era a mochila, ao que ele respondeu que era de Luís, que havia comprado. A situação deixou o segurança sem jeito, mas ele ainda saiu andando com a mochila, conforme contou Luís.

Em determinado momento, já bastante exaltando, o residente brasileiro chamou o segurança de racista, e lhe questionou que apenas porque era negro não podia comprar o que quisesse.

O segurança, segundo ele, se negava a devolver o item, e foi preciso puxar a mochila de sua mão.

Luís foi atrás do responsável pela segurança do shopping e expôs o acontecido, questionando se era oferecido algum treinamento para os seguranças e que, se fossem um homem branco, ele teria tido coragem de entrar no banheiro e o acusar de roubo, mesmo com o comprovante em mãos.

Apesar da denúncia, ele relatou que foi tratado com desdém, e que respondeu dizendo não ser leigo, e possuir graduação em Ciências Humanas, licenciatura, além de cursas duas pós-graduações, uma delas em Gênero e Direitos Humanos. Ele acusou os seguranças de racismo e, apenas nesse momento, o superior abaixou a cabeça.

Luís contou que se sentiu humilhado, e que nenhum dos funcionários se desculpou. Ele ainda acrescentou que fará um boletim de ocorrência para que casos como os dele parem de se repetir.

A Zara divulgou uma nota afirmando que está apurando os detalhes do acontecido e informando que afastou uma funcionária da loja, ainda lamentou o episódio, justificando “que não reflete os valores da companhia“.

O Shopping da Bahia informou que o segurança foi chamado por representantes da loja para buscar Luís e que “incluirá as imagens deste fato nos treinamentos internos para evitar que se repitam“. A Zara reconheceu que foi um erro, e que descumpre as determinações de regulamento do shopping.

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