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ADeus, crítico interno – olá, treinador interno!

sabotador

“Se queres vencer o mundo inteiro, vence-te a ti mesmo.” —Fiódor Dostoiévski



Uma das coisas mais difíceis de lidar é com o nosso crítico interno. Algumas pessoas têm um crítico interno muito mais severo do que outras.

Independente do quão severo ele seja, isso piora na hora de tomarmos importantes decisões. E piora ainda mais quando começamos a acumular ao longo da vida frustrações em relação a decisões que não correram bem, digamos assim. Pois é essa memória – que tende a registar as coisas sempre do ponto de vista negativo – que surge na nossa mente ao primeiro vislumbre de uma decisão importante a ser tomada.

Em uma experiência pessoal quando tomei uma decisão muito definitiva – e logo em seguida vi as circunstâncias externas mudarem a ponto de eu me questionar se havia feito a melhor escolha – me vi às voltas com o meu crítico interno; e ele é fantástico(para não dizer cruel) naquilo que faz. Foi um tal de: “Como você não pensou que isso poderia acontecer?”, “Você deveria ter pensado em tudo!”… entre outras coisinhas mais!


Segundo a psicologia, esse crítico é fruto da nossa infância convivendo com pais, professores ou amigos que nos desaprovavam. Logo, o nosso crítico interno(que enxerga de longe a possibilidade de fazermos uma asneira) pode ter a boa intenção de nos manter longe da desaprovação de quem quer que seja.

Não importando qual seja a sua origem – ou de qual seja a sua (boa) intenção -, a verdade é que, se quisermos conviver pacificamente com as nossas decisões, precisamos trocar o nosso crítico interno por um treinador interno. Isso pode significar treinarmo-nos para tolerar o desconforto que surge quando nos absorvemos pela autocrítica e usar uma linguagem mais animadora com nós mesmos.


Aqui vão algumas sugestões para começarmos a fazer a substituição do nosso crítico interno por um treinador(coach) interno que nos traga mais paz e segurança para os momentos de tomada de decisão.


1.º Passo) Tome consciência dele – faça isso escrevendo tudo que ele diz.

É surpreendente quando pomos no papel e visualizamos os nossos pensamentos. Isso é uma forma muito prática de vermos o que nós mesmos somos capazes de fazer para nos sabotar. Ao ver escrito no papel coisas do tipo: ”Se você fosse mais inteligente, se tivesse usado a sua experiência de vida, ao invés de X teria feito Y…”; “Veja bem, preste muita atenção pois isso ou aquilo podem acabar por acontecer e blá, blá, blá…”

No mínimo, a sensação que temos é de muito alívio. E quando vemos nossos medos escritos eles parecem ter menos poder. Temos a impressão que no papel, e não mais somente na nossa cabeça, eles perdem a força. E, ao invés deles terem poder sobre nós, somos nós que passamos a ter poder sobre eles.



2.º Passo) Questione o que diz seu crítico interno.

Escreva no papel ou fale para si em voz alta como um amigo que pode cuidar de si, dizendo coisas como: “Por que você sente-se tão mal sobre aquela decisão? Você fez o melhor que podia com as informações que você tinha na época”. Ou: “Por que você acha que não é forte? Você mostrou muita força quando você… (preencher o espaço em branco com todas as atitudes em que demonstrou e sentiu-se forte).”

Ouvindo a nós mesmos, escrevendo o que pensamos nós ganhamos mais clareza sobre nossos processos de pensamento, e isso nos capacita e nos afasta do pressuposto de que a nossa autocrítica é correta.



3.º Passo) Pratique a voz do treinador(coach) interno.

Comece a prática de dizer coisas de apoio e incentivo para si mesmo e relembrar o quanto possui capacidades e talentos. Perfeição não existe, você fez sempre bons trabalhos, boas escolhas e é capaz de fazer muitos mais. Você não tem nada de que se culpar, logo não há do que se desculpar.

Pode até parecer estranho ou difícil, mas faça e observe o resultado. A mudança não acontece do dia para a noite, e um dos efeitos de aquietar o crítico interno é uma maior sensação de paz e positividade. A partir de uma sensação de positividade os nossos circuitos neurais tendem a criar um estado corpo-mente mais calmo, compreensivo e compassivo facilitando a maneira como lidamos com as situações, principalmente na hora da tomada de decisões.



 Site de Referência: kripalu.org

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