Comportamento

Adolescente desenvolve doença rara após o uso de cigarro eletrônico

capa fb Adolescente desenvolve doenca rara apos o uso de cigarro eletronico

Aos 15 anos, a jovem começou a fumar com os amigos, depois das aulas, e em apenas sete meses já havia desenvolvido sérios problemas de saúde.

Os cigarros eletrônicos e os vapes têm tomado conta das festas, interações sociais e prateleiras de conveniências e tabacarias. O público-alvo dos fabricantes desses produtos são os jovens, e como ainda não existe regulamentação em inúmeros países, é cada vez maior o seu consumo.

Eles surgiram como promessa para quem queria abandonar o cigarro e não conseguia. Na Inglaterra, por exemplo, o governo incentivou seu consumo dentro do programa para o segmento populacional que queria parar de fumar. Os riscos não eram conhecidos na ocasião, mas agora são muitos os casos de complicações e doenças graves dos usuários.

Foi o que aconteceu com Dakota Stephenson, de apenas 15 anos, que começou a fumar com os amigos depois das aulas como forma de administrar seus sentimentos e lidar melhor com a ansiedade. Em apenas sete meses de consumo do produto, a menor estava numa UTI, acometida por uma nova doença pulmonar. De acordo com reportagem da ABC, o caso ocorreu em Sydney, na Austrália.

A doença, que recebeu o nome de “e-cigarette ou vaping product use-associated lung injury” (Evali), foi relatada pela primeira vez nos Estados Unidos, recentemente, mas tem sido detectada em muitos pacientes de diferentes países. Com pulmões inundados de líquidos, a adolescente passou três dias na UTI do Hospital Infantil de Randwick, recebendo oxigênio facial.

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Direitos autorais: reprodução/ arquivo pessoal.

A sua luta para respirar era tão grande, que os médicos chegaram a pensar inicialmente que ela estava com covid-19 em estado já avançado. A jovem já tinha ido ao hospital alguns dias antes, por causa de dor nas costas, dificuldades para urinar, vômitos, rigidez, arritmia e febre que chegava a 39°C.

Com falta de ar, todos os sinais apontavam para uma pneumonia grave nos pulmões. Esse foi o momento em que a adolescente confessou à mãe que vaporizava às escondidas, nos últimos sete meses, até três vezes por semana.

Foi preciso uma semana inteira de intensos cuidados até receber alta; ainda hoje ela não se sente totalmente recuperada, pois apresenta dificuldades para realizar exercícios cardiovasculares, além de apresentar nódulos nos pulmões.

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Especialistas alertam

Desde que o consumo dos cigarros eletrônicos e dos vapes aumentou entre os jovens, sem nenhum tipo de avaliação ou indicação médica, casos de EVALI passaram a ser documentados nos Estados Unidos, em 2019. Mas, até o momento, a doença só tinha sido observada em produtos que continham tetrahidrocanabinol (THC) da maconha e acetato de vitamina E.

Com o susto, as marcas retiraram o aditivo acetato de vitamina E, fazendo os casos desaparecerem por completo no país. Mas os estudos também mostram que 15% dos pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo relataram usar produtos contendo apenas nicotina em seus ingredientes.

Dakota foi o primeiro e único caso da Austrália, e os médicos descartaram uso de THC, o que faz com que nunca saibam a causa da sua doença. Para os especialistas, o vaping não deve ser encarado como uma “busca benigna”, já que podem conter aditivos desconhecidos e pouco testados.

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Substituindo a imagem que os cigarros tinham nas décadas de 1950 a 1980, associados ao glamour e ao status, os vapes e os cigarros eletrônicos têm sido inseridos em públicos cada vez mais jovens. Como seu consumo ainda é recente, poucos países fazem o levantamento correto da porcentagem de usuários.

Na Austrália, desde 2013, tudo indica que o uso desses produtos dobrou entre jovens de 14 a 17 anos e quase triplicou entre o público de 18 a 24 anos. O que explica o fenômeno é que as marcas investiram pesado em propaganda nas redes sociais, com um viés voltado justamente ao status e à percepção do consumidor jovem, que nem sequer consegue discernir o que é e o que é ruim.

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