Família

“Adotei a criança dos meus sonhos: uma menina com síndrome de Down”

Paola, desde muito jovem, sonhava com uma bailarina com síndrome de Down e sempre se perguntava se aquela criança seria sua filha em algum momento.



A adoção é um doce processo, em que as famílias precisam passar por sucessivas etapas antes de ser consideradas aptas a entrar na fila para aguardar a chegada da criança. Nem sempre esse procedimento é rápido, mas assim como uma gestação, é preciso calma para unir famílias, principalmente em momentos tão delicados.

Paola Oliveira, de 33 anos, e seu marido Adalberto já sabiam desde o início do relacionamento que adotariam uma criança. E ela era bem específica com o perfil: uma menina com síndrome de Down.

Foi preciso um pouco de diálogo do casal, já que ele acreditava que a trissomia poderia atrapalhar e limitar a família, mas assim que pesquisou e estudou sobre o assunto, passou a concordar com a esposa.


Em 2019, o casal entrou na fila para adoção e passou a participar de associações de pais de pessoas síndrome de Down, aproximando-se das famílias para que, no futuro, tivessem onde frequentar. Paola tinha a sensação de estar gerando a filha, já que aguardava ansiosamente sua chegada.

Depois de seis meses na fila, os pais estavam liberados para começar a busca ativa, ou seja, podiam entrar em contato com comarcas e juizados por conta própria, procurando a filha. Esse procedimento só é permitido em caso das crianças consideradas “inadotáveis”, as maiores de 8 anos, com irmãos ou com deficiências, como explica a mãe em relato ao Universa, do site UOL.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@paolaccoliveira.

Mesmo com a busca ativa, o casal ainda não conseguia encontrar a filha que tanto desejava, foi quando Paola teve a ideia de fazer um cartaz do perfil da criança e postar nas redes sociais, para que rodasse o Brasil. Um grupo do qual faziam parte acabou informando que uma menina com síndrome de Down estava sendo rejeitada por muitas famílias em Itanhaém, no litoral de São Paulo.


Em março de 2020, eles saíram de Goiânia (GO), onde moravam, e foram ao encontro da menina, bem no início da pandemia. A pequena estava hospitalizada e existiam muitos riscos de andar de avião, ela havia sido abandonada logo após o nascimento e tinha cardiopatia, uma doença que exigia cirurgia.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@paolaccoliveira.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@paolaccoliveira.

Eles a conheceram na UTI, com apenas dois meses, e todos logo perceberam que era um “encontro de almas”. A equipe médica ou que estava responsável pela adoção da bebê chorava, todos choravam, não havia quem não se emocionasse diante daquele momento intenso.


Os novos pais a chamaram de Agnes, e naquele mesmo dia conseguiram sua guarda provisória, voltando rapidamente para Goiânia. Até a cirurgia acontecer, foi preciso paciência e muita conexão entre a família. Agnes era muito magra, precisava engordar, e a família não conseguia dormir, já que sua respiração falhava.

Esse processo foi essencial para criarem um dos vínculos mais fortes e as dificuldades apenas fizeram com que se amassem cada vez mais. A pequena sofreu uma lesão na cirurgia e acabou ficando um mês internada, mas hoje está completamente saudável, com um ano e seis meses.

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