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Agradeça por aquilo que você não tem

Há sempre uma nova viagem um novo amigo, um novo sorriso, um novo amor.

Você já olhou para dentro de si e pensou: Meu Deus, o que vou fazer agora? Respire, acalme-se e apenas espere.


Eu escolhi esperar, dessa vez sem fazer, sem gritar a dor, sem cobrar o amor, sem pedir, sem sofrer, sem reclamar, sem criar situações para encontrar, só aceitando que Deus estava cuidando de mim.

Mas esperei de portas abertas, esperei pela oportunidade de um sorriso, não me tranquei em um quarto escuro ou em um beco desses que a gente se enfia esperando que alguém nos salve.

E há dessas surpresas na vida, entre um gole e outro, decidimos: Vamos ao Rio de Janeiro!


Peguei meu computador e logo esbocei o passeio, Museu do Amanhã pela manhã, Cristo pela tarde, vista do Corcovado ao pôr do sol, a noite jantamos em Copacabana…

Era 26 de Janeiro, eu cheguei no Rio. Brasileiros, argentinos, chilenos, cachorros, musicistas e desenhos. Eu encontrei momentos, não me lembrei de tirar fotos, porque tudo era tão lindo aqui dentro que eu resolvi apenas fazer um filme.

Era Leblon, 11:30 da manhã, e depois de tanta lágrima doce, foi a água salgada do mar que lavou a minha alma, depois de tanto tempo, pela primeira vez, eu não sentia vontade de ir embora, eu não queria ir dormir, eu não queria que acabasse, ou nem tão pouco, me senti sozinha, eu o mar e o Rio.


Eu pude então, parar ali, eu me senti pronta para não pensar em mais nada, em ninguém, sem recursos, eu era capaz de me encarar, sem fone de ouvido ou internet, nada além de mim, e eu senti paz.

As ondas eram fortes, e eu senti o prazer de me deixar levar. E ninguém entendia o porquê de tanta alegria ao ser derrubada pelo mar. Recentemente, a vida me deu tantas rasteiras, que o tombo do mar era só mais um para eu poder levantar.

Sentindo-me assim, a minha única vontade foi correr para compartilhar. E a vida olhava para mim com tanto amor, que me deu pessoas. Cada uma tão diferente da outra, mas todo mundo tão semelhante na vontade de amar. Não tinha inveja, não tinha descaso, não tinha olhares, ou comentários, apenas o “bem-vindo”, que nunca precisou ser falado.

Pessoas que me pediram perdão, pois, de primeira julgaram-me mal (meu Deus, não me lembro a ultima vez que alguém havia feito isso por mim). Pessoas que me lembraram o quanto minha presença é agradável, pessoas que disseram estar feliz por me conhecer, pessoas cantantes, pessoas que riam de si e de mim na maior leveza, pessoas que bebiam cerveja, ou não, mas que sorriam com os 5 sentidos, pessoa de cílios bonitos e de olhos. Pessoas de gargalhada gostosa, pessoa de aparência forte como um Viking, mas coração carioca, atrizes, grávidas, labradores e o mar. Pessoas com sotaque em espanhol para cantar: “Cresça, independente do que aconteça.”

Eram 15:45 e eu me lembrei que não havia almoçado! E essa foi mais uma lição que o Rio me ensinou: não fazer planos é um plano para paz.

E cada surpresa que a vida nos traz é um sorriso que você deixaria de dar se planejasse tudo e não permitisse se surpreender com nada.

A vida de quem só faz planos pode lhe trazer uma única satisfação: a do plano cumprido. A vida de quem não faz pode lhe trazer um milhão de incríveis surpresas. Começamos a aprender lições, cantigas e sorrisos.

E há melhor sensação do que apenas ser?  Você não está, você não tem, você não parece, você não surpreende, você apenas é.
E você se encara, tão metódica e julgadora, ouvindo alguém, que, sorrindo, lhe diz: “Já provou o prazer de viver no caos?”

Então, Deus ouviu o meu desejo, e o sol se pôs era lá “pras” 20:00h. O dia foi mais largo, apenas para combinar com o meu sorriso.

Peguei meu computador e reli o que esbocei sobre o passeio, Museu do Amanhã, não teve! Mas descobri que na vida há sempre um novo amanhã. Cristo pela tarde, ficou para a próxima, mas descobri que Cristo está sempre de braços abertos e cuidando de mim. Vista do corcovado ao pôr do sol, é tão lindo quanto ver o corcovado enquanto o sol se põe, pois não é preciso estar junto para amar e admirar, ás vezes, a distância é o que nos permite ver a beleza de tal forma. À noite, não jantamos em Copacabana, nós nem lembramos de jantar, pois alimentamos nossa alma com música e saímos para dançar.

Eram 03 da manhã e se não bastasse tudo isso, eu agradeci! Eu agradeci por não ter encontrado nada do que os sites de viagens haviam indicado. Os famosos lugares, as paisagens inesquecíveis, a alta gastronomia, nem tampouco encontrei famosos ou bandidos, como haviam prometido, mas agradeci, pois foi na cidade maravilhosa que eu tive o melhor dos encontros: eu reencontrei em mim aquela pessoa maravilhosa que havia deixado naquela dolorida entrega e então apenas senti o prazer do recomeço.

O ministério da saúde mental adverte: Recaídas virão, pero crezca! Independiente de lo que suceda!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / beerphoto14





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