Ah, maria. Que alegria!

Ah, Maria. Que alegria!

Maria pensou dias seguidos em não tirar o pijama. Não queria ver a luz do sol e nem sair do sofá. Acomodou-se em naquele canto e ali se deixou ficar. Dos espelhos, fugia. As pessoas, temia. Não queria conversar. Na verdade, nem mesmo pensar se atrevia. Chorou baixinho e rezou em voz alta, como há muito tempo não fazia.



O encantamento que tinha, desencantou. Logo ela, cheia de vida, pura energia, enfraqueceu. Como uma planta em um vaso, sentiu-se esquecida no apartamento desocupado. O violão ficou mudo. O livro, empoeirado. O celular, desligado. Sem bateria alguma, assim como ela.

Se pôs feia, por dentro e por fora. Esqueceu a maquiagem, o salto alto, onde estava a cabeça. Não lembrou nem mesmo de sua essência. Perdeu-se por completo. Desconfigurou-se e despertou monstros adormecidos. Perdeu o sono. Dormiu em demasia. Revirou-se de um lado para outro. E no balanço do desconforto, renasceu.

Maria jogou o pijama sujo de tanto uso num canto. Abriu as janelas, escancaradamente. Deixou o sol iluminar seu rosto opaco e sua alma abatida. Saiu do sofá e foi para vida.

Ficou orgulhosa de si. Olhou-se no espelho, por várias e várias vezes. Achou-se como não fazia há muito tempo, bonita.


Tirou forças, não sabe nem ao certo de onde. Enfrentou as pessoas. Procurou todos aqueles de quem se escondeu. Monopolizou papos e rodas de conversas. Fez-se ouvir num tom bem acima de sua média. E encantou aqueles que estavam ao seu lado e quem nem ao menos conhecia. Voltou a ser ela, cheia de vida, pura energia, fortaleceu.

Deixou de ser planta em vaso, virou floresta ainda não desbravada, mata virgem por completa. Pegou o violão e entoou sua própria melodia. Escreveu sua história, sem precisar de autor e coautor, se fez pura trilogia.

Ligou o celular, voltou para as redes sociais, fez contatos, reconectou-se. Sua beleza passou a iluminar. Maquiou-se, colocou o vestido guardado para uma ocasião especial. Pintou o rosto e o cabelo, de cores que antes não ousava. Atreveu-se além da conta e tatuou-se.


Passou a relembrar os outros de suas essências, pois a dela, sabia do avesso. Matou monstros com sua arma mais poderosa: sua autoestima. Com ela, ninguém podia. Dormiu menos que devia, não queria perder o tempo que ontem acreditou que não mais tinha. E quando amanheceu mais um dia, novamente, renasceu.

Maria, Maria. Ah, que alegria te saber assim! Sabia que tua história parece tanto com a minha?

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