7min. de leitura

Ah, quer saber? Desisto! Que este ciclo se feche!

Ela havia acabado de terminar um relacionamento conturbado, de muitos altos e baixos. Uma relação de paixão, mas sem cumplicidade e com poucas afinidades. Estava em sofrimento e frustração…sim, porque ela era dessas pessoas intensas que consideram o amor fundamental!

Pedia com todas as forças ao Universo que lhe trouxesse um homem especial, alguém de alto astral, bom humor, gostos semelhantes, afinidades constantes e que, sobretudo, lhe fizesse vibrar, disparar o coração e sentir-se feliz de verdade. Não pedia alguém com posses, mas alguém capaz de manter-se e trabalhar honestamente, que viesse de uma boa família e que primasse pela sinceridade. E claro, que tivesse aquele beijo cheio de certezas de que a química seria verdadeira, e que a intimidade fosse inesquecível!


E como tudo que pedimos com fé e determinação se concretiza, de um aplicativo de relacionamentos ele surgiu: lindo, simpático, agradável, com uma conversa tão boa, daquelas intermináveis. E a surpresa e o frio na barriga do primeiro encontro fizeram-na acreditar, de novo, que o amor ainda era possível. Logo em seguida, uma intimidade tão perfeita, daquelas que fariam esquecer qualquer passado…

A sintonia era total! Desde os poucos amigos, aos filhos de ambos, que tiveram oportunidade de se conhecerem e se entenderem, aos encontros caseiros regados a cerveja, jantares gostosos com pudim de sobremesa, cafés da manhã ou da tarde, os eventos e até a viagem que fizeram juntos.

Tudo era perfeito, ao ponto de sentir gratidão todos os dias por tamanha felicidade. Mas tudo durou pouco e, do nada ele se afastou, sem explicação, sem justificativa, sem consideração nem respeito.

Se há uma relação, ainda que breve e mesmo sem nomenclatura, o certo seria ser transparente e deixar um “adeus” mais digno e menos covarde, ao invés de simplesmente sumir. Mesmo com insistência da parte dela, ele se evadiu com desculpas esfarrapadas: motivos pessoais, crises existenciais, problemas financeiros e sequelas do passado, tentando explicar o que não podia ser entendido. Os fatos poderiam ser diversos, com um leque de possibilidades que lhe faziam refletir que poderia haver uma terceira pessoa, ou que ela era apenas mais uma nas opções dos vários “contatinhos”. A grande dor de não ser suficiente, que dilacera e entristece em grau máximo…


Do mesmo jeito que se foi, ele ressurgiu das cinzas algumas vezes e ela, na síndrome de “amar demais” e na vibe de procurar viver um dia de cada vez, foi se iludindo e aceitando migalhas justificadas pelo amor verdadeiro e sincero que carregava no peito.

E ela sempre se perguntava: por que essa decepção? Por que não sou suficiente? Por que tenho que passar por isso?

Por que não posso ser feliz no amor? Por que ele, ora demonstra que me quer, ora some, sem explicações? O que há de errado comigo? Errei por amar? Errei por fazer o meu melhor? Errei por não cobrar uma postura? Errei por agradar demais? Errou por insistir numa relação sem reciprocidade!

Hoje, finalmente, ela desistiu. Deu o tempo e as chances para que a vida lhe mostrasse se haveria chances de ter continuidade, mas não houve retorno.


Há quem diga que isso é teimosia e perda de tempo. Outros chamariam de insistir em um sonho, de lutar por quem se quer, de valorizar um sentimento único e verdadeiro, forte o suficiente para suportar e enfrentar qualquer coisa.

Ela deixou fluir uma sintonia tão linda, de perder-se naqueles olhos azuis, de não querer perder aquela sensação de paz por estar ao lado dele, daquelas conversas gostosas sem fim, do carinho, da intimidade incrível, da maravilhosa energia trocada que, por mais que soasse como um sonho, era uma doce e breve realidade e ela não queria perder. Queria dar todas as chances de se reiniciar e permitir um recomeço do que tanto queria tornar realidade.

O sentimento, quando é forte e verdadeiro, leva as pessoas a acreditarem que ainda há chances de sucesso, que o momento ruim vai passar, que vale a pena lutar por aquilo que lhe faz tão bem e feliz.

Mas, às vezes, isso é mera ilusão. Se só você se esforça, executa, insiste e o outro lado sequer se move, então vá em frente, enfrente essa dor e conscientize-se de que nada pode ser feito sozinha, se uma relação só funciona a dois.

Não desistimos do amor. Mas insistir sem reciprocidade é perda de tempo, e o resultado é a baixa autoestima. Devemos aprender a desistir do que dói, e não do amor.

O amor sempre vale a pena! Se há consciência de que tudo foi feito e não surgiu efeito, não insista naquilo que não tem mais jeito. Feche esse ciclo, foque nos outros setores da sua vida e faça uma autoanálise de como pode melhorar.

Determine que você é merecedora de algo maior e melhor e que, o que parece ser o fim, simplesmente é o Universo lhe preparando para uma nova história. E que venha!

Afinal, quem está perdendo uma mulher maravilhosa e incrível é ele. Alguém ainda vai dar o devido valor a ela, e vai amá-la de verdade.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / antgor90





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.