publicidade

Ainda que a idade me traga o ritmo lento, não deixarei de dançar!

A elegância cabe em qualquer idade.

Prometi a mim mesma envelhecer jovem.



Treino todos os dias. Observando-me. Não no espelho. Nesse, eu já sei o que me espera: a face desconhecida, que me olha com espanto…

Plano físico faz algumas mulheres enlouquecerem, rejeitando seu novo-velho-corpo.

Comigo, o espanto já tinha sido preparado — bem antes — portanto, é um espanto normal e sem grandes aflições. Aceito as modificações e me habituo com minha nova face. O físico é apenas o veículo que carrega o que sou.


Minha observância e preocupação, maiores, são as mudanças da essência.

Que Deus me salve das garras do mau humor! E que hábitos não me prendam, a ponto de me tirar o sono, se a rotina for quebrada.

Contradigo todos os hábitos do idoso: dormir cedo, acordar cedo, comer no horário, tomar café naquela xícara de anos, dormir no mesmo colchão; e não viajar, com medo dos colchões desconhecidos.


Trago em mim a inquietude do balanço das ondas do mar. Não suportaria sentar-me numa cadeira de balanço, na varanda, na quietude de uma tarde de sol. Só se eu estiver doente…Tenho uma ojeriza congênita pelos dias plácidos, vazios e iguais!

Seguem-se à lista: os rituais repetitivos, as bajulações oportunistas, e a face da indiferença diante das mazelas do próximo.

Entre os objetos que necessito, nunca tive um relógio despertador na cabeceira. Que morram todos os ponteiros, com seu tic-tac irritante, e sua campainha torturante, acordando-me trêmula de susto!

Acordo bem. Jamais perdi a hora diante de um compromisso. Em silêncio, através do despertar suave de meu relógio interior.

Durmo bem. Nada me impede, se tenho sono. Nem a música alta do jovem vizinho, nem a bola da criança, que bate insistente no meu muro. O mundo é uma constante música de barulhos e busco adaptar-me ao que não posso impedir com minha rabugice de velha.

Um amigo disse-me, um dia, que as mulheres, ao entrarem na terceira idade, adotam o estilo masculino. Todas cortam os cabelos bem curtinhos e passam a usar blusões largos, com golas, mangas e sapatilhas. Sem falar no bigode, fios bobos e a voz que engrossa. Isso foi dito quando eu era bem jovenzinha, e nunca esqueci.

Tomara que meu amigo tenha Facebook e perceba que já não existem mais velhas…Umas são até mais bonitas do que algumas jovens que conheço. Com raras exceções, outras, no desespero de segurar a juventude, corrompem-se em posturas ridículas, beirando a vulgaridade.

A elegância cabe em qualquer idade.

Não usaria hoje a minissaia de roqueira que já usei um dia. Nem pintaria meus olhos como se fosse um rabo de pavão. Mas, para contrariar meu amigo, não cortarei os cabelos e nem usarei blusões e sapatilhas, numa festa.

Se eu viver, até carecer de uma bengala, lá estarei no toc toc; da bengala e dos sapatos de saltos!

Minha vestimenta e os acessórios que usarei são apenas detalhes. Faz bem ao ego (toda mulher tem um) ouvir elogios. Mesmo aqueles que me dizem, nas entrelinhas: “você está uma velha bonita”.

Isso não basta! Minha voraz preocupação é: impedir-me de ser uma idosa rabugenta!

Dessa que ninguém suporta por mais de dez minutos.

Dessa que vive exalando queixas e negatividade.

Dessa que vive afastando todos– até os filhos — com cobranças descabidas, enumerando defeitos sem apontar as qualidades.

É isso! Quero ser uma velha apaixonante e apaixonada pela vida. Dançando, cada vez que houver uma oportunidade, mesmo que o ritmo seja mais lento.

Sorrindo e sendo agradável, mesmo quando me doer o reumatismo. Mesmo quando me doerem outras dores.

Lutarei até meu último instante, para que minha alma seja de uma velha jovem!

____________

Direitos autorais da imagem de capa: aletia / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.