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Alencar e os tempos velozes…

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Tenho lido alguns livros nesse ano. Minha meta é aproveitar e ler todos os livros que um dia eu comprei até agora. Imaginando que seria legal saber o discurso do autor e viajar por aquele mundo mágico e filosófico. Portanto, dos que tenho, vou ler bem mais que sessenta livros (mais ou menos), espero não passar vergonha e poder acrescentar esse conhecimento para esta coluna tão especial e para vocês, futuros escritores.



Num livro que estou lendo, “Senhora”, 1875, de José de Alencar, percebemos os valores da sociedade moderna, do século XIX. O escritor retrata um personagem elegante, sensível e envolvente, que será para nós foco principal dos fatos e acasos que ocorreram ao longo do romance. Mais espetacular ainda, é a maneira como noções românticas de amor e valor, assim como noções sociais de lealdade e honra, ainda faz refletir e demonstra aspectos que não mudaram na nossa sociedade atual.

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Alguns dizem: “Os valores se inverteram, ficaram mais rasos e fluidos”. Na verdade, descobrimos novos valores. O amor à família ainda existe, mas ocorre uma nova perspectiva de família, de sociedade, ou do próprio amor.


Portanto evidencio aqui um embate no tempo, temos a cultura proposta por Alencar no séc. XIX e temos a nossa própria cultura do sec. XXI. Entramos numa época de rapidez, um mundo mais comunicativo, mais sintético e plural. Como diria o filósofo e educador Mario Sergio Cortella: “O mundo está mudando. Mas a novidade não é a mudança do mundo, porque o mundo sempre mudou. A novidade é a velocidade da mudança. Nunca em toda história humana se mudou com tanta velocidade. Aliás, a velocidade é tamanha que mudou a nossa noção de tempo. ”.1

Ao mesmo tempo que os mesmos questionamentos reaparecem nos tempos atuais. Portanto devemos entrar num período de reflexão e compreensão de nós mesmos, não ficarmos isolados, mas com o rememoração a reflexão se tornará transformação para o entendimento desse século. Aqui aponto sobre as relações sociais.

Acredito que este trecho do livro possa esclarecer minha reflexão: “Era incapaz de apropriar-se do alheio, ou de praticar um abuso de confiança; mas professava a moral fácil e cômoda, tão cultivada atualmente em nossa sociedade. ”2 ou então neste outro trecho: “Seixas pertencia a essa classe de homens, criados pela sociedade moderna, e para as quais o amor deixou de ser um sentimento e tornou-se uma fineza obrigada entre os cavalheiros e as demais de bom-tom. ”.3

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Portanto entraremos num momento de reflexão. Nossos relacionamentos estão começando sem um sentido forte o bastante para mantê-los e aprendermos com eles. Ao mesmo tempo que nossa noção de tempo se esvai, ou seja, parece que vivemos muito em pouco tempo, tornando a nós arrogantes. Rememorai, venham ver o novo tempo, o passado os impulsiona, mas o espírito da humildade e do amor brilhará na escuridão dessa era.

1 CORTELLA, Mario Sergio; “Qual é a tua Obra? ”, 24. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, p. 80, 2015. – 2 ALENCAR, José de; “Senhora”, 35. ed. São Paulo: Ática (Bom Livro), p. 60, 2009. – 3 ALENCAR, José de; “Senhora”, 35. ed. São Paulo: Ática (Bom Livro), p. 60, 2009.

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