Alguém vai dizer que o amor deles não era amor

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Quando perguntam o motivo do rompimento, ele diz que não sabe a resposta. Diz que ainda está entendendo.

Não sabe se o espanto de quem escuta isso é pela falta de lógica da explicação ou por não acreditar que estão separados.



Quem viu o amor deles crescendo, não acredita que agora cada um vive num extremo da cidade. Quem viu o amor deles, dizia que era aquele “casal perfeito”, que reacendia a fé no amor.

Comparado às recentes uniões de novela, mal sabiam os espectadores, que o amor deles não tinha nada de cênico. Era dentro da normalidade louca que cada casal inventa para si.

Eles achavam uma bobagem o que diziam sobre o amor deles, que nem de longe era perfeito. Eles nunca quiseram o amor perfeito, só faziam o possível para que desse certo. Até que alguma coisa mudou.

Começaram a cavar as próprias distâncias com a pá da indiferença e, vivendo sob o mesmo teto, criaram abismos. O “depois” passou a ser o mantra daquela relação. “Depois eu faço”. “Depois eu converso”. “Depois”. Não havia mais encontros urgentes, o amor apressado pelo desejo foi atropelado na via da discórdia.


As palavras diminuíram, ficaram ofensivas. Práticas demais. O tempo escasso transformou-se na desculpa perfeita para diminuir o cuidado. As surpresas, as embalagens de fitas e as homenagens para celebrar as conquistas diárias, cessaram. O amor deles acabou.

Alguém vai dizer que o amor deles não era amor. Que o amor verdadeiro não acaba, mas nada permanece sem manutenção.

Os edifícios sem a devida inspeção, despencam. As pontes apresentam fissuras e se não houver reforço nos alicerces, em pouco tempo, estarão no chão. Assim acontece no relacionamento amoroso, a estrutura construída diariamente, sem respeito e afeto começa a dar sinais de desgaste. Vai ruindo aos poucos, diante do descaso daquele que não demora mais o olhar dentro do olhar do outro. Daquele que esquece de abraçar e dar as mãos, e já não demonstra interesse pela rotina do outro. Não pergunta se almoçou, nem se jantou ou se foi e voltou bem.

“Ah, bobagem! Dirão os mais “práticos”. Com essa “pequena” lista de “bobagens” constrói-se a receita infalível para o fim do amor.



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