AmorColunistasRelacionamentos

Alquimia do amor…

Querida Quimia:



Quero condensar nesta carta tudo o que sinto por você, pois é notório que ocorreu uma mudança nos nossos estados físicos e emocionais. Suplico que não deixe nossa paixão se evaporar, pelo contrário, façamos com que ela se solidifique cada vez mais. Rememore o quão sublime é a fusão de nossos corpos.

A nossa história é tão bela! Na primeira vez que nos conhecemos logo notei a química que havia entre nós. É como se nós tivéssemos encontrado uma porção que fizesse com que nossa paixão nascesse como produto de uma alquimia rara. É certo que nossa relação teve muitas mudanças, mas também é correto afirmar que, “nada se perde, tudo se transforma”, e então renascerá a paixão existente entre nós.

O nosso amor é indivisível como o Modelo Atômico de Dalton, e por isso não fique zangada comigo por não ter gostado do seu Pudim de Passas, mesmo porque, a força de atração que há entre nós faz-me lembrar um elétron girando em torno do núcleo, que é você. Em você apenas vejo cargas de energia positiva e ao mesmo tempo uma neutralidade que equilibra nossa relação.


alquimia do amor 1

Quanto mais próximo de você eu estou, mais energia eu libero; e quanto mais afastado de você, mais instável eu fico.

Eu sei que a nossa relação às vezes se torna um pouco iônica, ou seja, deixa de ser neutra. Por exemplo, lembra quando aquele homem interferiu na nossa vida, e então esta virou um ânion? E aquela outra vez que eu pulei a cerca, e ela se tornou um cátion? Mas, vencemos todas as camadas e subníveis num sentido energético crescente. Com isso, é notório que o símbolo da nossa relação esteja na possibilidade de evoluirmos energeticamente em períodos ou colunas, para então, tentarmos fugir da monotonia.

No decorrer da nossa relação pude perceber a evolução da nossa intimidade.


Era como se ela fosse ficando cada vez mais complexa, partindo de uma unidade básica até formar moléculas cada vez maiores de paixão, posteriormente gerando a substância do amor que há entre nós. Quero que esta paixão tenha uma aparência uniforme em toda a sua extensão. É como se, basicamente, nós fôssemos uma mistura homogênea, e não um sal depositado no fundo de um recipiente.

Também, pensando numa provável futura demonstração do meu amor por você, estou me esforçando ao máximo para angariar uma boa quantia através de uma poupança forçada. Com esta fortuna, espero quando estivermos bem velhinhos, presentear uma joia como você com um diamante duro e não um grafite mole, apesar de ambas as substâncias serem alotrópicas. Mas, antes de alcançarmos o estágio dos cabelos brancos, o amor de nós reagentes promete gerar produtos vivos, frutos de reações endotérmicas e exotérmicas.

Apesar das suas propriedades gerais como massa e volume, não permanecerei como outrora, meus sentimentos revelam que suas propriedades específicas – sabor, odor, textura e brilho – continuam as mesmas; o que torna nossa relação ainda mais inflamável, como os hidrocarbonetos. Portanto, há de se notar que essas transformações processuais não alteram de maneira profunda a natureza da sua efervescência original.

Nossa relação é sólida como os metais, salvo o mercúrio. Também como os metais, nossa relação conduz calor e eletricidade, embora você não esteja tão maleável como ocorre com os ametais. De fato, podemos concluir que nossa união é de semimetal, uma vez que possui características híbridas.


Ressalto que, tratando-se de casais normais e saudáveis, uma relação não pode se repetir de período em período, seguindo as propriedades periódicas. Devemos evitar essa monotonia, permitindo brotar a atomicidade do nosso amor. Façamos com que, seja crescendo ou decrescendo, nós aprendamos com nossos erros, tal qual nas propriedades aperiódicas.

Hélio, aquele seu ex-namorado, e todos os outros: Radônio, Xenônio, Neônio, Criptônio e Argônio, todos eles são nobres, mas eu sou como o hidrogênio, sou único. Eu como seu hidrogênio, gostaria de fazer ligações covalentes com você, todavia, não a dativa. Há de se considerar que aqueles seus ex-namorados não conseguem nem fazer ligação. O único que sabia fazer alguma ligação era aquele Holandês que você conheceu na Praia do Forte, o Van Der Waals, que só tinha força nas geladas águas dos Países Baixos; aqui na nossa terra, ele não consegue vencer minhas pontes de hidrogênio, que são mais fortes e másculas.

ALQUIMIA DO AMOR - FOTO DE CAPA

A vida é um constante ciclo de perdas e ganhos, e para que essa se harmonize, faz-se necessário conjugar nossos ânions e cátions realizando uma ligação iônica. Então, dissolvidos no fluido do amor, conduziremos eletricamente nossas vidas, alcançando altos pontos de ebulição e, principalmente, fusão.


Alienante seria encarar nosso amor de forma linear. Devemos sim, evoluir e ampliar nosso ângulo de visão e encará-lo de forma piramidal ou tetraédrica. Visões intermediárias como a trigonal plana e angular devem ser descartadas.

Amor sublime amor, sempre que você precisar desabafar, me procure, você sabe onde me encontrar; estarei no meu orbital. Quimicamente falando, posto que não é o grafite mole que risca o papel, mas sim o papel que risca o grafite mole, e que desejo economizar papel para ter a quantia necessária para adquirir seu diamante, finalizo agora, declarando que a intensidade do nosso amor é diretamente proporcional a complexidade das teorias de química do sábio Azoto Hidrogênio.

Alma gêmea não é ser igual. é ser oposto de cada um!

Artigo Anterior

Assuma seu posto de Deus do seu mundo e veja as maravilhas que podes fazer!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.