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“Fui trocar de roupa e um funcionário disse que não era lugar de homem”

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Uma jovem trans de 17 anos denunciou ter sido proibida de usar o banheiro feminino da escola pública estadual onde estuda, em Itapissuma, no Grande Recife.



Segundo a aluna, que preferiu não ser identificada, a ordem partiu do diretor da instituição, que se apresenta como integrante de uma igreja evangélica. “Fui trocar de roupa e um funcionário disse que não era lugar de homem afirmou.

Diante dessa denúncia, os alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Euridice Cadaval realizaram um protesto, nesta quinta-feira (28).

Além de transfobia, eles afirmaram que estão ocorrendo casos de assédio sexual e intolerância religiosa na unidade de ensino.


Os colegas da jovem trans usaram faixas, cartazes, apitos e batuques para chamar a atenção da Secretaria de Educação de Pernambuco.

No ato, os estudantes exigiram que a aluna transexual tenha direito de usar o banheiro feminino da escola e pediram que a conduta de um professor seja investigada.

Segundo os estudantes, há relatos de alunas que dizem ter sido assediadas sexualmente por ele. Além disso, os jovens criticaram a exclusão das religiões de matrizes africanas e católica de um evento religioso, que, em outras ocasiões, reuniu todas as religiões.

A aluna trans contou ao g1, por telefone, que, na gestão anterior, o diretor tinha perguntado se ela usava o banheiro feminino.


“Eu expliquei que eu era uma mulher trans e não me sentia confortável em usar o banheiro masculino. Ele me deixou usar o banheiro feminino e não teve nenhum problema”, lembrou.

Ainda de acordo com a estudante, após a mudança na gestão da escola, ela foi chamada alertada, pela primeira vez por um funcionário, quando deixava o banheiro das mulheres.

A jovem relatou que, na quarta (27), a abordagem foi mais severa e que o diretor, acionado pelo funcionário, a proibiu definitivamente de usar o banheiro feminino.

“Fui para o banheiro trocar de roupa e um funcionário viu e veio gritando. Disse que era lugar de mulher e que eu estava no banheiro errado. Rebati, dizendo que era uma mulher trans e que era meu direito usar o banheiro feminino. Ele chamou o gestor, que me chamou até a sala dele e disse que o que eu fiz foi muito errado, que eu era homem e estava no banheiro feminino”, contou.


A estudante afirmou que explicou ao diretor que era uma mulher transexual e não um homem, mas que ele insistiu que ela só poderia usar o banheiro masculino ou o de serviço. “Ele disse que a gestão passada era liberal demais”, afirmou.

No dia em que a estudante foi proibida de usar o banheiro feminino, foi realizado na unidade um evento que antes era chamado de “festival de religiões”, mas que a nova gestão, segundo os alunos, mudou para “festival cristão”.

Assim, informaram os estudantes, a direção impediu que religiões de matrizes africanas e católica fossem representadas no evento.

“Sou do candomblé e também não achei certo a minha religião e de outras pessoas não poder ser representada”, observou a estudante.


Outro aluno da unidade de ensino, também de 17 anos, contou que, durante o protesto, um professor foi hostilizado e retirado da escola por causa de relatos de assédio sexual.

“Ele foi acusado de assédio por várias alunas, de passar a mão nelas, de abordar a prática sexual de forma ofensiva e constranger. São dezenas de relatos”, disse.

Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) os estudantes, que tem menos de 18 anos, não foram identificados.

Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação de Pernambuco informou que a Gerência Regional da Educação Metropolitana Norte abriu um inquérito administrativo para apurar as denúncias feitas pelos alunos e que uma comissão da regional está acompanhando o caso e apurando com todos os envolvidos.


Os estudantes, acrescentou o governo, foram ouvidos nesta quinta. Ainda de acordo com a secretaria, uma reunião do conselho escolar foi marcada para a quarta-feira (3), para discutir o que será feito na instituição.

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