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Evolução: Novo método identifica Alzheimer até 17 anos antes dos sintomas surgirem!

Foto: Depositphotos.com.
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Um estudo alemão deste ano comprovou que a doença de Alzheimer pode ser identificada antes mesmo dos sintomas!

Caso não saiba, o Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais frequente que existe na espécie humana, segundo o UOL. Pacientes com a doença têm a memória, o comportamento e outras funções mentais afetados de forma progressiva. Felizmente, há pouco tempo, cientistas da Universidade de Bochum, na Alemanha, descobriram que alguns biomarcadores no sangue conseguem indicar o Alzheimer 17 anos antes dos sintomas aparecerem, de acordo com o comunicado à imprensa.

Publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, em julho de 2022, os pesquisadores acreditam que o método pode ser importante para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a doença. Apesar de não existir a cura para o Alzheimer, quanto antes o quadro for identificado, melhor para o paciente, que pode ter mais controle dos sintomas e ter uma evolução mais lenta da neurodegeneração.

Segundo o comunicado da Universidade Bochum, o professor Klaus Gerwert, diretor fundador do Centro de Diagnóstico de Proteínas (PRODI), disse que o objetivo da pesquisa é determinar o risco de desenvolver a doença em um estágio posterior com um simples exame de sangue, antes mesmo das placas tóxicas formarem-se no cérebro, além de garantir que a terapia possa ser iniciada a tempo.

Liderado por Gerwert e Hermann Brenner, os cientistas analisaram uma pesquisa anterior chamada “ESTRER”, do plasma sanguíneo dos participantes, que na época tinha entre 50 e 75 anos e ainda não haviam sido diagnosticados com Alzheimer. As amostras foram colhidas entre 2000 e 2002 e depois congeladas. Para o estudo atual, foram selecionados 68 participantes que haviam sido diagnosticados com doença durante os 17 anos de acompanhamento e comparados com 240 indivíduos de controle sem esse diagnóstico. O sensor imuno-infravermelho foi capaz de identificar que, mais tarde, 68 sujeitos de teste desenvolveram a doença de Alzheimer com um alto grau de precisão do teste.

Assim, a avaliação das pesquisas em conjunto demonstrou uma grande capacidade de prever o risco clínico do Alzheimer. Os cientistas ainda acreditam que o sensor imuno-infravermelho desenvolvido pode ser incorporado ao diagnóstico do paciente, bem como reduzir os custos relacionados aos exames existentes para identificar a doença. Além disso, a detecção precoce pode, no futuro, levar a intervenções médicas, antes dos danos no cérebro acontecerem, o que impediria o Alzheimer.

Os cientistas também acreditam que a técnica pode ser eventualmente utilizada para identificar biomarcadores de outras doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Por ora, o plano é usar o método para estabelecer uma triagem para idosos e determinar seu risco de desenvolver a demência de Alzheimer.

Ainda de acordo com o comunicado da Universidade Bochum, Léon Beyer, primeiro autor e aluno de doutorado da equipe de Klaus Gerwert, afirma que o momento exato da intervenção terapêutica se tornará ainda mais importante no futuro. Ademais, o sucesso de futuros testes com medicamentos dependerá dos participantes do estudo, que precisam ser caracterizados corretamente e ainda não apresentarem danos irreversíveis no início.

Análise especialista

Ao O Globo, o neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Adalberto Studart Neto, também membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), disse que o Alzheimer é causado quando as placas de duas proteínas se acumulam no cérebro e leva ao processo neurodegenerativo, além de promover o declínio das funções cognitivas.

Adalberto Studart Neto considera que esse será o principal benefício da nova técnica para diagnóstico precoce. Ele explica também que, atualmente, como o diagnóstico envolve apenas os sintomas que os pacientes observam, tudo pode mudar com novos medicamentos. Para o neurologista, os critérios do quadro clínico de Alzheimer não são 100% específicos, mas como o tratamento envolve apenas os sintomas, não há muita diferença na prática. Entretanto, com o avanço de novos medicamentos que atuam sobre as placas de proteína, os métodos como o do estudo alemão é muito importante para se ter um diagnóstico mais preciso.


*Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.