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Amar sem apegos é amar com liberdade, é respeitar o outro e abandonar a dependência

Desapego é quando consigo deixar o outro ser ele mesmo, ainda que isso me leve a sentir falta, saudade… Já o desinteresse denota desamor.



Lendo o romance “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen, logo no início, uma das mocinhas dá um conselho a outra jovem, dizendo: “São poucos os que têm o coração bastante firme para amar sem receber alguma coisa em troca.”

O livro foi escrito no século XVIII e podemos concluir que, desde aquele tempo (e talvez por todo o sempre), amar de forma desapegada é difícil, e algumas pessoas farão de tudo para manter aqueles que amam por perto, atadas a eles por um nó tão firme que acabará por sufocar o amor.

Assim, aprender a amar de forma desapegada é uma maneira de amadurecer, de descobrir a própria individualidade, de rever as questões mais profundas do passado e dar novo significado ao medo do abandono e solidão.


É claro que acredito no valor da reciprocidade, de cuidar dos relacionamentos com interesse e atenção, de cultivar alegria e afeição no dia a dia, mas isso tem que ser espontâneo, voluntário, natural. Pois como diz o coach de relacionamentos, Arly Cravo: “Amor é de graça, se não for, é favor.”

Amar alguém não pode ser uma relação de posse, de domínio e controle do outro, de desejar que o outro corresponda às minhas expectativas, de cobrança por atenção e carinho.

A convivência saudável só acontece entre duas pessoas que escolheram estar juntas por livre e espontânea vontade, e não entre uma que evita a relação a todo custo enquanto a outra busca e até exige um comprometimento que o(a) parceiro(a) não pode ou não quer ter.

Há muita confusão por aí. Cada pessoa entende o amor de uma forma diferente, pois essa concepção pessoal não se instalou no hoje, e sim naquelas memórias muito antigas que carregamos dentro da gente e que nem sempre temos consciência do quanto ainda nos afetam. Assim, o que entendo como amor não é o mesmo que você entende, e na hora de nos relacionarmos, posso estragar tudo cobrando algo de você que você não pode me dar. Algo que para mim é amor, mas que para você é algo completamente oposto.


Muitas vezes, apontamos o dedo para o outro, dizendo: “Ah, mas se você me amasse de verdade, você faria assim ou assado…” Porém, para o outro, essa pode não ser, nem de longe, uma manifestação de afeto. Portanto, nem sempre nos relacionamos com o outro, e sim com projeções de nós mesmos. E exigimos que o outro faça o que nós mesmos faríamos no lugar dele. Porém, não é assim que funciona. E, se queremos amadurecer realmente, vamos ter que entender que teremos que aprender a lidar com as diferenças e aceitá-las, sem tentar mudar ninguém, sem tentar transformar ninguém em um reflexo de nós mesmos.

Desapego é quando consigo deixar o outro ser ele mesmo, ainda que isso me leve a sentir falta, sentir saudade, sentir vontade de estar junto mais vezes do que o outro sente. Ninguém tem necessidades iguais, e não posso exigir que alguém sinta a minha falta tanto quanto eu sinto sua falta. O que posso fazer é tentar me desligar um pouco também, não através de joguinhos de poder, mas cuidando mais de mim, aproveitando a companhia de outras pessoas, envolvendo-me com outros interesses.

É claro que existe uma linha tênue entre desapego e desinteresse.

Desapego não é desamor, e sim uma maneira de viver respeitando a própria individualidade, o próprio tempo, as próprias necessidades, e não exigir que o outro viva de acordo com meu tempo e minhas regras. Já o desinteresse denota desamor.

Pois no desinteresse a pessoa não se vincula, ela se desliga da vida do outro por completo, só aparece quando deseja se beneficiar de alguma maneira, não acrescenta nada de bom à vida da outra pessoa.

É preciso cuidar das relações com carinho. Porém, as pessoas têm concepções diferentes do que significa amar. Respeitar e aceitar a maneira do outro de se doar pode ser a chave para uma convivência verdadeiramente amorosa, nunca nos esquecendo de que a melhor maneira de segurar alguém é soltar essa pessoa.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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