Comportamento

O estado do Amazonas sabia, desde novembro, que o oxigênio nos hospitais era insuficiente

o estado do Amazonas sabia desde novembro que o oxigenio nos hospitais era insuficiente

Documento oficial confirma o conhecimento prévio da pouca disponibilidade de oxigênio. Saiba mais!



Nas primeiras semanas de janeiro, uma grande crise na saúde eclodiu no estado do Amazonas. Os cilindros de oxigênio, em diversos hospitais da capital Manaus, acabaram e geraram uma onda de desespero de profissionais e familiares dos internados, e muitos dos pacientes chegaram a perder a vida pela falta de oxigenação.

Notícias sobre a situação caótica do estado se espalharam pelo Brasil inteiro e motivaram ondas de generosidade, com a criação de campanhas para doação de oxigênio e de outros equipamentos de saúde. Diversos famosos ajudaram, como o comediante Whindersson Nunes e o cantor Gusttavo Lima.

No entanto, apesar de a situação ter começado aparentemente de forma inesperada, segundo o Correio Brasiliense, a Secretaria de Saúde do Amazonas já sabia que a quantidade de oxigênio nos hospitais não seria suficiente para atender os pacientes desde a última semana de novembro de 2020.


O portal explicou que o estado possui um contrato para aquisição de gases medicinais do sistema de saúde com a empresa White Martins, desde 2016, e que o valor mensal é de R$ 1,3 milhão.

Inicialmente, o acordo previa o atendimento de até dois mil pacientes respiratórios.

Antes da pandemia, em 2018, a secretaria assinou dois contratos aditivos com a empresa, que acresciam 3,1% ao valor. Levando em consideração que o teto permitido é de até 25% (acumulado) em cada contrato, restavam ainda 21,9% de margem para adquirir insumos em 2020, sem precisar de um novo processo de contratação.

No entanto, o estado usou toda essa margem na última compra, em novembro do ano passado. Na época, a pasta ainda pedia urgência na inclusão do Hospital Geraldo da Rocha, na capital, na lista de unidades atendidas.


No mesmo documento, a secretaria informou que os casos de covid-19 estavam em alta e que o oxigênio disponível não seria suficiente para atender à demanda. Segundo informado pelo Portal da Transparência do Amazonas, o aditivo continha o pedido de 307 mil m³ de oxigênio líquido e 6,1 mil m³, na forma de gás, para pacientes internados com coronavírus. Além disso, outros gases hospitalares foram comprados para procedimentos médicos diversos.

O Estadão conversou com Marcellus Campêlo, secretário de Saúde estado, o qual afirmou que o consumo de oxigênio no Amazonas saltou de 14 mil para 30 mil m³ por dia, durante o primeiro pico, em 2020, mas que no começo deste ano, esse número aumentou para 76,5 mil, o que prova que o oxigênio comprado pela secretaria só duraria quatro dias.

O Departamento de Logística do estado apoiou a compra de mais insumos, o que extrapolaria o aditivo em 46,9%, mas o pedido foi negado em despacho da Secretaria de Gestão Administrativa do Amazonas, segundo o documento da secretaria.

Procurada pelo Estadão, a empresa White Martins disse que poderia atender ao Amazonas em maior quantidade de produtos, caso constasse em seu pedido. A empresa ainda afirmou que, no primeiro dia do ano, tinha quantidade suficiente de produtos para abastecer os hospitais da região pelo período de sete ou oito dias.


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