Pessoas inspiradoras

Ambientalista de 110 anos, que não pôde ter filhos, decidiu plantar 8 mil árvores e se tornou referência

Ela já chegou a pensar em encerrar a própria vida por não conseguir gerar filhos, mas ao invés disso, criou um propósito e passou mais de sete décadas plantando árvores em vários lugares.



Algumas pessoas vêm ao mundo com um propósito muito maior que a própria existência. Realizando feitos grandiosos e tomando atitudes que ninguém mais, na mesma posição, conseguiria, são indivíduos considerados vanguardistas, “à frente do seu tempo” e sempre dispostos a doar o que têm para garantir um mundo melhor para todos.

É difícil encontrar pessoas dispostas a se sacrificar pelo próximo, que compreendem que sua experiência na Terra não pode se resumir a bens financeiros e posses, e sim às experiências que temos e com quem convivemos.

Thimmakkais, também chamada de Saalumarada Thimmakka, é reconhecida no mundo inteiro justamente pelos mais de 70 anos que dedicou às causas ambientais. Nascida em Tumkur, uma importante cidade industrial na Índia, ela começou a plantar figueiras-de-bengala aos 40 anos, quando descobriu que não poderia ter filhos.


A incapacidade de gerar levou a pensar em encerrar a própria vida, mas junto com seu marido, decidiu fazer do reflorestamento um propósito de vida. O casal começou plantando 10 mudas de banyan, um tipo de figueira, em cada lado de uma estrada, num trecho de quatro quilômetros, no primeiro ano.

Cada vez eles plantavam mais e mais mudas, cuidando de cada uma como se fossem os filhos que nunca tiveram. Foram mais de 8 mil árvores cultivadas por ela e pelo marido, figueiras que desafiavam o solo seco do local, mas que vingavam por conta do esforço deles a cada nova muda que colocavam na terra.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@saalumarada_thimmakka.

Assim como milhões de outras pessoas pobres, Thimmakka não conseguiu frequentar a escola, já que precisou, desde a tenra idade, pastorear ovelhas e bovinos, além de não haver nenhuma instituição educacional próxima à sua comunidade. O trabalho era pesado para os adultos, mesmo assim ela precisava ajudar a complementar a renda da família, que estava muito abaixo da linha da pobreza.


Com o passar dos anos, Thimmakka se casou com Sri Bikkala Chikkayya e juntos encontraram sentido em plantar árvores. Mas os dois não apenas plantavam, eles tinham todos os cuidados necessários para que todas vingassem, cercando, regando e protegendo-as. As figueiras que o casal cultivou são muito importantes em seu país e valeriam uma boa quantia, mas a ambientalista nunca aceitaria dinheiro por elas.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@saalumarada_thimmakka.

Por isso, Thimmakka ainda leva uma vida pobre e depende de um auxílio que o governo lhe paga, que nem sequer chega a R$ 100, sua única fonte de renda. Ela e seu marido tinham o hábito de caminhar mais de quatro quilômetros carregando quatro baldes de água, regularmente, para regar todas as plantas. Seus poucos recursos foram usados no cultivo das figueiras, e seu plantio não ajudou a melhorar sua condição financeira.

Thimmakka já recebeu o Prêmio Nacional de Cidadão da Índia e foi reconhecida pelo governo, em 2019, quando foi agraciada com o Padma Shri, o maior prêmio civil do país. Uma organização ambiental também carrega seu nome nos Estados Unidos, chamada Recursos de Thimmakka para Educação Ambiental.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@saalumarada_thimmakka.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@saalumarada_thimmakka.

Cinco anos depois da morte de seu marido, em 1995, Thimmakka começou a ser reconhecida pela sociedade, mas seguiu seus planos cuidando das árvores. Atualmente, quem continua seu legado é o filho adotivo Sri Umesh, que tem plantado árvores e cuidado delas ao longo de estradas, escolas, locais públicos, montanhas e colinas, além de distribuir mudas para agricultores e pessoas interessadas no cultivo.

Mesmo tendo 110 anos, Thimmakka não pretende parar de tentar melhorar o mundo, agora sua meta é construir um hospital perto de sua aldeia Kadur. Ela tem se envolvido em acordos com as autoridades locais, pedindo terrenos e a aprovação do seu projeto, que não tem encontrado nenhuma resistência, já que na região não existe nenhum tipo de socorro médico.


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