Ame para transbordar, não para preencher vazios com mais vazios

O amor é algo que todos nós desejamos e precisamos em nossas vidas, em vários níveis. Não fomos feitos para ficar sozinhos, por isso estamos sempre em busca de pessoas para amar, pessoas com as quais podemos dividir nossas vidas e compartilhar momentos bons e ruins.

Muitas pessoas parecem abençoados com a sorte de encontrar companheiros (as) especiais com uma certa facilidade, mas a grande maioria se sente perdida e abandonada, perguntando-se porque não são contempladas com um amor saudável e verdadeiro.

A razão pela qual muitas vezes nos vemos estagnados no mundo do amor é porque tentamos estar no controle de nossas vidas amorosas, assim como de outras áreas da vida. Queremos controlar cada pequeno resultado e não nos permitimos seguir o fluxo natural das coisas. Como consequência, apenas nos decepcionamos e machucamos, porque raramente as coisas acontecem do jeito que queremos.

A verdade é que não cabe a nós controlar quando o amor entra ou sai de nossas vidas, as coisas acontecem no momento em que devem acontecer. Tudo o que podemos fazer é viver ao máximo todos os momentos, para que quando o amor chegue, seja para nos complementar e não se tornar o único pilar de nossas vidas.

Muitas pessoas não têm paciência para esperar o amor ideal e acabam se envolvendo em relacionamentos falidos, tóxicos ou abusivos, apenas para não estarem “sozinhas”. No entanto, isso não funciona, apenas acaba trazendo mais tristeza e infelicidade.

Antes de termos um relacionamento que nos complemente, precisamos aprender a ser felizes sozinhos, porque não é missão de nenhuma outra pessoa nos fazer sentir completos.

As pessoas em nossas vidas devem somar, contribuir com algo que já existe. Tornar um outro alguém responsável por fazê-lo feliz é uma maneira fácil de se decepcionar.

Precisamos estar seguros de quem realmente somos, do que queremos e não queremos em nossas vidas. Quando temos um forte senso de nós mesmos, não permitimos que influências externas nos manipulem e sabemos lidar melhor com as desilusões amorosas, os relacionamentos que pensamos que seriam para sempre, mas que acabaram terminando.

Quando nossos amores não evoluem como esperado, somente conseguimos aceitar a realidade, se tivermos confiança em nós mesmos, em nossas forças e capacidade de sermos felizes.

A filosofia budista possui um conceito que complementa esse assunto, o conceito da impermanência. De acordo com esse conhecimento, nossa realidade não é concreta e constante. Pelo contrário, nossas vidas estão sempre mudando, e nós precisamos acompanhar essa mudança, porque ao ficarmos presos a um lugar específico, acreditando e aceitando apenas um tipo de amor, fazemos um desfavor a nós mesmos.

Assim como nossas vidas, nós estamos constantemente mudando, e é essa mudança que nos torna mais sábios e exigentes (de uma forma positiva), na nossa busca de amor, companhia e estabilidade. Precisamos entender a nossa importância, o nosso valor.

O budismo nos ensina que nossas almas são as únicas coisas das quais podemos “depender”, e que buscar gratificações externas quando estamos cheios de necessidades não satisfeitas, apenas nos coloca em um caminho prejudicial. Nós devemos ser nossas principais prioridades, e quanto aprendemos isso, conseguimos compreender o quanto é inútil buscar coisas que podem mudar em um piscar de olhos.

Conforme trabalhamos o nosso desenvolvimento pessoal, aprendemos a aceitar quem realmente somos e a sermos felizes com nós mesmos, o que ajuda a eliminar o desespero de amar alguém. Nós nos tornamos mais maduros e autoconscientes, compreendendo tudo o que podemos alcançar com nosso próprio poder.

Nesse contexto, o amor chega até nós com mais força e verdade.



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