Comportamento

Mãe e filha constroem casa com mais de 4 mil garrafas de vidro achadas do lixo, para evitar despejo

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Depois de se mudarem de Curitiba para Pernambuco, Edna e Maria Gabrielly se viram em dificuldades, e uma ameaça de despejo fez com que tivessem a ideia de construir a própria casa.



As dificuldades podem ser encaradas como pontos de reviravolta. Essa forma de encarar as crises pessoais, muito difundida por especialistas de autoajuda, em alguns momentos, pode marcar a reinvenção das formas de agir e pensar de um indivíduo.

Isso não é regra, e logicamente não deve ser encarado como forma única de vivência, já que cada pessoa encara os problemas de forma diferente. Mas, no caso de Edna e Maria Gabrielly, as dificuldades financeiras fizeram com que a criatividade e o instinto de sobrevivência colaborassem para a ideia de construir uma casa própria a partir de garrafas de vidro encontradas no lixo.

Com a intenção de recomeçar, mãe e filha se mudaram de Curitiba (PR) para Pernambuco em busca do sonho de morar perto da praia. Cerca de um ano após a mudança, elas estavam numa situação financeira desesperadora, sem emprego e com as reservas no fim, e foram ameaçadas de despejo pelo proprietário que alugavam.


Em reportagem do Globo Repórter, Edna explicou que existem muitas dificuldades pelo caminho, mas que, quando elas se colocam à sua frente, é preciso achar uma saída para derrubá-las.

Com 4.298 garrafas de vidro recolhidas do lixo, elas decidiram erguer sozinhas a própria casa, unindo a sustentabilidade com a solução para o seu problema de moradia.

Nenhuma tinha experiência com construção civil, mas pesquisaram muito e conseguiram corporificar o projeto, no meio da pandemia. Maria explica que duas mulheres negras conseguirem erguer uma casa, sozinhas, feita de garrafas de vidro, mostra quão fortes são. Além disso, conta que a primeira parte do processo é não sentir medo de colocar a mão na massa nem sentir vergonha.

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Direitos autorais: reprodução/Globo Repórter.


Edna tem uma história de muita luta. Filha de analfabetos, aos 12 anos começou a trabalhar como empregada em casas de pessoas de classe média e alta, abandonando os estudos. Ela criou sozinha dois filhos e, aos 35 anos, decidiu retomar os estudos, formando-se em Gestão Pública.

Maria segue pelo mesmo caminho da mãe. Ingressou em uma faculdade de moda, em Recife, e mesmo gastando cerca de seis horas todos os dias para ir e voltar da capital, segue firme em seu propósito.

A satisfação de construir a própria casa perpassa uma realidade difícil, mas mostra a força de mulheres independentes e autônomas.

Além de ter um lugar para morar, fruto do próprio esforço, elas ainda colaboraram com a redução de garrafas de vidro da região em que moram. Apesar de ser um material 100% reciclável, no Brasil, apenas cerca de 45% a 49% do vidro é reciclado, já que compensa mais para os produtores investirem na produção de novas garrafas do que reciclar as já existentes.


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