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Americano de 64 anos pode ser o primeiro paciente curado de diabetes tipo 1

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Brian foi praticamente obrigado a se aposentar aos 57 anos porque a doença fazia com que chegasse a perder a consciência e até sofrer acidentes.

A diabetes é um grupo de doenças que resultam em altos níveis de açúcar no sangue, sendo comumente crônica e, em muitos casos, genética. Para os pacientes que têm a tipo 1, quase nenhuma insulina é produzida pelo pâncreas, e costuma se manifestar mais cedo. Quando o corpo não consegue processar o açúcar no sangue de maneira geral, os pacientes são diagnosticados com o tipo 2 da doença.

De acordo com a International Diabetes Federation, os dados do 9º Atlas da Diabetes mostram que existem 463 milhões de adultos com a doença no mundo. A prevalência global de diabetes atingiu 9,3%, dos quais mais da metade são diagnosticados com o tipo 2. Estima-se que até 2045 o número de pessoas que desenvolverão a doença suba para 700 milhões, o que acende um alerta para as medidas que médicos e a população em geral precisam tomar.

Brian Shelton precisou se aposentar aos 57 anos, depois de desmaiar no quintal de um cliente enquanto entregava correspondência. De acordo com o The New York Times, ele tinha passado um quarto de século nos Correios, mas seus acidentes começaram a preocupar as pessoas próximas, pois ele chegou até a bater a motocicleta na parede.

No início deste ano, Cindy Shelton, sua ex-mulher, viu que a Vertex Pharmaceuticals estava convocando pacientes com diabetes tipo 1 para um ensaio clínico. A empresa estava testando um tratamento que um cientista passou décadas desenvolvendo, tudo porque seu filho bebê e sua filha adolescente também eram vítimas do problema.

Brian foi o primeiro paciente dos testes, e em 29 de junho deste ano, recebeu uma infusão de células cultivadas a partir de células-tronco, mas exatamente iguais às células do pâncreas que produzem a insulina que falta em seu corpo há muito tempo. Desde então, seu corpo tem controlado automaticamente os níveis de insulina e de açúcar no sangue, e ele, aos 64 anos, pode ser a primeira pessoa curada da doença no mundo inteiro.

O paciente explica que a vida é totalmente nova, como se fosse um milagre. Os especialistas em diabetes ficaram surpresos, mas pediram cautela, já que o estudo ainda está em desenvolvimento e vai durar cerca de cinco anos, envolvendo ainda mais 17 pacientes graves de diabetes tipo 1, e não pode ser vista como uma opção para a do tipo 2, a mais comum.

Quem decidiu mergulhar de cabeça em algum tipo de cura foi o biólogo da Universidade de Harvard, Doug Melton, quando seu filho de 6 meses começou a tremer, vomitar e ofegar. Foi quando os pediatras descobriram que o bebê estava com a urina cheia de açúcar, um dos principais sinais de diabetes.

Isso acontece porque o próprio sistema imunológico dos pacientes destrói as células das ilhotas secretoras de insulina do pâncreas, algo que pode começar a se manifestar por volta dos 13 ou 14 anos. Além disso, quem desenvolve a doença também tem grandes chances de desenvolver cegueira, insuficiência renal, ataque cardíaco ou derrame, além de precisar amputar as pernas.

Foram muitos anos até conseguir obter sucesso com o estudo de células-tronco em células de ilhota, e o Dr. Melton revela que gastou mais de R$ 250 milhões para isso. O principal desafio era descobrir a sequência de mensagens químicas capazes de transformar as células-tronco em células de ilhotas, e isso demorou muito tempo.

Mesmo ainda existindo muitas ressalvas, o resultado com Brian é surpreendente, quase ninguém esperava que os pontos positivos pudessem ser vistos em tão pouco tempo. Agora os especialistas esperam os próximos cinco anos de testes, aguardando que nenhuma ressalva aconteça neste meio-tempo, para que, no futuro, milhões de pessoas consigam se curar da diabetes tipo 1.

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