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Americano é solto depois de 40 anos preso por um crime que não cometeu

Capa Americano e solto depois de passar 40 anos preso por um crime que nao cometeu
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A injustiça na prisão de Kevin Strickland revoltou milhares de pessoas no mundo.

Justiça e injustiça são temas que tocam profundamente a sensibilidade das pessoas, porque essas questões mexem com o que há de mais empático em nós, logo é natural que quando exemplos disso surjam, causem notável repercussão.

E é justamente por isso que a prisão injusta de um norte-americano comoveu o mundo inteiro.

Apesar de ser um dos casos mais recentes, não é o único. Os Estados Unidos representam um verdadeiro laboratório para entendermos as principais falhas do sistema carcerário. Lá se estima que 2.265 pessoas foram presas injustamente desde 1989. Se somados, resultam em 20 mil anos atrás das grades, segundo dados do Registro Nacional de Exonerações (NRE). Para agravar o cenário e nos ajudar a compreender por que esse não é um caso isolado, vale lembrar que a população negra estadunidense, apesar de constituir apenas 12% dos seus habitantes, representa 46% dos presos condenados erroneamente, segundo o mesmo levantamento.

Kevin Strickland, negro, 63 anos, passou 43 anos preso por um crime que não cometeu. Aos 18, Strickland foi condenado pela morte de três jovens (21, 20, e 22 anos), em um tiroteio realizado por quatro homens, em uma casa de Kansas City, em 1978.

Cumpriu 43 anos de pena na Western Missouri Correctional Center, prisão estadual do Departamento de Correções do Missouri. Sem conseguir provar sua inocência, Strickland recebeu a sentença de prisão por 50 anos por triplo homicídio, sem possibilidade de liberdade condicional.

O caso é emblemático para os Estados Unidos. De acordo com o Registro Nacional de Exonerações, é a prisão injusta mais longa da história do Missouri e uma das mais longas da nação.

Na data do crime, 25 de abril de 1978, quatro pessoas foram baleadas, sendo fatal para três delas. Cynthia Douglas foi a única sobrevivente. Na época, testemunhou que Kevin Strickland estava entre os quatro responsáveis pela barbárie.

Cynthia Douglas morreu em 2015, alegando ao longo da sua vida que buscou reparar seu engano, procurando alterar seu depoimento posteriormente. No entanto, não concluiu seu intento, temendo ser acusada de perjúrio.

Em um primeiro momento, Douglas reconheceu dois dos responsáveis, Vincent Bell e Kiln Adkins. Um dia depois, alegou ter aceitado a sugestão dos policiais de incriminar Kevin Strickland, pois seu cabelo batia com a descrição feita por ela.

Tal situação não deixa de apontar para os preconceitos raciais que ainda se reproduzem no sistema de justiça criminal, que insiste em enxergar em traços como a cor da pele, cabelo e aspectos culturais sinais de marginalidade e delinquência.

Em entrevista à afiliada da CNN, KSHB-TV, Cynthia Douglas contou que atribui sua confusão também ao fato de, no momento do crime, estar sob efeito de maconha e conhaque.

Em contrapartida, a apuração realizada pelo jornal demonstra que Cynthia Douglas dedicou seus últimos trinta anos à tentativa de reparar seu erro.

Segundo expõem, ela teria feito esforços para provar a inocência de Kevin Strickland por meio da Midwest Innocence Project, organização dedicada a enfrentar a questão da condenação de inocentes.

Os anos que foram tomados de Kevin Strickland não voltam. No entanto, em entrevista, ele diz não sentir raiva. Para ele, é um sentimento mais complexo. As emoções criadas nele são de uma natureza que ninguém mais conhece. Ainda assim, revela receber sua liberdade com um misto de alegria, tristeza e medo, sem saber ao certo como colocá-los juntos.

Por fim, Kevin afirma, agora absolvido, querer lutar pela causa das milhares de pessoas condenadas injustamente por erros judiciais e fazer sua parte para evitar que situações como a dele voltem a acontecer.

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Felicidade é poder fazer o que a gente ama, ter alguém para amar e sonhos para realizar!

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